A PROVA DO ORDEM - 3a Parte – uma atitude
CLÁUDIO SINOÉ ARDENGHY
DOS SANTOS
Advogado
Mestre em Processo Civil pela PUCRS Bem. Tentei mostrar que a
prova poderia ser algo útil. Mas, vendo casos concretos e as anuidades dos
profissionais, alguns impedidos de trabalharem por inadimplência, curvo-me à
opinião geral majoritária. Somente peço compreensão de que a realidade destes
advogados impedidos não é tão diferente dos bacharéis. Inclusive teve um bacharel
que criou um site para me incluir como um dos “bandidos corporativistas”, sem
direito à resposta. Mas, quando escrevo um artigo alea jacta est eis que errare humanum est, persevarare diabolucum antem. É o
que respondo ao bacharel, o qual tomou uma atitude sem honra, o desmereço no
mais puro desprezo. Não nego que no fundo
acho necessária a prova. Outrossim, dentro de uma realidade. Ao pegar o
jornal de domingo vejo vários “cursinhos para a prova da oab” o que acho
aviltante, lá estarão sentado bacharéis em direito. Qual foi o papel da
faculdade nisto tudo que não preparou os acadêmicos? Na minha curta
experiência como docente ministrei aulas à noite e via alunos com deveras
dificuldades físicas (cansaço puro) e financeiras, tinha de reviver a memória
de todos e ainda mantê-los acordados pelo peso do labor que vinham do dia a
dia – aulas dinâmicas, vi muito alunos e turmas brilhantes e até os mais
tímidos participando – infelizmente não pude acompanhá-los na prova da OAB
(acompanhar em todos os sentidos, pois quando fiz meus professores foram
gentis de se deslocarem para nos mantermos serenos e deu certo). Deveras, me incomodei com
a direção pela sistemática nova que criei e ainda me propus a prepará-los
para a prova, não esquecendo do aviso de um aluno que um professor havia
feito a mesma proposta e também incomodou-se, pouco me importei, estava ali
para ensinar o pouco que sei. Pela manhã vi outra realidade, alunos mais
abastados que reclamaram de meu sistema. Larguei a docência. No mestrado também não
foi diferente, odiava as cadeiras chamadas de “como ser professor”, não cito
nomes nem as cadeiras. Ser professor é estar acessível aos alunos, pois
aprendemos em aula e a atenção ao aluno deve ser sempre um elemento da
fórmula do sucesso deles. Dar aula por dar aula é nefasto, nunca adotei um
livro de referência, preparava as aulas e dizia o que iria cair na
prova – que mal há nisso? Ou pequenas “fugas” do ponto nodal da
cadeira? Inclusive como se pesquisava na internet. Recentemente me
perguntaram, maliciosamente, onde se arranjava um TCC, inopinado eu respondi:
fazendo. A pesquisa por si só nos
trabalhos de conclusão denotam ao aluno bem orientado a capacidade de
pesquisa e porque não de exercerem a profissão após tantas provas e um bom
Trabalho de conclusão? Vi as recentes mudanças
da prova da OAB, não gostei – parece que agora serão cem questões, certo? Cem
questões? Para quê? Conheço bem os currículos
das faculdades e são precários, o direito não se resume numa cadeira que será
esquecida. Dar uma aula de direito é relacionar o todo, vejam que um contrato
pode trazer vários matizes: direito das obrigações, consumo, direito penal,
tributário, internacional privado, etc. Prova com cem questões?
Liberem o uso dos Códigos e dicionários! Só o fato de saberem manuseá-los já
mostra capacidade para a aprovação. Faculdades... - relembro sempre, cobrem
dos DCE´s que seja feita revisão gratuita pela faculdade de vocês, afinal
eles vão lhes fornecer um atestado de capacidade e ser reprovado na prova
inclusive entendo má-prestação do serviço, consoante prevê o Estatuto
Consumista. Outro ponto que devem se
alertar, se ouvi corretamente, promotores e juízes aposentados não terão de
fazer a prova, mesmo se nunca inscritos – bom fundamento para um mandado de
segurança... Ou eles fazem ou ninguém faz a prova! Carteira a todos. Aos poucos vou vendo
pelas críticas, algumas ferrenhas, entretanto perdoáveis, que a prova deve
mudar para melhor. Bani-la, não sei se é a melhor fórmula. É o que tenho para dizer
e relembrar meu artigo “O direito e a moeda” (publicado no site http://www.tex.pro.br/), pois já estive em processos
“truncados” e o direito está aí, na vida, na simbologia, os resolvi com
regras básicas (talvez isto falte no ensino). Quem lhes escreve não teve
“benefícios” financeiros algum, estou dentro da realidade dos acadêmicos que
na verdade terminológica “ralam” e nem por isso esmorecem. Ficar discutindo
se é constitucional ou não uma prova é um tempo perdido, pois ela está
acontecendo e o tempo não pára. Sempre reforço que os centros acadêmicos
representam os alunos, cobrem de suas faculdades, afinal de contas, como lhes
dão o diploma e em festa para depois rodarem na prova? Lembro das palavras de
um grande professor que dizia: “Após o diploma, mais um problema social.” O
“problema social” está antes da colação de grau. Repito, pleiteiem perante as
faculdades a revisão gratuita sob pena de má-prestação do serviço e se a
reprovação dos alunos de uma faculdade for exacerbadamente grande, vejo um
“quê” de responsabilidade civil. Até o presente momento era o que tinha para expor e aguardar comentários, talvez inicie um movimento mais sério em relação à prova. Advindo da participação dos leitores. |
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Comentários dos visitantes |
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De: LUIZ CARLOS BANDEIRA Só posso dizer que a
prova não pode acabar. Isso é um filtro mínimo da pouca preparação dos
advogados. Queremos igualdade com Juizes e Promotores. Eles ingressam por
concurso, nós queremos ser advogados sem qualquer "concurso". Nunca
tive oportunidade de fazer estágios, trabalhava de dia e estudava a noite,
mas estudei mesmo, quantos finais de semana dediquei aos estudos. Temos que
fazer opções na vida. Ou seguimos uma carreira ou não. Estudei, tive uma das
maiores notas do Estado e passei. Tem gente que tem muito mais chances,
condições de estudar, mas não estuda. Em 25.01.06 |