REGIONALIZAÇÃO E QUALIDADE DE ENSINO DEVEM SER
METAS NO PARÁ
Essa é a opinião do
presidente do Exame de Ordem da OAB-PA sobre a situação das universidades
locais.
Texto publicado no Jornal
O Advogado, da OAB/PA, junho/julho
de 2005, p. 7.
O panorama cada vez mais preocupante da
qualidade do ensino jurídico no Brasil não é diferente no Pará. O reflexo está
nos resultados do Exame de Ordem da OAB-PA, que somente na última realização,
em março deste ano, registrou reprovação de 81,99%, o índice mais alto dos
últimos anos, garante o presidente do Exame de Ordem e secretário-geral da
OAB-PA, Edílson Dantas. Ele afirma que as causas do problema
estão muito além da competência das universidades, sejam públicas ou
privadas, mas se estende ao comodismo e má-preparação dos estudantes de
Direito, que também não exigem e exploram o que a graduação tem a lhes
oferecer. “Não depende só das universidades o insucesso de seus alunos. Muitos
deles entram na graduação sem o mínimo de cultura necessária para um curso de
Direito. Falta mais iniciativa dos estudantes”, argumenta Edílson.
No Pará, a situação se agrava ainda pela
carência em áreas do Direito que são essenciais para a região, como biodireito, direito agrário, entre outras especialidades.
Para Edílson, as universidades paraenses estão graduando profissionais sem
formação para atender a demanda local. “Todas as universidades paraenses ainda
possuem o estudo clássico, e não avaliam as peculiaridades que a nossa região
tem a oferecer”, afirma Dantas.
Atualmente existem sete instituições de
ensino superior que ofertam cursos de Direito em Belém – Universidade Federal
do Pará (Ufpa), Universidade da Amazônia (Unama), Centro de Ensino Superior do Pará (Cesupa), Faculdade de Belém (Fabel),
Faculdade Integrada Brasil Amazônia (Fibra), Faculdade Ideal (Faci) e Faculdade do Pará (Fap).
Entre essas, apenas a Ufpa, Unama
e Cesupa estão com inscritos no
Exame de Ordem, o que mostra ser recente a criação dos demais cursos.
“Não há necessidade de tantos cursos jurídicos”, afirma o secretário-geral da
OAB. Ele diz que a massificação do ensino acaba resultando em um paternalismo
de instituições particulares. “Existem universidades que acabam vendo o aluno
como um produto. Se eles começam a tirar notas baixas com um certo professor,
vão até a direção e pedem para trocar de turma. Isso é paternalismo”, afirma
Dantas. Por outro lado, o advogado argumenta que na universidade pública, a
qualificação do ensino também precisa de reformulação: a diferença é que os
estudantes que ingressam em instituições federais passam por um processo
seletivo mais rígido. “Os alunos da Federal batalham mais. São mais
preparados”, ressalta. A afirmativa é confirmada nos resultados no Exame de
Ordem em que os graduados da Ufpa produzem notas
melhores que os concorrentes.
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