Mais de 1,6 mil candidatos
Segunda
prova do ano da OAB teve uma dos maiores números
de inscritos. Na primeira, pouco mais de 7% foram aprovados
KEITY ROMA
Da
Reportagem
Hoje,
1.684 bacharéis em Direito farão a prova da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), seccional Mato Grosso. Este é o segundo Exame de Ordem realizado em
2006. O número de inscritos é alto, assim como a quantidade de profissionais
atuantes já aprovados no teste. Isso porque, há alguns anos as carreiras
jurídicas passaram a figurar entre as mais cobiçadas do país. A diversidade de
áreas de atuação e as altas remunerações aumentaram a procura pelos cursos de
Direito.
Inúmeras faculdades oferecem a modalidade de graduação, mas o nível de
aprendizado oferecido pelas instituições é contestado. A oferta excessiva
estaria prejudicando a qualidade dos profissionais lançados no mercado, na
visão de especialistas. Os resultados da má formação seriam perceptíveis nos
baixos índices de aprovação nos exames realizados pela OAB.
No último Exame da Ordem
Sem a inscrição na OAB, o bacharel em Direito fica limitado a exercer funções
que não exijam a advocacia, como, por exemplo, o magistério.
Em uma entrevista à Radiobrás, o presidente do
Instituto dos Magistrados no Brasil, Valter Xavier, afirmou que considera o
Exame de Ordem uma forma de reserva de mercado. Apesar de achar que de fato o
mercado está saturado, Noberto discorda da afirmação.
“A prova da OAB avalia a aptidão do bacharel para exercer a advocacia. O
mercado para nós não é uma preocupação. A prova é mediana e indispensável. Sem
ela muita gente estaria advogando sem a mínima capacidade, apenas causando
prejuízos para o cidadão”, defende Noberto.
O diretor da faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso
(UFMT), Carlos Teodoro Irigaray, também afirma achar
necessário o Exame da OAB, mas discorda que o número de advogados no mercado
seja alto e um empecilho para o exercício profissional. “O mercado não fica
nunca saturado. A própria concorrência vai fazendo a seleção. E dentro da
advocacia existem áreas pouco exploradas comercialmente, como a tributária e a
ambiental”, diz Irigaray.
O professor aponta que em parte as dificuldades em obter a aprovação no Exame
de Ordem estão ligadas às instituições que não oferecem o curso de forma
adequada. “É preciso rever os critérios para autorização de cursos jurídicos.
Algumas faculdades são verdadeiras fábricas de diploma”, defende.
“Às vezes a OAB dá parecer contrário à criação do curso e o MEC aprova mesmo
assim”, relata Noberto. A única faculdade de Mato
Grosso que obteve até hoje a recomendação de qualidade da OAB no Estado foi a
UFMT, que está em 1º lugar no ranking de aprovações no exame. “É claro que frequentar uma boa instituição facilita. Mas o interesse do
aluno supera, em grande parte, a deficiência da instituição. O segredo é
estudar”, conclui Irigaray.
Fonte: Diário de Cuiabá, 28.12.2006