Para
a OAB, Congresso virou um apêndice do Executivo
Diário de Notícias, 11.07.2007
O presidente nacional da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, considerou ontem “lamentável para a o
Brasil e para a República” que o Congresso Nacional tenha sido transformado em
um “apêndice” do Poder Executivo com a edição desenfreada de medidas
provisórias desde que o instituto foi criado. “É lastimável que um dos Poderes
da República, talvez o seu mais importante por representar o povo, esteja
abdicando das suas funções básicas: a função legislativa e a função de
fiscalização”. E acrescentou Cezar Britto: “O legislador solitário — o
presidente da República — exerce poderes para os quais não foi eleito, ferindo
atribuições constitucionais do Legislativo”.
No primeiro semestre da atual legislatura,
a Câmara não reagiu, segundo Britto, à “carcomida tradição” de ser pautada pelo
governo. Levantamento da produção da Casa mostra que os deputados votaram - e
aprovaram - 43 medidas provisórias, além de 9 projetos
de lei e uma emenda constitucional de autoria do Poder Executivo. Da lavra do
Legislativo, foram aprovados 15 projetos de lei e uma emenda constitucional. Em
resumo, nas 69 votações mais importantes do semestre, o placar é de 53 (76,8%)
para o Executivo e 16 (23,2%) para o Legislativo.
Os
dados divulgados demonstrando que o Congresso apenas homologou a vontade do
Executivo é extremamente grave para a democracia. Era
de conhecimento de que o Congresso havia abdicado do poder de investigar, por
meio das CPIs, o que é
extremamente grave, mas abdicar das função de legislar é anunciar que não quer
exercer a sua função constitucional. É lastimável para o Brasil. É lastimável
para a República, afirmou o presidente nacional da OAB.
Essa avalanche de aprovações com origem no
Planalto ocorre mesmo depois de a Câmara ter eleito
seu novo presidente, deputado Arlindo Chinaglia
(PT-SP), que assumiu o compromisso público de trabalhar com uma pauta mais
autônoma em relação ao Executivo. “Como se não bastasse, a própria letra
constitucional que permite o uso das MPs
passou a ser violada. A exigência de urgência e relevância tem sido
sistematicamente ignorada e questões menores, que deveriam ser submetidas ao
rito parlamentar ordinário, são embutidas em MPs”,
afirmou Cezar Britto.