02/08/2006 - 20h45
Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva disse hoje em entrevista ao SBT que é favorável ao aperfeiçoamento das
CPIs (Comissão Parlamentar
de Inquérito) por meio de uma Constituinte
exclusiva para este fim, que ainda não sabe se vai participar dos debates entre
candidatos à Presidência e que pretende explorar o equilíbrio da economia para
conseguir um novo mandato.
"O que os juristas me entregaram foi um documento que pede para que as CPIs se atenham a um fato determinado. Eu vou encaminhar
este documento aos presidentes da Câmara e do Senado, ao presidente da OAB
(Ordem dos Advogados do Brasil)", disse o presidente em entrevista para o
jornal "SBT Brasil".
"Eu acho que a CPI é uma coisa importante, ela tem que funcionar, tem que
ter liberdade de funcionar, ser livre, mas ela não pode ser uma salada de
fruta", afirma Lula.
Segundo Lula, temas
como quebra de sigilo bancário e outros devem pegar fogo nos debates no Congresso.
"Eu acho que às vezes, exageram muito mais na tentativa da fotografia. Ao
invés de investigar, às vezes eles querem mais aparecer. Investigação tem que
ser feita com o objetivo de obter um resultado e punir quem for culpado, mas se
se utiliza um processo de investigação para fazer
merchandising pessoal aí você complica a seriedade da apuração", disse.
Lula afirmou que tem
dúvidas se o Congresso consegue aprovar uma reforma política que satisfaça a
sociedade. "Porque, no momento, o Congresso pode votar uma uma reforma política que atenda os interesses do próprio
Congresso", disse.
De acordo com Lula a
reforma política precisa ser discutida logo após a eleição. "Eu estou
convencido que nós precisamos começar a discutir a reforma política assim que terminar
a eleição e se houver a possibilidade da sociedade reivindicar uma constituinte, com
parlamentares eleitos exclusivamente para isto, ao presidente da República,
pode ficar certo que encaminharei ao Congresso", disse.
Outros candidatos à Presidência criticaram hoje a proposta de uma Constituinte somente para
cuidar de reforma política.
Segundo Lula, em sua
campanha ele vai tentar mostrar que as denúncias contra o PT foram investigadas
e vai mostrar a estabilidade econômica como um trunfo.
"Todas as denúncias colocadas, todos os nomes são apurações feita pela CGU
(Controladoria Geral da União) e portanto nós temos
interesse em apurar, em fazer o processo e
"O PT tem que punir, esta história nossa é antiga. Nós punimos os
deputados que votaram no colégio eleitoral para votar no Tancredo Neves e o PT
só tinha oito deputados e nós expulsamos cinco", disse.
Espirro
Lula afirmou que a
economia brasileira é muito mais forte hoje do que nos governos anteriores.
"Antigamente quando os Estados Unidos davam um espirro a
economia brasileira tinha uma pneumonia e agora eles podem espirrar que nada
acontece", afirmou.
03/08/2006 - 16h34
Lula defende reforma política
e diz que governo seria "inclusor" da
Constituinte
da Folha Online
Um dia depois da polêmica gerada pela discussão da convocação de uma
Constituinte exclusiva para votar a reforma política, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva voltou a tocar hoje no assunto. Lula negou que tenha proposta a
convocação de uma Constituinte hoje em visita às obras das plataformas P-51 e
P-52, em Angra dos Reis (RJ).
"Mais do que a reação, eu acho muito engraçado o
comportamento das pessoas e a interpretação que as pessoas dão", disse o
presidente ao afirmar que se encontrou ontem com juristas e representantes da
OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para tratar de diversos temas, como a
limitação da atuação das CPIs (Comissões
Parlamentares de Inquérito).
Segundo ele, o governo poderia ser o "inclusor"
da proposta. "Dentre as discussões que nós tivemos estava a questão da reforma política e saiu a idéia de que, se a
sociedade brasileira, através das suas entidades organizadas, divergissem e
fizessem uma proposta de PEC, pedindo uma Constituinte só para a reforma
política, o governo poderia ser um inclusor da
proposta. Nós precisamos ter uma reforma política profunda no país."
Entre os argumentos do presidente Lula para aprovar uma reforma política está a
"respeitabilidade". "É preciso que a gente dê respeitabilidade à
política brasileira e vá atrás de uma reforma."
Lula também colocou em dúvida a capacidade de integrantes do atual Congresso de
realizar essa reforma política. "Não sei se as pessoas que estão
legislando em causa própria podem fazer a reforma que a sociedade precisa."