SPDDH quer Maiorana fora da OAB

Diário, 25.01.2005

A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH) divulgou, ontem, nota em repúdio ao espancamento de Lúcio Flávio. Com base na declaração sobre os princípios da liberdade de expressão, a entidade afirma que "quando se impede o livre debate de idéias e opiniões, se limita a liberdade de expressão e o efetivo desenvolvimento do processo democrático".
A presidente da SPDDH, Vera Tavares, estava viajando no último final de semana e recebeu com perplexidade a informação sobre a agressão física e verbal ao jornalista, "atacado pelas costas por um dos donos do maior grupo de comunicação do Norte, senhor Ronaldo Maiorana, advogado, empresário, presidente do Partido Liberal (PL) e, pasmem!!!, membro da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa da Ordem dos Advogados, Seção Pará", ressalta.
Na nota, a SPDDH manifesta seu repúdio e indignação e demonstra preocupação com a forma "truculenta e antidemocrática" com que o empresário tratou as desavenças. Para Vera Tavares, a violência contra o jornalista não tem nome, nem qualificação, mas chama para a reflexão sobre a impunidade. Ela avalia que a certeza de que os crimes cometidos pelos donos do dinheiro ficarão impunes "conduz a uma escalada cada vez maior de delitos que acabam sendo beneficiados pela morosidade da Justiça e pela flexibilização das penas aplicadas".

CONSEP - A presidente da SPDDH ressalta ainda que o episódio mostra a necessidade de consolidação da liberdade de expressão, porque, segundo ela, não se trata de um ataque ao cidadão Lúcio Flávio, mas um ataque à liberdade de imprensa e à democracia. A entidade cobrará uma manifestação do Conselho Estadual de Segurança Pública (Consep), sobre a participação de policiais militares na agressão, bem como a punição dos mesmos e o afastamento de Ronaldo Maiorana da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa da OAB/PA.

OPHIR - O presidente da seccional paraense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA), Ophir Cavalcante Jr., informou ontem, em relação à agressão, atribuída ao empresário e advogado Ronaldo Maiorana, ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, que a OAB ainda está avaliando o caso. "Há uma questão pessoal histórica que foge do âmbito de atuação da OAB", avaliou Ophir. Ao ser questionado se Ronaldo Maiorana faz parte do conselho da Ordem, Ophir Cavalcante disse: "Ele (Ronaldo Maiorana) não é conselheiro da OAB, mas apenas integrante da Comissão de Defesa ao Direito de Liberdade da Imprensa".

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