SOCIOPATIAS & CRIMINALIDADE
Fátima Oliveira
Médica
http://www.tribunadacidadania.com.br/2007/7/3/Pagina905.htm
Data de
Publicação: 03.07.2007
Madrugada
de 23 de junho. No ponto de ônibus, está Sirlei Dias Carvalho Pinto, 32 anos,
empregada doméstica, que mora no trabalho, na nobre Barra da Tijuca, mas seu
domicílio é Duque de Caxias, para onde pretendia se dirigir para arriscar uma
consulta médica. Cinco universitários, saindo de uma balada, roubam a bolsa de
Sirlei e a espancam. Acusados de tentativa de latrocínio (roubo seguido de
assassinato), alegaram "aberratio delicti" (desvio do delito: erro
por parte do criminoso quanto à pessoa da vítima).
Tentaram
uma "actio nullitatis" (ação de nulidade), justificando que
confundiram Sirlei com uma prostituta e como tal pode ser roubada, espancada e
humilhada. Não se espante, não criamos nossas proles dizendo-lhe que as putas
são a latrina da sociedade? Se não fosse, a prostituição seria respeitada como
prestação de serviços, que de fato é. Prostitutas não vendem seus corpos,
prestam serviços sexuais. Há mercado. É um comércio. Circulam textos indignados
e diferentes opiniões (pasme!) sobre que destino dar aos criminosos (!).
Há
um cujo título é "Você entregaria seu filho?", que dispenso comentar.
Renato Carvalho, o pai de Sirlei, o responde de modo lapidar: "Eu criei
quatro filhos e nunca tive condições de dar uma bicicleta para eles, mas soube
dar limites". Há tentativa de linchamento moral do pai que, perplexo
diante da selvageria do filho, e ignorante de que pode ter em casa um sociopata
que chegou à delinqüência, disse o que sentia: "Eles não são bandidos. Tem
que criar outras instâncias para puni-los. Queria dizer à sociedade que nós,
pais, não temos culpa nisso".
Penso
que não cabe juízo de valor, por desconhecer quem deseja ter filhos bandidos.
Ademais, vivemos num Estado de direito que assegura o direito de defesa para
todos. Não é crime que familiares sejam provedores de advogados para seus
criminosos. Temos um pai que, diante do "ab absurdo" (partindo do
absurdo), poderá se deparar com o "ab aeterno" (de toda a eternidade;
sempre). Há consenso científico: sociopatas são intratáveis, incuráveis e irreversíveis.
Não há ex-sociopata.
Há
estudos comprobatórios de que parte substancial dos alicerces dos desvios de
conduta de pessoas de todas as classes sociais são as sociopatias -
personalidade anti-social, ou narcísica, ou boderlaine. A ignorância sobre essa
condição ainda é a regra. Precisa deixar de ser. Sociopatas não são doentes,
mas portadores de personalidades bandidas e podem chegar ao banditismo. A única
prevenção é "investir em educação, em atendimento à primeira infância, na
aplicação das leis e em contenção".
Sociopatas
não adquirem limites e não os respeitam, pois para eles delinqüir é a regra.
Quando não "contidos", debandam para a criminalidade. Eis um assunto
do qual não se fala. O diagnóstico não é feito. E as escolas e nem as famílias
o reconhecem. E assim são mantidos os mitos das "causas sociais" (a
pobreza, a miséria...) e do lastro social (a riqueza, o conforto material...)
para explicar idéias preconcebidas e errôneas sobre a "criminalidade
certeira" de pessoas pobres, em geral negras, e o "inusitado da
criminalidade" das pessoas ditas nascidas em berço de ouro, em geral
brancas.
As
sociopatias atingem de 1% a 3% da população. Nos meios políticos, chega a 6%,
pois sociopatas são ávidos por poder e buscam-no, de qualquer jeito, em todos
os espaços, legais ou ilegais, de poder. Exibindo uma taxa de incidência de
tamanha magnitude, atire a primeira pedra quem não tem o seu sociopata de
estimação na família.
Quem
não sabia, ainda vai descobrir um. Basta olhar a parentada, em casa ou