Temporários e concursados
farão manifestações na segunda-feira
O Liberal,
23.04.2005
Os servidores temporários estaduais e os aprovados no último concurso
público estão organizando manifestações paralelas na segunda-feira, 25, em
frente ao Tribunal Regional do Trabalho, durante a audiência que prepara o
julgamento de ação civil pública contra o governador Simão Jatene e seus quatro
antecessores. Os administradores são acusados de agir ilegalmente ao manter ao
manter o emprego de servidores temporários ao invés de obedecer a lei que determina concurso público. Para reparação do dano
é pedida a imediata demissão dos irregulares e a contratação
dos concursados.
Para garantir a participação de servidores no ato público, a Comissão de
Temporários Estaduais dedicou o dia de ontem a mobilizações nos órgãos. O
assessor da comissão, Quilber Nunes, disse que os
serviços nas unidades públicas serão mantidos, mas a chamada está sendo feita tanto aos concursados quanto aos
temporários, ambos interessados na causa.
Nunes afirma que a situação hoje vivida pelos dois segmentos poderia ter sido
evitada. Prova disso é a continuidade das contratações provisórias até hoje.
Somente no governo atual, acusa, há cerca de 4 mil
contratos novos de temporários. Essas vagas, frisa, se
aproximam dos 4.815 concursados a espera da
efetivação.
O revés é citado pelo promotor Paulo Germano Arruda, que assina a ação civil
movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em fevereiro deste ano. Com
base em informações oficiais ele revela que o Estado tem cerca de 20 mil
temporários em serviço e 12 mil concursados a espera
da convocação. Por isso, considera comprovada a viabilidade de dispensa do
primeiro grupo e a imediata contratação do segundo.
O promotor defende ainda a punição exemplar de Jatene, Almir Gabriel, Jáder Barbalho, Carlos Santos e Hélio Gueiros por terem
mantido as contratações irregularmente - a Constituição veda a prorrogação dos
contratos de temporários por mais de dois anos e exige concurso público para
admissão no serviço público - ao invés de sanar o problema.
Para Quilber Nunes faltou acrescentar na ação a
responsabilidade dos deputados estaduais que aprovaram as leis para autorizar o
governo a prorrogar os contratos. A primeira lei, de autoria do ex-deputado
Antenor Bararu, foi aprovada em 1991 e, desde lá, os
deputados têm aprovado leis consecutivas para prorrogação.
Na tentativa de pressionar o TRT a exigir providências do governo, a comissão
organizou um ato em frente ao TRT, na rua Dom Pedro I, às 9h. Antes haverá
concentração, a partir das 8h, no Centro Arquitetônico de Nazaré (CAN), com
saída em passeata até o local da audiência. Essa será uma audiência inaugural,
pois outras duas já realizadas pelo TRT eram extrajudiciais, nas quais se
tentou um acordo.
Em paralelo, os servidores concursados em 2004, mas
ainda não efetivados, também estarão em frente ao TRT,
a partir das 8h. Eles apoiarão a ação movida pelo MPT que exige a imediata
convocação dos aprovados em todos os concursos já realizados. Um dos
representantes do segmento, o assistente social Josué Araújo, revela que o
último protesto reuniu 500 concursados.
Josué destaca que a manifestação não é contra os temporários e sim em favor de
uma medida que faça o governo cumprir a Constituição. Ele lembra que o último
cronograma apresentado pela Sead previa a efetivação
dos concursados entre fevereiro e agosto. Mas, a
maioria dos órgãos só cumpriu o cronograma de fevereiro. Nos dois últimos
meses, ninguém mais foi chamado para a Secretaria do Trabalho e Promoção Social
(Seteps), por exemplo.
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