MINAS GERAIS INOVA E CRIA RESIDÊNCIA JURÍDICA
REMUNERADA PARA BACHAREIS
*Reynaldo Arantes
Minas
Gerais tem por tradição a defesa dos direitos sonegados aos brasileiros desde a
época do Brasil Colônia e a histórica resistência dos Inconfidentes liderados por
Tiradentes.
Assim,
é mais uma conquista dos bacharéis em Direito o Projeto de Lei 4.771/2010, de
autoria do Governador (e também professor de Direito Constitucional) Antonio
Anastasia de Minas Gerais, que foi relatado pelo Deputado Estadual Dalmo Ribeiro
(PSDB/MG) na Comissão de Constituição e Justiça e seu substitutivo foi aprovado
neste dia 10 de novembro na Assembléia Legislativa Mineira.
O
projeto cria no Estado, a residência Jurídica, nos mesmos moldes da residência
médica, com contratação sem vínculo empregatício de bacharéis em Direito ainda
sem carteira da ordem, para trabalharem junto a advocacia
Geral do Estado, com carga horária de 20 horas semanais e salário de R$
1.500,00. O contrato será de 6 meses, podendo ser
prorrogado até 2 anos.
É
uma excelente oportunidade de mercado de trabalho e aperfeiçoamento aos colegas
Bacharéis, que terão a oportunidade de adquirirem prática jurídica - que nos é
vedada pela exigência ilegal do exame de ordem – em complemento à base teórica
acadêmica que adquirimos nos bancos das universidades.
Outro
ponto fundamental é a atividade remunerada, que permitirá aos colegas se
prepararem para fazer o – duplamente inconstitucional – exame de ordem e
obterem suas carteiras, já que a via mais rápida de podermos trabalhar é seguir
as regras do jogo viciado e de cartas marcadas que a OAB nos impõe.
É
sempre importante destacar que os Bacharéis em Direito ao se formarem, não
podem simplesmente se inscrever em seu órgão de fiscalização profissional e
trabalharem como autônomos como em todas as outras profissões.
A
maioria dos colegas, se formam e já começa a correr o
tempo para pagar o Fies, ao mesmo tempo tem de fazerem cursinhos, pois o exame
de ordem – justamente para barrar o acesso à profissão – exige conhecimento
sobre, por exemplo, jurisprudência do Tribunal de Ética da OAB, que não é e não
pode ser matéria do currículo das Universidades, tem de comprar livros
atualizados para estudos e consultas e além de tudo, pagar uma taxa escorchante
– R$ 200,00 –para se inscrever para fazer o exame que não é feito para aferir
conhecimento jurídico e sim, para barrar o acesso à profissão.
Um
exame que além de inconstitucional formal (art. 84,IV
da CF x Lei 8.906/94, art. 8º, § 1º) e materialmente ( Art. 5º, XIII c/c Art.
205, caput da CF x Lei 8.906/94, art. 8º, IV), já revogado tacitamente (Lei
9.394/96, art. 43 e seguintes), famoso por pegadinhas e por ser formulado por
teóricos contratados que nunca pisaram em um fórum, gerador de índices de
aprovação pífios e de reprovação recordes (já teve 97% de reprovação em SP),
tem a característica principal a reserva de mercado, tanto que advogados
experientes, juízes competentes, excelentes promotores e até juristas famosos
não são capazes de gabaritar um exame de ordem qualquer...
Aliás,
os próprios dirigentes da OAB são obrigados a confessar – caso do Pres. D’Urso
em São Paulo – que eles não passariam no exame de ordem aplicado por eles.
Assim,
este projeto que pode abrir um mercado de trabalho aos bacharéis, possibilitar
seu aperfeiçoamento profissional sob coordenação de procuradores experientes, gerar recursos para que possam pagar seus financiamentos
estudantis e se prepararem para o ilegal exame, passa a ser de fundamental
importância para a nossa categoria.
Com
o projeto sendo de iniciativa do Governador Antonio Anastasia, tendo ele
maioria na Assembléia Legislativa Mineira e já tendo sido aprovado pela
Comissão de Constituição e Justiça através do trabalho do Deputado Dalmo, é
questão de pouco tempo para que a iniciativa se transforme em realidade
pioneira no Brasil.
É
Minas Gerais saindo novamente na frente em questões do exame de ordem e de
defesa de direitos sociais sonegados por poderosos.
Minas Gerais já contribuiu com a ação de seu
Ministério Público, que obteve na Justiça o direito a percentual de isenção
para hiposuficientes. No exame de ordem retrasado, todos os colegas que tinham
suas famílias inscritas em algum programa social federal (exemplo: bolsa
família, etc) passaram a gozar de isenção da extorsiva taxa de inscrição para
se fazer o exame. No último exame de ordem, este direito foi estendido a todos
os colegas no Brasil. Uma conquista estadual do MP Mineiro que se refletiu
nacionalmente...
O
Deputado Dalmo Ribeiro – advogado inscrito e ex-presidente de sub seção da OAB Mineira - foi extremamente gentil em
relatar sua atenção para com os bacharéis em Direito, destacando que mantém
relacionamento com grupos de bacharéis mineiros e que, mesmo sendo advogado
inscrito e tendo sido presidente de sub seção da OAB, conhece nossa luta contra
o exame de ordem e a reserva de mercado que nos é imposta e reafirmou ser
simpático a nossas reivindicações.
Disse
que a OAB Mineira, através de seu presidente estadual tentou pressioná-lo para
que o projeto fosse declarado inconstitucional, mas que ele – que é inclusive
professor de Direito – seguiu as vias legais e reafirmou a total
constitucionalidade do projeto de iniciativa do governo, em parecer aprovado
pela CCJ mineira.
O
parlamentar mineiro tem o mesmo perfil de outro pioneiro, o Deputado Federal e
também advogado militante Max Rosenmann – falecido o ano passado – que foi o
primeiro a apresentar projeto (PL 5.801/2005) na Câmara dos Deputados para
extinguir o exame de ordem por sua inconstitucionalidade material.
Foi
repassado ao nobre parlamentar de Minas Gerais, uma
idéia nascida entre os dirigentes do MNBD/OABB ao tomarem conhecimento desta
iniciativa pioneira do Governador Anastasia, sobre a possibilidade de se
estender a contratação de bacharéis em Direito ainda sem carteira, para a
Defensoria Pública do Estado. O Deputado Dalmo se mostrou receptivo à idéia e
destacou que, dos 402 municípios mineiros, 104 não possuem Defensoria Pública
para atender aos anseios da sociedade mais carente do Estado.
Destacou
que, se empenhará na aprovação e posterior implantação do projeto de Residência
Jurídica nos moldes do atual projeto, mas já abriu um espaço para conversas com
os bacharéis e o parlamento Mineiro.
Assim,
na próxima 3ª feira, dia 16/11, em horário e local ainda a ser definido por sua
assessoria, estará recebendo os bacharéis em Direito para uma audiência.
O
nosso presidente estadual em Minas Gerais, Marcelo Garcia e o seu vice, Joaquim
de Carvalho, estarão na audiência, levando nosso apoio, nossas idéias e a força
da nossa entidade em solo mineiro, destacando que a iniciativa pioneira de
Minas Gerais já está sendo levada para outros estados por colegas que mantém
contatos com parlamentares estaduais.
O
parlamentar ressalta, porém que o projeto para não ter vícios de constitucionalidade
– por criar cargos, mesmo sem vínculos empregatícios, na administração pública
– precisa ser de iniciativa do Governo do Estado.
Neste
ponto, a ação de parlamentares que nos apóiam pelo Brasil – senadores,
deputados federais e estaduais – no convencimento da importância social do
projeto para as sociedades estaduais será fundamental, assim como colegas que
tenham contato com Secretários de Estado e que irão levar este projeto aos
governadores de seu Estado. A ação conjunta e ordenada será de enorme
relevância.
É
sempre importante destacar que a abrangência social da iniciativa é muito maior
do que abrir mercado de trabalho para bacharéis, impedidos de trabalhar após se
formarem até terem sua carteira, acumulando gastos e sem perspectivas de ganhos,
assim como de terem possibilidade de aliar o conhecimento acadêmico adquirido
com a prática jurídica do dia a dia.
Com
o atual projeto, a administração pública lucrará com o potencial de trabalho de
nossa classe a valores módicos, beneficiando toda a sociedade e, com sua
extensão à Defensoria Pública, os direitos sociais de camadas que não podem
contratar um advogado serão atendidos pelos Governos, conforme determina a
Constituição, mas que em muitos estados não existem, ou existem de forma
precária, por falta de profissionais e de recursos nos cofres estaduais.
Importante
destacar, que os colegas contratados serão auxiliares e constantemente
acompanhados pelos Advogados concursados do Estado, não substituirão os
profissionais experientes em suas atividades essenciais e privativas, como
alegam opositores, orquestrados pela OAB, sempre preocupada em perder sua fonte
de recur$o$
e sua reserva de mercado.
É
importante frisar que a OAB não presta contas de suas receitas nem para o
Tribunal de Contas da União e nem para seus inscritos e o medo que seus
dirigentes tem, é de que, com a entrada dos bacharéis
represados nestes anos de aplicação ilegal de exame de ordem, os serviços
jurídicos se tornem acessíveis à população brasileira como é hoje o trabalho
dos dentistas, que em poucos anos acabaram com a imagem de um país de
“banguelas”...
Com
o fim do exame e a entrada dos bacharéis represados no mercado de trabalho,
teremos o advogado como um operário do Direito, com pequenos escritórios em
todos os lugares, dos mais suntuosos, até os mais simples, humildes e na
periferia, como temos consultórios dentários hoje.
Aliás,
vale salientar que tão importante quanto a saúde
bucal, é a defesa dos direitos para que cada um seja um cidadão respeitado e
que o Estado Democrático de Direito se torne realidade.
Conforme
sempre destacamos, o MNBD/OABB é contra o exame de ordem aplicado pela OAB em
face da Inconstitucionalidade formal e material e nossa meta é termos cada vez
mais colegas trabalhando, conforme nosso direito líquido e certo, reafirmado
pela Lei 9.394/96, em seu art. 43, que afirma que as Universidades formam
indivíduos APTOS a serem inseridos em seu mercado de
trabalho privado de nível superior, o que revoga tacitamente o art. 8º, IV, da
Lei 8.906/94 ao não ter uma exceção legal para os Bacharéis em Direito.
Apoiamos
o Projeto de Lei do Senado 043/2009 do Senador Marcelo Crivella, que determina
exame de proficiência para TODOS os cursos superiores, mas aplicados pelo MEC,
como atribuição da União, tendo apenas a colaboração dos Conselhos
Profissionais.
Ainda
segundo o Deputado Dalmo, parlamentares do Espírito Santo e do Rio Grande do
Sul já o contataram, buscando subsídios para implantação em seus estados. Ele
se dispôs a auxiliar a todos os colegas parlamentares com sua experiência e
conhecimento no encaminhamento destas questões. Como já destaquei, o projeto
tem de ser de iniciativa do Governo do Estado.
Nós
do MNBD/OABB temos, portanto mais um trabalho a desenvolver juntamente com os
parlamentares que nos apóiam nos estados e em Brasília, visando permitir que
nossos colegas possam contribuir com a sociedade brasileira com o conhecimento
adquirido.
O
Brasil tem milhões de doutores advogados ainda bacharéis, que impedidos de
trabalhar são párias, mas que convocados e liberados a trabalhar, demonstrarão
que são guerreiros na defesa dos direitos dos cidadãos e verdadeiros operários
do Direito na busca de Justiça para todos sem distinção.
*Reynaldo Arantes é bacharel em Direito pela Unoeste de
Presidente Prudente/SP e Presidente Nacional do MNBD/OABB. Email: pres.mnbd.brasil@gmail.com