Excelentíssimo
Senhor Presidente
nobres
membros da mesa diretora
e líderes
das bancadas
ilustres
colegas
senhoras e
senhores
Pronunciamento
proferido pelo
Deputado
Max Rosenmann –
PMDB/PR
em 07/06/2005.
Nas últimas
semanas uma polêmica tem tomado conta da opinião pública paranaense, por conta
do alto índice de reprovação de bacharéis de Direito nos exames da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB).
Os defensores
desses exames apontam a deficiência nos cursos de Direito instalados no País
como justificativa para esses índices elevados de reprovação.
Já os críticos
acusam a OAB de tentar criar uma espécie de “reserva de mercado” através de
exames elaborados de forma draconiana, com o único objetivo de barrar a entrada
de novos profissionais no mercado.
Em meio a esse
tiroteio, especialistas e autoridades - como recentemente fez o secretário de
Estado da Justiça do Paraná, Aldo Parzianello - chegam a defender o fim da
obrigatoriedade dos exames para o ingresso na carreira jurídica.
Neste ano, duas
das cidades mais importantes do Paraná, Cascavel e Ponta Grossa, registraram
quase 100% de reprovação no primeiro Exame do ano da OAB.
Em Ponta
Grossa, 92,9% dos bacharéis em Direito não obtiveram êxito nas provas e em
Cascavel, o índice de reprovação chegou a 97,6%. Os resultados foram piores até
em comparação com a média de reprovação de todo o Estado - de 91,1%.
O coordenador
de Exame de Ordem da OAB de Cascavel, Luiz Robert Vile, atribuiu o
"pífio" resultado à falta de preparo dos candidatos e o presidente da
Subseção de Ponta Grossa, Irio Tabela Krunn, lamentou que o índice de
reprovação tenha sido um dos mais altos da história.
Em Ponta
Grossa, dos 170 bacharéis em Direito que prestaram as provas da OAB, apenas 12
tiveram êxito, perfazendo um índice de aprovação de meros 7,05%.
No último exame
(realizado em dezembro de 2004), a Subseção de Ponta Grossa havia aprovado 20%
dos candidatos, enquanto que, no Paraná, o índice de aprovação no exame foi de
21%.
De acordo com
Irio Tabela Krunn, os candidatos ao teste em Ponta Grossa registraram 37% de
aprovação na primeira etapa, "resultado que demonstra que os bacharéis
estão saindo da faculdade com conhecimento teórico, mas não prático".
Em Cascavel,
dos 470 inscritos, apenas 11 foram aprovados no Exame de Ordem, uma aprovação
final de 2,34%.
Pessoalmente,
acompanho essa debate com apreensão. Até porque vejo uma série de pontos
obscuros na discussão.
Nos últimos
anos, o Ministério da Educação implantou um bem sucedido modelo de avaliação
dos cursos superiores, que tem permitido promover um mapeamento das condições
de ensino do terceiro grau em todo o País.
Pois bem, no
Paraná, vários cursos de Direito de instituições renomadas como a Faculdade de
Direito de Curitiba, as Universidades Positivo, ou da própria Universidade
Federal do Paraná tem conquistado nos provões conceitos de excelência
classificando-se como cursos de nível A, comprovando assim a qualidade de
ensino ministrada nessas instituições.
Só que aí, os
mesmos alunos que conseguiram esses resultados, quando vão fazer o exame da
OAB, conseguem a aprovação 3% ou menos dos inscritos.
É uma situação
incompreensível. Se os cursos tem sido aprovados nos provões pelo Ministério da
Educação, como podem os mesmos alunos obterem um resultado tão inferior no
exame da OAB?
Alguma coisa
está errada. Ou o provão do MEC não está funcionando, ou o exame da Ordem está criando
uma situação artificial.
Se a OAB é
contra a criação indiscriminada de novos cursos de Direito, é uma posição
legítima da entidade, agora ela não pode utilizar o poder que tem para impedir
a concorrência.
A Constituição
Federal é clara ao garantir a todos o exercício profissional dentro das regras
legais. Não pode agora uma entidade, em nome do corporativismo, querer
restringir esse direito.
Se os cursos
são falhos, então a OAB deve lutar para elevar a qualidade dos mesmos, e não
simplesmente, por interesse corporativo, criar uma barreira para que jovens que
dedicaram anos de estudo para chegarem a formatura sejam impedidos de atuar na
profissão que buscaram.
É preciso um
mínimo de razoabilidade e bom senso para superar esse impasse, pois o Brasil
não pode prescindir da formação de novos e bons quadros para a promoção da
Justiça e da cidadania.
-Senhor Presidente, peço a Vossa Excelência que autorize a divulgação do
meu pronunciamento no programa A Voz do Brasil.
Muito Obrigado.
MAX ROSENMANN
DEPUTADO FEDERAL – PMDB/PR