Sindicato
de SP critica OAB sobre cursos de Direito
Quarta, 7
de fevereiro de 2007
O presidente do Sindicato das Entidades
Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo
(Semesp), Hermes Ferreira Figueiredo, considerou inconseqüente a declaração do
presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto. Nesta
quarta-feira, Britto afirmou que prevê o fechamento de cursos de Direito no País
em função da baixa qualidade de ensino. Figueiredo, afirmou que o fechamento do
curso depende do MEC e não da OAB.
» OAB prevê fechar cursos de Direito
"É um desejo da OAB que isso
aconteça, mas existem trâmites legais, desenvolvidos pelo MEC. Para que um
curso seja fechado, é necessário que as condições sejam totalmente
desfavoráveis e que os cursos sejam irrecuperáveis", afirmou o presidente
do Semesp.
De acordo com o Semesp, todas as
instituições de ensino superior passam por uma inspeção periódica do MEC, que
avalia vários itens, como corpo docente e infra-estrutura. Quando o MEC detecta
que a qualidade do curso está abaixo dos padrões determinados pelo ministério,
a universidade ganha um prazo para se adequar às exigências. "A escola
deve dar satisfação única e exclusivamente ao MEC e não à OAB", disse
Figueiredo.
Com relação à portaria publicada pelo
MEC, informando que as autorizações para funcionamento de novos cursos de Direito
só poderão ser expedidas com o aval do Conselho Federal da OAB, o presidente do
Semesp avalia que isso não afetará a criação de cursos. "Apenas aumenta a
burocracia, porque a participação da OAB sempre existiu. Ainda assim, o parecer
da OAB é opinativo e não conclusivo. Se ela disser não, existe mais uma
instância para decidir sobre o assunto", afirmou Figueiredo, referindo-se
à Comissão Técnica Acadêmica (CTA). A CTA será responsável por examinar o
parecer quando a OAB não concordar com a criação de um curso.
O presidente do Semesp também deu sua
opinião sobre o baixo índice de aprovação no Exame da Ordem, problema citado
pelo presidente da OAB. "Acredito que o teste está muito além da
capacidade do formando, uma pessoa que está acabando de sair da universidade.
As questões são feitas por pessoas que já têm experiência de trabalho e que
esquecem que um formando não tem toda essa bagagem", disse Figueiredo.