Advogado recorre ao Sindicato para acionar a CAARJ
Nos últimos
meses, o Jornal dos Advogados tem aberto amplo espaço para as denúncias da
categoria contra as mudanças efetuadas pela CAARJ no seu plano Plasc Especial. De forma unilateral e sem qualquer comunicação
formal aos associados, a CAARJ promoveu o descredenciamento
de hospitais de ponta e retirou uma série de direitos, numa tentativa de
obrigar a categoria a migrar para planos mais caros. O Sindicato dos Advogados
teve que entrar na Justiça para garantir aos advogados, por meio de uma
liminar, o cumprimento dos contratos em vigor.
Dessa vez, o
advogado Marcos Araújo, associado do Plasc Especial
desde 1990, foi surpreendido ao ter negado pela CAARJ o direito à realização de
uma tomografia computadorizada requisitada pelo seu médico. Segundo o advogado,
a alegação da CAARJ foi a de que ele já havia feito duas tomografias em 2004 e
que, só em junho do ano 2005, estaria liberado para fazer outra. Pior ainda, a
funcionária da CAARJ que atendeu Araújo, após consulta a um superior, disse que
no tempo em que o contrato foi assinado, em 1990, o “exame não existia” e, por
conta disso, a Caixa de Assistência não estaria obrigada a autorizar a sua
realização.
“No capitulo 5, cláusula 7a do meu contrato, está dito que tenho direito
a todos os exames complementares e auxiliares à identificação de doenças e,
realmente, nunca tive problema ou qualquer restrição ao longo desses anos
todos. No início de novembro, tive um processo gripal
bastante forte e o médico suspeitou de um processo de sinusite grave e pediu
uma tomografia computadorizada. Então, me dirigi ao posto da CAARJ, na Rua São
José, para pedir uma autorização. Para minha surpresa, ela foi negada, sob a
alegação de que já teria feito duas esse ano e, portanto, não teria direito.
Quer dizer, agora, só poderia ficar doente em julho de 2005”, protesta o
advogado.
Advogado passa por vexame
“Tive que passar por verdadeiro vexame, na frente de todos quantos lá se
encontravam, ao ver negada autorização para realizar mais um exame sob a
alegação de que o contrato mudou e eu só teria direito a duas tomografias por
ano. Como se eu fosse um devedor relapso ou como se eu fosse participante de um
plano de previdência social comum. E, inclusive, a tomografia confirmou o
diagnóstico médico, de sinusite aguda. Ele não pediu o exame por pedir, mas sim
por estar acontecendo algo de muito sério comigo, como veio a se confirmar
posteriormente (o que está dito no contrato é que tenho direito a exames
complementares, não importa que tipo de exame, nem em que quantidades”, afirma
o advogado).
Araújo teve que
fazer o exame às suas custas, tendo se dirigido à sede da CAARJ para saber o
porquê da restrição. Lá, recebeu a seguinte resposta: o contrato havia sido
alterado e ele teria que acatar as alterações feitas. “Basicamente, me foi dito
que ‘era assim, porque era assim’. O contrato foi mudado e eu teria que
respeitar as mudanças que eles fizeram, unilateralmente, já que nunca me
comunicaram tais alterações. A CAARJ nunca enviou qualquer tipo de comunicação
de que, a partir de agora, seriam estipulados quantitativos anuais para
determinado tipo de exame. Além disso, a atendente da CAARJ disse que era assim
mesmo e que se eu quisesse, que fosse me queixar ao bispo”, reclama Araújo, que
tem em seu poder uma fita gravada com todo o teor da conversa na CAARJ.
“Como posso me
sujeitar a uma situação dessa, tendo duas dependentes, com mais de 60 anos e
sendo pressionado a migrar para um outro plano, a um custo muito mais alto
(pelo menos R$ 2 mil) para continuar desfrutando de
todas as vantagens que o Plasc Especial, por
contrato, deveria me garantir depois de 14 anos de contribuição? Daí a minha
revolta e a razão por ter procurado o Sindicato. Nós estamos sendo mal
informados e maltratados por essa gente que administra a CAARJ atualmente”,
questiona Araújo.
O advogado
resolveu recorrer ao Sindicato dos Advogados para acionar a CAARJ na Justiça e,
assim, fazer valer o que está escrito no contrato. “Sozinho, não tenho
condições de enfrentar uma entidade como a CAARJ e como a Ordem dos Advogados.
Por isso fui buscar respaldo no sindicato, que pode falar em nome dos mais de
30 mil participantes do Plasc Especial. Não é
possível que uma entidade que arrecada os valores que arrecada, tenha que tomar
atitudes como essas que vem tomando, alegando alteração nos planos médicos.
Aonde vai e o que está sendo feito com o dinheiro que é arrecadado? Porque só
nós, do Plasc Especial, estamos sendo prejudicados?
Onde está a prestação de contas? A CAARJ, ao que todos nós advogados sabemos,
arrecada e lhe é repassada sistematicamente pelo TJ uma parcela das custas
judiciais: esse dinheiro, teoricamente, deveria reverter em benefício dos
próprios advogados. Cadê esse dinheiro?”, questiona Araújo, duvidando também da
alegação de crise financeira pela CAARJ: “Crise financeira,
com a arrecadação que eles tem tanto dos pagantes do Plasc
Especial quanto do que eles arrecadam pelas custas só pode ser incompetência e desleixo. É a única hipótese que vem à nossa
cabeça”, dispara.
Contratos têm que ser respeitados
Marcos Araújo
defende a necessidade urgente de uma medida judicial para resguardar os
direitos de todos aqueles que acreditaram tratar-se a CAARJ de uma entidade séria, dirigida por advogados, para o bem estar
da classe como um todo, e não apenas de alguns pouco privilegiados. Ele chama a
atenção para os milhares de associados, advogados e dependentes que estão sendo
prejudicados com a quebra unilateral nos contratos do Plasc
Especial. “Não somos mais crianças. As pessoas que aderiram ao Plasc a cada dia ficam mais velhas e sujeitas à necessidade
de recorrer a atendimento médico especializado. Minha mãe, por exemplo, tem 84
anos. Qual o plano que vai aceitá-la hoje? Se for migrar da CAARJ para outro
plano vou ter que pagar muito caro e, hoje, quem tem condições de fazer isso?
Isso, depois de ter contribuído anos e anos para a formação da CAARJ. Assim
como eu, mais de 30 mil associados estão sendo prejudicados também. Temos que
promover, junto com o Sindicato, uma medida judicial para que os contratos
sejam respeitados até o seu encerramento”.
Sindicato conquista
liminar contra aumento abusivo da CAARJ
http://www.sindadvogados-rj.com.br/23082004caarj.html
A CAARJ voltou a
infernizar a vida de seus usuários. Desta feita, impôs um aumento de quase 30%
aos beneficiários do Plasc Especial, Comum QP e QC,
Hospitalar e Universitário, e de 16,75% para os planos Master,
Sênior I, Standard , Hospitalar Plus
e Hospitalar Básico, com adesões entre 01/01/1999 e 31/12/2003. O Sindicato dos
Advogados entende tratar-se de medida abusiva e ilegal e, mais uma vez,
processou a CAARJ para barrar a ilegalidade.
Em ação distribuída para a 26ª Vara Federal
– na condição de substituto processual – o Sindicato dos Advogados pediu e
obteve a antecipação de tutela pela qual o julgador determina à CAARJ “que se abstenha de reajustar os contratos de seus
segurados dos planos Especial, Comum QP e QC, Hospitalar e Universitário em
percentual superior a 11,75%.”
Conforme a motivação
desenvolvida, o magistrado entende – assim como nós – que a “modificação
arbitrária e unilateral de um elemento da relação seria ilegal mesmo diante do
Código Civil revogado, na eventualidade de contratos anteriores ao próprio
Código do Consumidor. Na presente demanda, então, a cláusula 14ª do contrato
que permitiria o reajuste “quando ocorrer aumento
comprovado de custos médicos, de exames e métodos complementares hospitalares
por determinação governamental ou de órgãos de classe ou para que seja
assegurado o equilíbrio entre a receita e a despesa” não pode ser interpretada
como permissão à operadora de utilização de índice ao seu bel prazer, pois, do
contrário, teria natureza de condição puramente potestativa,
expressamente vedada (CC 1916, art. 115, in fine) e demonstraria a falta de boa
fé de um contratante quanto ao objeto do contrato de seguro de saúde, em
afronta ao art. 1.443 ( CC 1916) . Portanto, até mesmo à luz de uma leitura
superficial da cláusula contratual referida, é de
concluir-se que o índice apontado pela Agência Nacional de Saúde, na falta de
outro parâmetro objetivo que permita aos consumidores a devida informação sobre
o motivo do reajuste, deve ser reconhecido como o único que atende ao pacto e
ao ordenamento jurídico”.
Quanto aos segurados
abrangidos pelo aumento de 16,75%, preparamos, para eles, uma ação específica –
tendo em vista alguma nuances de fundamentação – cujo pedido de liminar está
sendo apreciado. Temos a certeza de que, também, será deferido.
Alertamos os colegas
para o fato de que há juízes que consideram a substituição processual cabível
apenas para os sócios da entidade. Portanto, a posição processual dos filiados
é mais segura do que a dos não filiados.
Num momento como
esse, em que a CAARJ parece que perdeu o rumo, o que faz a OAB/RJ?
Nada, como sempre.
De nossa parte,
acredito que, mais uma vez, cumprimos com o nosso dever de bem representar os
advogados, que sempre contarão com a nossa solidariedade e a nossa luta.
AÇÃO
ANTERIOR JULGADA NO MÉRITO
Já a ação por nós
proposta perante a 11ª Vara Federal, contra o descredenciamento
dos Hospitais Barra e Quinta D’Or, Rio Mar e Casa de
Saúde São José, foi julgada procedente. De acordo com o juiz, “quando os usuários
do Plasc Especial celebraram o contrato com a CAARJ,
receberam um manual da rede credenciada (fl. 25) onde constavam os nomes dos
referidos hospitais. Neste contexto, constando expressamente no manual da rede
credenciada o nome dos referidos hospitais, pode-se dizer que os mesmos
integram o contrato, na medida em que o fornecedor, quando da assinatura do pacto,veiculou informação com relação aos serviços
oferecidos”.
ANS informa que CAARJ tem que sofrer intervenção
O
diretor-presidente da Agência Nacional de saúde (ANS), Fausto Pereira dos
Santos, em entrevista ao jornal O Globo, no dia 5/12, informa que a CAARJ
deveria estar sob intervenção fiscal da agência, já que aquela operadora sofre
de “problemas graves”. Ele disse, na entrevista, que existem cerca de 300
operadoras de saúde, em todo o país, em dificuldades financeiras.
Eis a sua
resposta, na íntegra, sobre os problemas com a CAARJ: “Estamos em uma briga
jurídica com a empresa. Ela diz que por ser uma autarquia não estaria sob a
regulação da agência. Mas nós não concordamos e estamos discutindo a questão,
mas precisamos aguardar a decisão final da Justiça. Se não fosse isso a empresa já estaria sob direção fiscal porque tem problemas
graves de descumprimento de uma série de normativos da ANS”.
Santos informa,
também, que em “agosto e setembro a Caarj descredenciou quase a metade de sua rede”.
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