Severino
não abre mão da bandeira do nepotismo
Diário do Pará, 15.05.2005
Presidente da Câmara defende
contratação de parentes, detona ministros do governo e reclama os excessos de MPs
O presidente da Câmara dos
Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), falou ontem, em Belém, que o
Legislativo é um Poder autônomo, destacando que não vai permitir a influência
do Executivo. Segundo Cavalcanti, a Câmara dos Deputados mudou e não é mais
cozinha do governo federal e os deputados têm autonomia para exercer seu papel
de legislar, apesar das inúmeras medidas provisórias editadas pelo Executivo.
Cavalcanti voltou a defender o nepotismo, informando que as pessoas não podem
ser penalizadas só porque têm parentes ocupando altos
cargos no serviço público. Questionado sobre a possível parcialidade do relator
da PEC contra o nepotismo, Sérgio Miranda (PC do B/MG),
que tem quatro parentes no serviço público, Cavalcanti disse estar certo que o
relatório possibilitará o trâmite normal nas demais comissões, até porque se
discute o nepotismo nos Três Poderes. Ele brincou com o presidente da OAB-PA, Ophir Cavalcante Junior, quando recebeu o manifesto da
Ordem em favor da moralidade, ao perguntar se não há nepotismo na entidade. Ophir Jr. respondeu que desde 1996 e entidade não emprega
parentes.
A permanência do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do ministro
da Previdência, Romero Jucá, em seus cargos, apesar de denúncias de corrupção é
criticada pelo presidente da Câmara Federal. Na opinião dele, o sensato seria
afastar e, depois, se fosse o caso, voltar. “Temos que separar o joio do
trigo”, disse, destacando que já ocorreu de ministro ter sido afastado por
denúncias de corrupção e, depois de esclarecido o fato, voltar com toda a
glória.
Sobre os desentendimentos entre os ministros chefes das Secretarias de
Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken,
e de Coordenação Política e Assuntos Institucionais, Aldo Rabelo, Cavalcanti
disse não entender “ministro atacando ministro”, referindo-se a uma articulação
para derrubar Rebelo. Defendeu ainda a demissão de Gushiken
que, para ele, presta um desserviço à nação.
Quanto ao relacionamento com o Governo Federal, Cavalcanti disse que está
melhorando, ressaltando a reunião de lideranças com o
presidente Lula marcada para a próxima quarta-feira, mas, pediu um pouco
mais de atenção e carinho aos deputados, que esperam horas na ante-sala de Lula
por uma audiência.
Apoio declarado
aos temporários
Cavalcanti desembarcou em Belém
com uma grande disposição em manifestar apoio à causa dos militares, que clamam
por reajustes de seus soldos; dos temporários, que reivindicam o desengavetamento do Projeto de Emenda Constitucional - PEC
054/99, que cria quadros de servidores temporários em extinção; da OAB, que
mobiliza pela moralidade pública; dos auditores, que querem maior segurança e
mais condições de trabalho para erradicar o trabalho escravo do Pará, e de
todos os trabalhadores, representados pelo Fórum Sindical dos Trabalhadores no
Pará, que pediram apoio, dentre outras coisas, às reformas sindical e
trabalhista.
Representando os temporários, Kilber Nunes entregou a Cavalcanti um abaixo-assinado,
contendo 10.338 assinaturas de servidores temporários do Estado, que deverão
ter seus contratos rescindidos até dezembro. O parlamentar disse que, após
vencer todas as MPs,
procurará qual gaveta encontra-se o projeto, destituirá o relator e o colocará
em plenário para a discussão. Solidário aos servidores, alguns com mais de 50
anos de idade, disse que consistem de “bons filhos que acreditaram no Estado e
no país, que deram a sua vida ao trabalho e que agora não podem ser jogados no
olho da rua”.
CONVENÇÃO
- Cerca de 500 correligionários lotaram
o teatro do Sesi, ontem, na convenção do Partido Progressista, que homologou o
secretário especial de Promoção Social, Gerson Peres, como presidente do PP.
Sempre ao lado do deputado Severino Cavalcanti (PP/PE),
Peres adiantou aos jornalistas que, para ser eleito presidente é necessário ser
filiado e ter maioria dos votos na urna e que ele já havia conseguido a
unanimidade dos votos, afastando qualquer possibilidade de disputa com Wladimir
Costa (PMDB), que pleiteava o cargo após uma eventual troca de sigla. Aliás,
Costa nem se fez presente à convenção. Peres entregou uma imagem da Nossa Senhora
de Nazaré a Cavalcanti invocando a proteção da padroeira dos paraenses ao
presidente da Câmara dos Deputados. (R.G.)
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