do senador gilvam borges (pmdb – ap)
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores:
É prerrogativa inalienável de qualquer
Parlamentar, seja ele Deputado Federal ou Senador da República, a liberdade de
votos e de opiniões. Dessa liberdade, nunca me esquivei! Dessa liberdade,
jamais irei abdicar!
Foi nesse espírito – o apreço à
prerrogativa de manifestar livremente minhas convicções – que apresentei
projeto de lei objetivando acabar com o malsinado e injusto Exame de Ordem, que
priva milhares de jovens brasileiros do exercício da advocacia, profissão que
aprenderam por cinco longos anos nos bancos das instituições de ensino
superior.
Sabia que inúmeras críticas me seriam
dirigidas. Entretanto, esperava receber críticas inteligentes e educadas, e não
críticas deselegantes e grosseiras. Infelizmente, minhas expectativas se
revelaram por demais otimistas. Sem qualquer fundamentação, muito menos
argumento, o Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Senhor Roberto
Busato, classificou meu projeto de inconseqüente e de incentivador do
estelionato.
A esse Senhor, dado a grosserias,
responderei com argumentos. Não é do meu feitio ofender a quem quer que seja,
muito menos desferir impropérios e grosserias. Prefiro defender minhas idéias
com elegância e discernimento.
O Presidente da OAB justifica a
existência do Exame de Ordem ao afirmar que é um instrumento necessário para
defender a sociedade dos maus profissionais, formados por péssimas faculdades
de Direito. Ora, me pergunto, será que a OAB tenciona assumir a gestão das
escolas de Direito existentes no País? Será que a OAB pretende atropelar o
Ministério da Educação, avaliando diretamente a qualidade dos cursos superiores
brasileiros?
Não consigo entender porque as
instituições de ensino superior podem formar médicos, pedagogos, engenheiros,
economistas, sem que, para ingressar no mercado de trabalho, precisem realizar
qualquer exame de ordem ou conselho, mas não possam formar bacharéis em direito
em iguais condições!
Não é justo que um jovem entre numa faculdade
de Direito, reconhecida pelo Ministério da Educação, e passe cinco anos de sua
vida estudando e se dedicando plenamente para, depois de formado, ser privado
de exercer sua profissão por um Exame de Ordem que se propõe a aferir o grau
ético do candidato. Será que um simples exame é capaz de medir se uma pessoa é
ética ou não, se é honesta ou não? Sinceramente, não acredito que isso seja
possível!
A reprovação no Exame de Ordem
representa, isto sim, uma pá de cal nos sonhos de milhares de jovens brasileiros,
ansiosos por exercer uma profissão que aprenderam por anos a fio. Para os
reprovados, resta tentar outra vez, sob pena de permanecer num limbo
interminável, sem poder advogar nem sequer atuar como simples estagiário.
Nesse meio tempo, os jovens bacharéis
precisam conviver com a situação vexatória de, mesmo formados, terem de se
contentar com o subemprego para poder obter o seu sustento. Afinal, para a OAB,
eles são bacharéis em Direito, e não advogados!
Quais seriam as verdadeiras razões da OAB
para defender, com unhas e dentes, esse absurdo Exame de Ordem? Seriam razões
pura e simplesmente mercadológicas? Seria uma forma de garantir aos advogados
já estabelecidos uma reserva de mercado? Honestamente, tenho de confessar-me
perplexo com defesa tão veemente de um exame que em nada contribui para o
aperfeiçoamento da advocacia brasileira.
Todos sabemos que da depuração dos bons e
dos maus profissionais se encarrega o próprio mercado de trabalho. É assim com
qualquer profissão: quem não tem competência, não se estabelece. Não é um
simples Exame de Ordem que será capaz de proibir a entrada de maus
profissionais no mercado, muito menos de segregar aqueles que não são
partidários da ética e da honestidade.
Os maus profissionais, como em qualquer
outra área do conhecimento, serão condenados ao ostracismo e à falta de
reconhecimento, que se traduzem, mais cedo ou mais tarde, no descrédito da
sociedade e na ausência de clientes. Em última instância, os profissionais
medíocres serão expelidos, naturalmente, do mercado de trabalho.
Essas são as minhas convicções, as quais
faço questão de apresentar com educação e elegância. Ao contrário do Presidente
da OAB, não costumo chamar os estudantes de Direito de estelionatários, pois
bem sei o quanto se esforçam para aprender, de forma honesta e digna, uma das
mais importantes profissões que existem neste País.
Jamais abrirei mão de minhas convicções
e, por isso, defenderei meu projeto até o fim. Em oposto ao que pensa o Senhor
Busato, a sociedade brasileira jamais deplorará a proposta de extinção do Exame
de Ordem. Irá, isto sim, aplaudir minha iniciativa, pois ela contribui para
remover um enorme empecilho no caminho dos jovens brasileiros que sonham com o
livre acesso ao mercado de trabalho.
Era o que tinha a dizer.
Muito obrigado.