Violência e adaptação: genes, cérebro e ética
Atahualpa Fernandez *
Atahualpa
Fernandez Bisneto 1
* Pós-doutor
em Teoria Social, Ética y Economia /Universidade Pompeu Fabra; Doutor em
Filosofía Jurídica, Moral y Política/Universidade de Barcelona; Mestre em
Ciências Jurídico-civilísticas/ Universidade de Coimbra; Pós-doutorado e
Research Scholar do Center for Evolutionary Psychology da University of
Califórnia, Santa Barbara; Research Scholar da Faculty of Law/CAU-
Christian-Albrechts-Universität zu Kiel-Alemanha;Especialista em Direito
Público / UFPa.; Professor Titular / Unama-PA e Cesupa/PA ;Professor
Colaborador (Livre Docente) e Investigador da Universitat de les Illes
Balears/Espanha (Etologia, Cognición y Evolución Humana do Laboratório de Sistemática
Humana); Membro do MPU (aposentado).
[1] Doutorando em Direito Público
(Ciências Criminais) e em Cognición y Evolución Humana/ Universitat de les
Illes Balears/UIB ; Research Scholar en el Laboratorio de Sistemática
Humana/UIB.
Aclarando conceitos
Para qualquer um que pretenda falar de violência
e adaptação, como é o caso, o mínimo que cabe exigir a quem toma a palavra é
que saiba tratar do tema de uma forma o bastante precisa no que se refere a estes
dois conceitos. Pelo que diz respeito à adaptação, não parecem existir
demasiados problemas. Trata-se de um termo técnico referido à maneira como se
fixam, para cada determinado locus da bagagem genética, diferentes alelos
dentro de uma população. Os fenômenos das mutações e recombinações primeiro e a
seleção natural depois levam à conservação daqueles alelos que permitem a seus
portadores procriar mais em virtude das condições do ecossistema.
Mas , o que é a violência? Frente ao caráter
técnico de “adaptação”, ao falar de “violência” o estamos fazendo de uma
maneira coloquial. Usamos esse termo para descrever e valorar certos
comportamentos que se consideram reprováveis. Se os professores nos dizem que
nosso filho tem uma conduta violenta no colégio, o fazem dando por certo que não
deveríamos cruzar-nos de braços ao respeito.
Mesclar conceitos técnicos e coloquiais não é
boa idéia. Poderia levar-nos a realizar perguntas com pouco sentido, transladando
a carga valorativa que se enfrenta com a violência ao terreno dos processos
adaptativos. Ponhamos um exemplo: a seleção natural estabelece distintos níveis
dentro da cadeia trófica, de tal maneira que os mais altos estão ocupados por
predadores. Alimentam-se estes vigiando, acercando e matando a suas presas.
Pois bem, são “violentos” os predadores? Cabe
qualificar assim a conduta de uma leoa quando lhe rompe o pescoço a uma gazela
antes de devorá-la? Talvez não, certamente. Mas esse exemplo é de todo alheio
ao que fazem as crianças nos colégios. Outro mais próximo aparece ao considerar
que multitude de animais de vida social levam a cabo condutas dentro do grupo
que recordam bastante as brigas nos pátios de recreio. Não se trata já de alimentar-se
senão de estabelecer hierarquias, e a forma comum de fazê-lo é mediante
enfrentamentos violentos.
O caráter adaptativo do que, para apartar-se do
terreno das expressões coloquiais, haveria de chamar “violência biológica” —ainda
que o termo técnico correto é o de “agressividade”— foi analisado nos mesmos alvores
da etologia pelo prêmio Nobel de medicina Konrad Lorenz através de um livro
publicado em 1963, Das sogenannte bösse, que fazia referência de maneira
particular ao comportamento humano. Nesse livro dava por demonstrado que nossa evolução
por seleção natural nos há feito agressivos —como a todos os demais primatas— mas
em umas circunstâncias que deveriam preocupar aos filósofos, sociólogos,
politólogos, juristas e pedagogos, para não referir-nos aos médicos, aos
agentes de polícia e os políticos.
As características de uma vida social muito
intensa e presidida, ademais, pela evolução cultural acelerada, hão
transtornado ou confundido o que a seleção natural haveria resolvido por si só
— no dizer de Lorenz—, tanto com relação a conduta agressiva necessária para
ordenar a vida em grupo como dos mecanismos inibidores encarregados de limitar
seus efeitos de risco. Ao alterar-se a ordem - digamos - natural da agressividade
aparece um fenômeno novo que conduz a comportamentos perigosos para o grupo. A “violência
biológica” se volta, assim, “violência ética”.
A violência de interesse
ético
Somos capazes de entender o sentido de tal ameaça
a nosso bem estar social? Poderemos explicá-la mais além dos modelos de sentido
comum, ao que os anglo-saxões chamam de folk
psychology, para decidir em que medida a “violência ética” — a de nossos
filhos repreendidos no colégio — depende da “violência biológica” — a que seus
genes promovem como conseqüência da história adaptativa da humanidade?
A cadeia explicativa parece em princípio fácil
de estabelecer. As pressões adaptativas levaram, durante a filogênese humana,
até condutas muito complexas e faculdades cognitivas de ordem social que
aparecem graças aos cérebros grandes e
capazes, necessários para levá-las a cabo. O binômio violência/ agressividade
pode entender-se, pois, como um recurso adaptativo essencial para estabelecer
as hierarquias, limites territoriais e possessões que nossa vida em comum
exige, um recurso cuja chave reside em determinadas conexões cerebrais. Frans
de Waal (2004), por exemplo, já advertiu acerca do erro que suporia associar
somente conseqüências negativas a uma agressividade que a seleção natural fixou
de forma muito extensa nos primatas.
Mas também caberia pensar que, em alguns casos
ao menos, as condutas que são violentas em excesso poderiam dever-se a certas
anomalias aparecidas no transcurso da aparição filogenética de nossos cérebros.
De tal forma, se consideramos o tipo de cérebro do que nos dotou a evolução por seleção natural talvez
demos com as respostas que buscamos. Dito de outro modo, se fossemos capazes de
identificar as conexões “corretas” que regulam os comportamentos morais poderíamos
estar em condições —teóricas ao menos— de detectar as anomalias e ver em que
medida são as responsáveis pela violência indesejável.
Como puderam aparecer os grandes
cérebros?
Talvez seja razoável intercalar um parêntese
antes de seguir em nossa busca. Como estabelece a hipótese do tecido custoso
enunciada pela antropóloga Leslie Aiello (Aiello & Wheeler, 1995), o incremento
do tecido dos neurônios que formam o cérebro é uma operação evolutiva nada
trivial. Supõe um alto custo em termos de inversão de recursos biológicos. Não
é possível, pois, uma expansão azarosa do cérebro: qualquer aumento que se
produza deve estar justificado porque proporciona vantagens adaptativas muito
notórias.
Quais poderiam ser essas vantagens quando falamos
de seres com tantas capacidades cognitivas como os hominídeos (símios e
humanos) é uma questão a que respondeu o
psicólogo Nicholas Humphrey já há quase trinta anos (Humphrey, 1976): nosso
cérebro (e, por certo, o dos chimpanzés) evolucionou para gerar e entender as
regras sociais. Chegar-se-ia assim à chamada “inteligência maquiavélica” que
permite, entre outras coisas, levar a cabo muito sutis e sofisticadas atribuições
de estados mentais aos demais membros do grupo, na linha sugerida por Daniel
Dennett (1979) ao falar dos sistemas intencionais.
O esquema de explicação estabelece, pois, que o
cérebro foi evoluindo, dentro da linhagem comum com os demais hominídeos primeiro
e em solitário mais tarde, até chegar, há uns duzentos mil anos, o nosso córtex
cerebral. Nesse transcurso se hão estabelecido o que Noam Chomsky chama “órgãos” da mente: o da linguagem, o da
capacidade numérica (Dehaene et al, 1999)... Há um “órgão da moral” que pudesse
converter-se por culpa das anomalias em um “órgão da violência”?
A localização cerebral
Pese a que Noam Chomsky tenha utilizado com freqüência
a expressão “órgão cerebral” ou “mental” para indicar aquelas funções
cognitivas que, como a linguagem, formam parte da arquitetura da mente humana (
Cela Conde & Marty, 1998), a idéia localizacionista extrema — referente em
último termo à frenologia— de “zonas” específicas no cérebro que se encarregam
de determinadas funções não pode ser mantida hoje. Não sabemos muito acerca de
como leva a cabo nosso cérebro os processamentos que conduzem às tarefas
cognitivas mas, ao menos, estamos razoavelmente seguros de que esses processos
cerebrais implicam a interrelação entre áreas afastadas do córtex e as zonas
subcorticais.
A primeira vez que se propôs a existência de uma
rede neuronal desse estilo relacionada com os processos cognitivos de juízo
moral, que temos notícia , foi através da hipótese do marcador somático de
Antonio Damasio (1994). Desde então a equipe de Hanna e Antonio Damasio há
proporcionado evidências diversas acerca de como a interrupção das conexões
entre o córtex frontal e a amígdala conduz a distintas alterações na capacidade
de juízo moral (Adolphs et al, 1998, por
exemplo).
A conduta violenta pode ser considerada como una
anomalia produzida por acidentes que alteram as conexões “normais” dos circuitos
cerebrais. Mas, por que se produzem tais “anomalias”? Estamos em condições de indicar quais são suas
causas?
Se deixarmos de lado as lesões de tipo
traumático — que são, por outra parte, as abordadas nos estudos de redes
neuronais mencionados — entramos no que caberia denominar o núcleo duro dos
modelos causais que pretendem achar correlações entre a presença de determinadas
alterações genéticas e a conduta violenta. O indício mais prometedor apareceu
quando se detectou a presença de alelos cujas mutações alteravam a monoamina
oxidasa (MAOa), uma proteína que cumpre um papel essencial no funcionamento de
distintos neurotransmissores como a serotonina, a norepinefrina ou a dopamina.
Hans Brunner e colaboradores (1993) relacionaram
a possessão do alelo mutante com os transtornos bipolares e, mais tarde,
Avshalon Caspi e sua equipe (2002) estenderam a relação à conduta anti-social,
dentro da qual se englobam a tendência persistente às brigas, a mentira, o roubo,
a desobediência ou a intimidação, mas com uma particularidade: as cifras de correlação
entre o alelo MAO alterado e a conduta violenta se disparavam no caso de que se
tratasse de pessoas maltratadas em sua infância.
Natureza e meio ambiente,
uma vez mais
Como cabe imaginar, a proposta de um modelo
reducionista tão atrativo como aquele que relaciona a conduta violenta com uma mutação
muito precisa em um determinado alelo fez com que se multiplicassem os estudos
encaminhados a por à prova a hipótese genética causal. Os resultados obtidos
foram um tanto quanto dispersos. Alguns estudos como o de Balciuniene et al
(2002) detectaram uma alteração do nível de enzimas no cérebro em certos
polimorfismos do gen que codifica a proteína MAOa, ou relacionaram os alelos
mutantes com o autismo (Cohen et al, 2003).
Mas outros proporcionam evidências negativas. Assim,
pese a que se há confirmado a relação entre a baixa atividade da monoamina oxidasa e o desenvolvimento de traços de
personalidade que incrementam a tendência até a conduta criminosa (Garpenstrandt
et al, 2002a, em um estudo de presos suecos), a mesma equipe de investigação não
encontrou nenhuma relação estatisticamente significativa entre o polimorfismo
do gen MAOa e a conduta violenta (em uma mostra de participantes suecos,
homens e mulheres, Garpenstrand et al, 2002b).
Talvez o modelo deva ser mais complexo, incorporando
fatores ambientais como podem ser o alcoolismo ou o consumo de drogas. Mas de
novo os estudos não são consistentes. O de Parsian (1999) estabeleceu que as mutações
no gen MAOa podem jogar um papel no
desenvolvimento do alcoolismo associado aos traços anti-sociais de personalidade,
Lu e colaboradores (2003) não encontraram relação alguma entre polimorfismos MAO
e desordens de personalidade ou alcoolismo anti-social em uma mostra de homens
chineses. A equipe de Vanyukov (1995a) não
detectou correlações significativas entre polimorfismos MAO e transtornos
de personalidade anti-social, mas sim, em uma pequena parte da variabilidade,
com a tendência ao uso de substâncias aditivas (Vanyukov, 1995b, 2004). Palomo
e colaboradores (2004) hão apontado a necessidade de estudos de interrelação genético-ambiental
mais detalhados antes de sacar qualquer conclusão .
Uma questão
interessante é a relação existente entre polimorfismo MAO e
esquizofrenia, de novo sujeita a muitas dúvidas. Por exemplo, tanto Norton e colaboradores
(2002) como Zammit e colaboradores (2004) negaram que os polimorfismos
funcionais nos genes MAOa, MAOb e COMT constituíssem
fatores de risco para a conduta agressiva em uma população de pacientes esquizofrênicos. Mas membros do
mesmo grupo de investigação ao que
pertencem os cientistas que levaram a cabo os estudos mencionados detectaram
uma associação entre alelos mutantes de MAOa
e esquizofrenia nos varões de uma mostra
sueca (não assim nas mulheres; Jonsson
et al, 2003), se bem que em suas conclusões advertiram acerca da necessidade de tomar com
prudência os resultados à hora de replicar o experimento.
De fato, os problemas metodológicos que se derivam
de comparar estudos que com freqüência não seguem as mesmas pautas e nem sequer
atendem à mesma fenomenologia hão sido já postos de manifesto (Muller-Oerlinghausen, Roggenbach, & Franke, 2004).
Dúvidas
metodológicas e dúvidas morais
A sociologia fenomenológica, pelas mãos dos professores alemães que
seguiram para os Estados Unidos fugindo da babárie nazista, propôs uma
interpretação de nossa tendência humana para racionalizar as coisas como último
recurso ante uma alternativa pior: a de que o mundo careça de sentido, que seja
puro caos onde tudo, absolutamente tudo, seja permitido. Depois dos incessantes
golpes que, dia após dia, estamos sofrendo por conta de uma criminalidade
desenfreada e descontrolada, começa a aparecer nos Estados Unidos e Europa uma
iniciativa similar: pretender entender e explicar o que ocorre no cérebro de um
criminoso, ou seja, de entender porque agem de tal maneira, em completo
desprezo pelo sofrimento do “outro”. Em
uma palavra, que circunstâncias lhes levam a habitar no primeiro círculo do
inferno de Dante: o da indiferenzza,
o reino do puro e insensível interesse próprio egoísta.
Foi Patricia Churchland, pesquisadora no Salk Institute californiano de
investigações em neurociência cognitiva, quem apontou uma possível
interpretação ligada ao gene que regula a enzima monoamina oxidase, MAOA. De
fato, os laços genéticos da enzima MAOA são estudados desde princípios dos anos
80 do século passado. Suas possíveis anomalias se relacionaram não somente com
a conduta anti-social mas também com o alcoolismo e inclusive com a
esquizofrenia. Mas os estudos a respeito, contudo, não são concludentes:
enquanto alguns investigadores encontram correlações entre variantes genéticas
da codificação da MAOA e essas patologias, outros as descartam.
Em 2004, por exemplo, Jaffee, Caspi, Moffitt e Taylor, da mesma equipe
que levantou a pólvora da associação entre a genética e a conduta agressiva,
concluíram que para que se dêem alguns dos traços de personalidade que
denominamos patológicos tanto influi o herdar anomalias como o fato de haver
sido maltratado quando criança. Mas, que relação existe entre a conduta
agressiva provenha de onde provenha, e a responsabilidade? O aparato de justiça
americano está dando voltas à possibilidade de introduzir-se no cérebro dos
suspeitosos de um crime para saber se foram eles ou não os culpados.
Parece que algo já se avançou desde os tempos em que o Dr. Lombroso
sugeria somente medir-lhes o crânio. Contudo, nos encontramos ainda em uma
parecida incapacidade para entender o que é a culpa, quais são suas razões e o
que medeia entre os impulsos para o crime e a vontade. Assim que, diante da
atual situação, cabe duvidar acerca da eficácia de um modelo causal preciso. Em
realidade, o pouco que se sabe ao respeito não vai muito mais além do que
poderiam estabelecer as intuições de
sentido comum, razão pela qual os estudos de Adrian Raine (2002, por exemplo)
propõem que o risco de conduta
anti-social e violenta conta com fatores tanto sociais como genéticos que
interagem mutuamente, embora ainda não se saiba exatamente como.
As pessoas que reúnem tanto um historial de maltrato em sua infância
como alterações genéticas nos alelos MOMA
mostram uma clara tendência a levar a cabo condutas mais agressivas do que
aquelas que somente contam com um desses dois fatores por separado. Certamente
uma conclusão decepcionante para os que querem ver nas alterações genéticas uma “causa” suficiente para a
conduta anti-social, mas o bastante indicativa como para ter que abandonar os
modelos roussonianos do “bom selvagem”. Depois, um tanto significativo à hora
de reclamar estudos mais cuidadosos é que Huang e colaboradores (2004)
relacionassem essa confluência de alterações
genéticas, maltrato na infância e conduta anti-social agressiva nos
varões , mas não nas mulheres.
A partir daí, será necessário muito trabalho de investigação para precisar o alcance de umas interações
que, com toda probabilidade, levarão a
modelos complexos de confluência genética ao estilo dos QTL (quantitative
trait loci) que estão dando conta de
quase qualquer anomalia patológica das comuns. A das condutas violentas e
anti-sociais entra nesse terreno do mais corrente. Também entra, por desgraça,
no rol das alterações de conduta que causam grandes transtornos na convivência.
Daí que a vertente puramente ética (a da pergunta kantiana, “que
fazer?”) levante quase tantas dúvidas como as que chegam da mão das dificuldades existentes à hora de obter modelos científicos da conduta
violenta. Como já apontaram autores do estilo de Wasserman (2004), nem sequer
resulta claro para que serviriam essas explicações científicas, se dispuséramos de modelos fiáveis
acerca das “causas” da conduta anti-social. Talvez o detectar a priori a
tendência a determinados comportamentos
pudesse levar, como sustenta Wasserman, a um remédio pior que a própria
enfermidade.
Bem vindos sejam todos os avanços
que nos permitam conhecer melhor o mal e suas causas. Mas ainda que os avanços
da ciência nos permitam descobrir que alguns indivíduos têm alterado sua
capacidade genética para a prática de comportamentos patológicos e
anti-sociais, nada, absolutamente nada, virá a substituir a responsabilidade do
Estado, em grau de tolerância zero, de adotar todos os meios necessários para
que possamos formar parte de uma sociedade na qual impere a segurança e a
liberdade , sem ter que temer sequer os que “nasceram para matar”.
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