Temporários fazem
manifestação em frente à Assembléia Legislativa
O Liberal, 13.04.2005
A luta desesperada de servidores públicos temporários
do Estado para não perder o emprego prosseguiu ontem pela manhã, na frente da
Assembléia Legislativa, com um ato público que contou com a participação de
cerca de 100 manifestantes. Com faixas, cartazes e utilizando um carro-som,
eles queriam a intervenção dos parlamentares, especialmente do líder do governo
na AL, deputado Bira Barbosa (PMDB), para frear mais uma lista de dispensados
que deverá ser anunciada até o final do mês, de acordo com informações de Tamar
Dias, uma integrante da comissão de líderes dos servidores estaduais. Ela
adiantou que hoje, às 14 horas, haverá nova mobilização, desta vez na frente da
sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Seção do Pará.
A intenção é fazer com que o presidente da OAB, Ophir
Cavalcante Jr., sensibilize-se com a situação dos servidores, embora ele já
tenha se posicionado publicamente que é contra a manutenção dos temporários,
pelo que tem de contrário à legislação trabalhista. Para convencê-lo, os
manifestantes lembrarão da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 054/99, que
está tramitando em Brasília e segundo a qual trabalhadores com mais de 10 anos
na condição de temporários poderão ser efetivados sem concurso público. “Dos 25
mil temporários do Estado, 23 mil têm mais de 10 anos”, garantiu Tamar Dias.
A representante destacou que ontem à tarde houve uma
reunião no Ministério Público do Estado (MPE) com a intenção de ganhar um prazo
até dezembro para que ocorra um desfecho sobre a PEC 054. “Foi o MPE quem moveu
ação contra o governo estadual para a dispensa dos temporários”, frisou Tamar,
admitindo que a situação é preocupante.
“Por enquanto, estamos numa sinuca de bico, mas temos
de sair dela”, considerou. Entre os ameaçados de desemprego há o consenso para
tentar marcar novo encontro com representantes do MP e do governo para fechar
um acordo. A coordenação estará encarregada desse propósito nesta
quarta-feira.
Servidores
querem apoio da AL
Diário, 13.04.2005
Anderson Luís Araújo
Os servidores
temporários do Estado estiveram em frente à Assembléia Legislativa ontem para
protestar contra 350 demissões ocorridas no mês março e mais 350 que estão
prestes a ser colocadas em prática pelo governo do Estado. Com carro-som e
faixas, cerca de 200 pessoas tentavam chamar a atenção dos deputados para o
desemprego da categoria, que está ligado às nomeações dos aprovados nos últimos
concursos promovidos pelo governo.
De acordo com a comissão formada para ser recebida na AL, são mais de 25 mil
pessoas trabalhando em regime de contrato para o Estado, sem vínculo
empregatício através da Carteira de Trabalho e Previdência Social. Cerca de 95%
exercem as funções há mais de 10 anos nos diversos órgãos estaduais, segundo os
manifestantes.
Por volta das 10h, eles pediram uma audiência com o líder o governo, Bira
Barbosa (PMDB). Os reclamantes não puderam ser atendidos porque o deputado
estava em reunião na Assembléia, junto com outros parlamentares, decidindo os
rumos do Projeto de Lei do Macrozoneamento Econômico e Ecológico do Estado.
MEDO - O
farmacêutico e bioquímico, Luiz Otávio Alves, era um dos que estavam diante do
Palácio Cabanagem esperando por uma audiência. Ele trabalha há 12 no
Laboratório Central do Estado e está com medo da lista que poderá ser divulgada
pela Sespa nos próximos dias. O receio está baseado na última relação de nomes
que desempregou 350 servidores temporários. “As demissões foram sumárias. As
pessoas só souberam no dia em que foram mandadas embora”, contou. Ele denunciou
que uma colega de trabalho, a farmacêutica Lailma Marron, foi posta na rua sem
nenhuma explicação e sem receber nenhum tipo de benefício, o que seria direito
se estivesse regulamentada.
PROJETOS - Membro
da comissão dos temporários, Conceição Benoliel afirmou que os deputados
precisam compreender a causa dos que estão prestes a perder seus empregos
devido à condição de temporários. Ela afirma que estão tramitando dois Projetos
de Emendas Constitucionais (PEC) que podem beneficiar o segmento. A
representante dos servidores afirma que a articulação entre os políticos que
deliberam nas duas esferas - estadual e federal -, pode trazer resultados
positivos aos milhares de funcionários públicos que se encontram nessa
situação.
Uma das reclamações mais presentes no protesto é que o Estado não tem seguido o
critério estabelecido em acordo com os servidores. Conceição conta que nas
últimas reuniões com a Sespa, foi informado que as demissões seriam graduais e
de acordo com o tempo de atuação. Quanto menos tempo nos quadros do serviço
público, maiores as chances de serem demitidos e vice-versa. “Mas, eles não
estão cumprindo. Demitiram gente que trabalhava há dez, 15 anos”, reclamou. Na
manhã de ontem, os servidores não conseguiram resolver a questão.
____________________Voltar
para a PÁGINA PRINCIPAL____________________