OAB
não é MEC
É louvável a iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nos
últimos anos: divulgar lista de cursos de Direito que merecem o selo de
qualidade da entidade. Em época de proliferação de faculdades que visam apenas
o dinheiro de seus alunos, esquecendo a função de formar bons advogados, a
sociedade só tem a agradecer a preocupação de iluminar os raros celeiros de
profissionais responsáveis nessa área tão importante.
No entanto, a boa aceitação dessa prática parece ter “subido à cabeça”
da OAB: esta semana, a organização pretende apresentar ao ministro da Educação,Tarso
Genro, projeto para que seus pareceres tenham poder de impedir a criação e
expansão de cursos jurídicos no País.
Alto lá! Essa é uma prerrogativa do Ministério da Educação e assim deve
continuar. Por mais respeito que a OAB mereça, por mais lamentável que seja o
despreparo dos bacharéis que as fábricas de diplomas despejam no mercado, a
responsabilidade pelo ensino universitário no País não pode ser terceirizada
pelo MEC. Ainda mais no momento em que se discutem mudanças no Provão, que
tinha – pelo menos teoricamente – o objetivo de separar o joio do trigo.
Que a OAB continue com sua boa vigilância, mas sem
querer investir-se da competência alheia.