MPT ajuiza ação civil pública contra governador e ex-governadores no Pará

Da página do Min. Público do Trabalho

http://www.pgt.mpt.gov.br/noticias/2005/02/n070.html

 

A existência de 25 mil servidores públicos contratados sem concurso na máquina administrativa do governo do Estado do Pará é alvo de uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra o governador Simão Jatene e os ex-governadores Hélio Gueiros, Jáder Barbalho, Carlos José de Oliverira Santos e Almir Gabriel. Encaminhada no dia 04 de fevereiro à Justiça do Trabalho, a Ação pede a concessão de liminar que determine prazo de 120 dias para que o Estado conclua concursos já iniciados e 150 dias para que inicie a seleção para as carreiras em que ainda não estão sendo realizadas provas.

De acordo com o Procurador do Trabalho Paulo Germano Costa de Arruda, o governo do Pará contrata servidores temporários em massa e dispensa-os após algum tempo contrtando novos temporários, evitando a realização de concursos. Entretanto, a obrigatoriedade do concurso público para a contratação de servidor está prevista no artigo nº 37 da Constituição Federal desde 1988. "Não é pelo fato de esta prática ser corrente na administração pública que vamos fechar os olhos, pois é preciso mudar essa cultura", afirma.

O Procurador apresenta na Ação algumas informações colhidas junto ao próprio governo estadual. Entre elas, a confirmação de que os concursos realizados nos últimos anos geraram um saldo de "13 mil concursados aptos à convocação posse e exercício" prestada pela Secretaria de Administração (SEA).

Paulo Germano Arruda explica ainda que desde 2004 vem tentando junto ao Estado do Pará a celebração de Termo de Compromisso de Ajuste de Conduta, para evitar uma solução judicial Como o acordo não foi possível, o Procurador ajuizou a Ação Civil Pública que pode resultar em uma indenização de R$ 950 mil a ser pega em conjunto pelo governador e ex-governadores em favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Além disso, o Procurador pede que a sentença determine que o Estado do Pará deixe de contratar funcionários sem concurso e seja obrigado a realizar provas para substituir os 25 mil temporários que deverão ser demitidos imediatamente.

Na mesma ação, o Procurador alega a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 47 de 13/12/94 do Estado do Pará, com base na qual as contratações temporárias são efetuadas. Ele ressalta que este tipo de admissão só é possível em caso de excepcional interesse público.

 

NOTÍCIA Do SITE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO PARÁ

http://www.alepa.pa.gov.br/noticias1.asp?cod=387

 

O líder do Governo na Assembléia Legislativa, deputado Bira Barbosa (PMDB), recebeu hoje (16) pela manhã uma comissão de representantes dos funcionários temporários da Fundação Santa Casa de Misericórdia, ameaçados de demissão diante da inconstitucionalidade da sua situação funcional, o que já provocou a impetração de ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), pelo Ministério Público Federal e Ministério do Trabalho. Pela Constituição Federal, os temporários somente podem ser contratados para trabalhar por um período de seis meses prorrogáveis pelo mesmo período.

No final de 2004, a Assembléia Legislativa aprovou projeto que prorrogou a contratação até dezembro de 2006, porém medidas trabalhistas e judiciais exigem que todos os 24 mil trabalhadores temporários do Estado sejam substituídos por concursados, em grupos de 2.400 por mês até a dezembro deste ano. Caso a medida não seja cumprida, todos os governadores, desde Hélio Gueiros, que ao longo do tempo mantiveram os temporários, ficarão com seus bens indisponíveis e deverão ressarcir ao Estado todo dinheiro gasto com o pagamento desses trabalhadores. Punição que se estenderá ao conjunto de deputados que aprovou a lei em favor da prorrogação dos contratos.

Na reunião, Bira Barbosa comunicou aos servidores da Santa Casa que já solicitou à Assembléia Legislativa que coloque a Procuradoria-Geral da Casa à disposição da categoria, no que precisarem de esclarecimentos e apoio em busca de alternativas de trabalho para a sobrevivência de suas famílias.

No caso dos funcionários da Santa Casa, Bira Barbosa soube do interesse dos contratados em criar uma cooperativa de modo que possam continuar prestando serviços à instituição, e garantiu, através da Procuradoria da Alepa, todo o apoio e esclarecimento legais necessários a viabilização da iniciativa.

O líder governista também se comprometeu em levar ao governador Simão Jatene (PSDB) a proposta de oferta de cursos de capacitação para esses servidores, de modo a prepará-los melhor para os concursos públicos anunciados.

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