QUEM
MENTIU: BAETA OU BUSATO? (Parte III)
Por Carlos Nina
Diário da Manhã , São Luís - MA , 27/07/2005
Como explicado nos textos anteriores
(Partes I e II), o Presidente da OAB nacional, Roberto Busato,
depois de convidar o advogado José Carlos Sousa Silva, ex-presidente da OAB-MA
e ex-Conselheiro Federal, para ser um dos expositores da XIX Conferência
Nacional da OAB, excluiu-o, alegando que “tal deferência necessitaria, por
óbvio, de tratativas com a Seccional da OAB do
Maranhão, que se inscreve no esforço conjunto de promovermos, nesse evento, o
congraçamento institucional com todas as Seccionais.”
Por outro lado, a pedido do mesmo Busato, Hermann Baeta informou
José Carlos que os motivos da exclusão apresentados pelo presidente da OAB-MA,
José Caldas Góis, e pelo Conselheiro Federal José Brito de Souza, em nome dos
demais Conselheiros Federais do Maranhão, foram os seguintes: José Carlos Sousa
Silva não era Conselheiro Federal; tinha tornado público o convite que
recebera; tinha escrito artigo combatendo o controle externo do Judiciário; e
era candidato às próximas eleições da Ordem (2006).
No texto anterior (Parte II), tratei do
argumento referente à condição de Conselheiro Federal. Neste de mais um: a
divulgação do convite.
Esse argumento é apenas mais uma estupidez
de seus detratores, fruto da mais rasteira inveja e despeito, pois, além de não
haver restrição para que os convidados divulguem o convite, a notícia foi dada
pela própria OAB e o nome de José Carlos constava da programação divulgada no site da OAB.
Também o convite recebido por José Carlos
não impunha tal condição. Ao contrário. É evidente que um evento dessa natureza
espera a mais ampla divulgação. E a notícia veiculada por Pergentino
Holanda em sua coluna e enviada como “prova do crime” de José Carlos deveria
merecer era agradecimento por parte da OAB, por se tratar de divulgação do
evento. O mesmo se aplica ao artigo escrito e publicado pelo próprio José
Carlos, que tantos outros já escreveu sobre conferências e outros eventos da
OAB, sem merecer qualquer censura.
O que deveria envergonhar a OAB eram as
notícias de sua omissão em casos que exigem sua atuação, bem como aquelas que
informam que o ex-presidente da OAB-MA, Raimundo Marques, atual Procurador
Geral do Estado, levou os Conselheiros Seccionais para manifestar apoio à
reeleição da ex-Governadora Roseana Sarney, ou que o atual presidente José Góis
levou uma representação do Conselho para bajular o atual Governador prometendo
um escândalo nacional se ele fosse incomodado com ameaça de impeachment
. Registre-se que tanto a ex como o atual Governador
foram acusados e acusam-se de corrupção, o que deveria recomendar uma
postura de distanciamento de ambos, em face do papel institucional da OAB. Mas,
ao contrário, o ex e o atual presidente da OAB-MA, com o beneplácito dos
Conselheiros Seccionais, preferem satisfazer seus próprios interesses, usando a
OAB apenas como instrumento para esse fim.
As notícias com as quais a OAB deveria
incomodar-se e os advogados honestos envergonhar-se
são aquelas que falam sobre advogados se apropriando do patrimônio de seus
clientes; advogados montando esquemas com autoridades públicas para aliciar
clientela; advogados, que deveriam ser excluídos da classe por suas atividades
antiéticas e ilícitas, escalados como oradores precisamente em eventos em
defesa da ética, das prerrogativas dos advogados ou de combate à corrupção. E
também das que noticiam a discriminação invejosa e despeitada como a que
fizeram com José Carlos.
Na verdade, a notícia que mais os incomodou
foi outra: a de que José Carlos está disposto ao desafio de enfrentar a
corrupção eleitoral da OAB-MA - ainda que, como antes, apadrinhada pela direção
nacional da OAB - para disputar a presidência da Seccional nas eleições de
2006.
Mais uma vez será uma oportunidade para que
os advogados do Maranhão mostrem quem querem na direção da instituição: os
beneficiários da corrupção ou um Conselho independente e comprometido com os
deveres institucionais da Ordem.