Temporários
pressionam parlamentares
Em
caravana - Eles estão em Brasília para pedir aprovação da PEC que prevê a
efetivação
BRASÍLIA
Da
Sucursal
Uma comissão de servidores
temporários estaduais paraenses está em Brasília para pedir às lideranças
partidárias nacionais da imediata aprovação da PEC 054/99. O Projeto de Lei
Complementar (PEC) prevê a efetivação dos temporários que atuam no serviço
público estadual há mais de dez anos. A proposição já passou por todas as
comissões técnicas da Câmara dos Deputados a que deveria ser
submetida, mas ainda não tem data para ser votada pelo plenário.
A medida atinge cerca de 15 mil funcionários temporários só no Pará. Em todo
o Brasil, pelo menos 400 mil pessoas estão com o rumo de suas carreiras
profissionais dependendo da aprovação da PEC 054. Ela abrange os funcionários
classificados como não-estáveis - aqueles contratados até cinco anos antes da
promulgação da Constituição Federal de 1998.
Já a estabilidade dos
temporários com mais de dez anos está contemplada em uma emenda aglutinativa
apresentada pelo deputado federal paraense Zenaldo
Coutinho (PSDB). O acerto para que o projeto fique pronto para a votação
incluiu a retirada dos funcionários das estatais e das autarquias de economia
mista.
A defensora pública Regina
Braga, integrante da comissão que está em Brasília, mostrou-se otimista com a
receptividade do Congresso. Mesmo com a renovação de quase 50% do Parlamento,
ela ressalta que a proposta já está bem conhecida pela Casa. 'As manifestações
organizadas no último ano surtiram efeito, mas o melhor é que muitos deputados
que continuaram nesta legislatura estão pedindo o apoio dos novos
parlamentares', ressaltou.
Regina destaca que a
pressão exercida pela comissão desde o início desta semana já surtiu bons resultados.
Além da assinatura de mais de 200 deputados federais da emenda aglutinativa e
do apoio formal de oito líderes - do total de 17-, a comissão conseguiu uma
audiência, na próxima quinta-feira, com o presidente da Câmara Federal,
deputado Arlindo Chinaglia (PT). Estarão com ele
parlamentares, representantes sindicais e comissões de servidores temporários
de cada Estado. Eles cobrarão de Arlindo a definição de uma data para que a PEC
seja votada.
'A PEC está pronta e limpa
para ser votada. Já conseguimos a assinatura dos líderes de quase todos os
blocos partidários, assinaturas dos parlamentares para a emenda aglutinativa e
adeptos de mais Estados. Só falta o posicionamento definitivo do presidente
Arlindo Chinaglia para que a proposta vá à votação',
destacou Regina.
Otimista com o andamento da
PEC, o deputado Zenaldo Coutinho acredita que o
presidente da Câmara não criará empecilhos para que a matéria entre em pauta.
'No ano passado, ele era líder do Governo, tinha que ter parcialidade e por
isso posicionou-se contra. Agora, enquanto presidente da Câmara dos Deputados,
ele representa o colegiado. Não há motivo para
se opor', ressaltou.
Para o deputado a aprovação desta proposta é uma
questão de justiça com os servidores que dedicaram todo esse tempo ao serviço
público. 'É preciso resolver isso, que virou um problema de Estado. Quem está há dez anos no serviço público recebeu investimentos em
cursos, treinamentos e está muito qualificado. Alguém com dez anos de serviço
em nenhum dicionário vai ser chamado de temporário. Confesso estar ‘reoxigenado’ com a possibilidade da aprovação deste
importante projeto', destacou Zenaldo Coutinho.