O caminho da Constituinte

Por Alcindo Ribeiro em 25/10/2005

Nação ultrajada – constituinte ou revolução, de Virgílio Horácio de Castro Veado, 63 pp., Labor Editora e Comunicação, Belo Horizonte, 2005; R$ 6,00, em bancas de jornal

Decano da crônica política, 55 anos de jornalismo, líder sindical atuante em defesa da classe e da dignidade profissional, ocupante de importantes cargos administrativos e de convivência com o poder, sem com dele se confundir no exercício da profissão, além de autor de vários livros e de teses e ensaios sobre a ciência da Comunicação Social.

Esse, o perfil do jornalista Virgílio Horácio de Castro Veado, autor de Nação Ultrajada - Constituinte ou Revolução. Obra de fácil leitura, formato de bolso e com apenas 63 páginas, o trabalho do jornalista aborda com coragem e sem meias palavras, o momento "vergonhoso da nossa História".

O livro é inovador, porque está sendo vendido em bancas de jornais e revistas a preço popular, e moderno na diagramação, pois é apresentado em forma de perguntas e respostas, transformando o repórter em entrevistado, para esclarecer questões que envolvem a classe política, os partidos e até o presidente da República. O jornalista não se prende a simples relatos de fatos que afligem e assustam a opinião pública, mas emite conceitos e analisa, com clareza de linguagem e firmeza nas declarações, o que se passa dentro e fora dessa crise institucional que vive o país.

Coerente com a formação humanística, o jornalista é também advogado, e preocupado com a obrigação de participar da formação da opinião pública, dever inerente à profissão, Virgílio Veado diz que este livro foi escrito em menos de dez dias, no auge da crise e movido por sentimentos de cidadania.

Nação Ultrajada trata de todos os elementos, ou muitos deles, que se misturam nessa chamada "crise do governo Lula": causas da crise, reforma política, impeachment e estratégia do presidente (se ele sabia ou não dos fatos), comportamento da imprensa, os mineiros no "valerioduto", o instrumento do habeas-corpus, e a verdade sobre a delação premiada.

"Descabidas e despropositadas"

Uma questão, no entanto, destaca-se quando o jornalista apresenta a solução para o país sair deste imbróglio: ele propõe a convocação, pelo presidente da República, de uma Assembléia Nacional Constituinte Exclusiva. Diz que esse é o "único remédio e não há melhor alternativa, dentro dos parâmetros do figurino democrático, diante do colapso das instituições políticas". E ele garante mais, justificando também o título do livro: "ou o país adota essa opção, ou se expõe a uma convulsão incontrolável, pior ainda, a um novo golpe de Estado. E isso deve ser evitado a qualquer custo".

O jornalista justifica sua tomada de posição. Diz que não tem qualquer compromisso, a não ser com o país, não é do mercado financeiro e não tem vínculo com nenhum partido ou grupo. Por isso, está à vontade para apresentar, "com absoluta convicção e independência doutrinária, uma proposta concreta, clara, efetiva, juridicamente eficaz, politicamente correta, tecnicamente adequada".

Virgílio Veado não detalha o processo da Constituinte, porque isso não lhe compete, mas deixa claro que ela deve ser exclusiva e com poderes ilimitados, "até mesmo de derrogar as chamadas cláusulas pétreas". Fala também com clareza que a "Constituinte seria eleita pelo voto direto e popular, com o lançamento de candidatos avulsos, que não necessitariam filiar-se a partidos políticos para concorrer. Os representantes não teriam direito a subsídios ou ajuda de custas, apenas o reembolso de despesas comprovadamente efetuadas, durante o exercício do cargo. O candidato à Assembléia Nacional estaria inelegível pelo período de oito anos e, promulgada a Carta, ele voltaria às suas atividades normais, sem nada pretender adiante".

O jornalista esclarece outras questões sobre a sua proposta e pede "um basta à empulhação e aos remendos em uma colcha eticamente irrecuperável. O povo não suporta mais tanta falta de compostura". Diz que com a convocação da Assembléia Nacional Constituinte Exclusiva , "o presidente Lula, hoje desacreditado e até ridicularizado no país, por declarações irreverentes, descabidas e despropositadas, teria uma grande oportunidade de redimir-se perante a Nação ultrajada, pois ele está passando dos limites ao falar tantas mentiras para enganar o povo".

 

 

Os bastidores da crise

Por Virgílio Horácio de Castro Veado em 12/9/2005

Introdução de Nação ultrajada – constituinte ou revolução, de Virgílio Horácio de Castro Veado, 70 pp., Labor Editora e Comunicação, Belo Horizonte, 2005; R$ 6,00, em bancas de jornal

Ao apresentar, prezado leitor, esse modesto trabalho, feito às pressas, porque incalculável é a minha indignação, maior ainda a velocidade dos escândalos que a todos horrorizam, desejo fazer-lhe uma confissão.

Em 55 anos de jornalismo, em grande parte dedicado à Política, nunca presenciei ou acompanhei momento tão vergonhoso. Por isso, decidi fazer algumas perguntas a mim mesmo, entrevistando a própria alma, o espírito público que me arrasta inapelavelmente a um verdadeiro estado de choque cívico.

Saiba, portanto, que estamos vivendo a página mais obscura de nossa História. Ou reagimos – e aqui você encontrará alguns caminhos – ou nos degradamos para sempre. Melhor seria inutilizar o título eleitoral, abstrair-se da nacionalidade e entregar ao imponderável e às artimanhas da falta de caráter o seu futuro, de seus filhos e netos.

Em Nação ultrajada – constituinte ou revolução você conhecerá os bastidores da crise, os antecedentes escabrosos, os escondidos propósitos, a trama diabólica dos seus principais protagonistas. Dou-lhe acesso a informações e reflexões que não poderá encontrar na Imprensa, no rádio, na TV ou em qualquer outro veículo. Simplesmente porque todos, sem exceção, estão comprometidos, são cúmplices da tragédia hoje patrocinada pelo PT, mas que já vem de longe, como tenho de testemunhar nesta hora da Verdade. Afinal, os milhões "valerianos" não foram parar somente em paraísos ficais, foram também depositados nos balcões de anúncios, nas tesourarias de jornais, revistas e emissoras, nos amplos espaços da propaganda oficial. Um verdadeiro mecenato.

Tampouco deverá confiar nos que entregam as entranhas pela conquista do poder, que miram muito mais os holofotes da mídia, dos canais abertos ou fechados, do que a verdade e a consciência. Em última análise, despreze aqueles que pensam exclusivamente em seus interesses, em suas carreiras, pouco ou nada importando os destinos da Nação. Não dê crédito aos que querem "sangrar" o presidente da República, seus asseclas e sequazes, para exauri-los até as eleições de 2006. Faltam-lhes autoridade ética e independência moral, para tanto. Por último, não se deixe contaminar com as patranhas do mercado financeiro, unicamente interessado na manutenção do clima de desavergonhada especulação.

Ao invés, sugiro-lhe que leia atentamente estas páginas, despretensiosas mas autênticas e honestas. Reflita, medite com seus botões sobre o desabafo de um jornalista que não tem rabo preso, que aprendeu com notáveis estadistas como fazer Política, como exercer o "munus público", enfim que não defende nenhum interesse senão o de ajudar, com a experiência que o tempo lhe proporciona, a reconstruir o Brasil, reerguer das cinzas as instituições republicanas.

Minhas palavras passam, meus conceitos fluem no perpassar da História. Mas, seus juízos, leitor, são cruciais para o futuro do nosso País.

Com você estão as chaves e o segredo de portas arrombadas.