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LIDERANÇAS EMPRESARIAIS QUEREM CONSTITUINTE
EXCLUSIVA
Líderes
empresariais e sindicais do Paraná e de todo o país têm manifestado
preocupação com a realidade nacional. Acham que a
administração da crise
política impede o governo de governar – e essa
administração está cada vez
mais complicada.
Para
fazer frente à situação, há uma forte convergência de idéias em
defesa da instalação de uma Constituinte
Exclusiva para reformar a Carta de
1988.
Alinho-me a esta proposta, endossada pelos empresários brasileiros. Com
isso, retomamos o projeto do deputado Ulisses Guimarães,
que foi um dos
primeiros a alertar para a necessidade de revisar
profundamente a – por ele
denominada - Constituição Cidadã.
Na
Constituinte Exclusiva, o comprometimento deve ser com idéias e
programas. Os constituintes são eleitos para
redigir um texto econômico em seus
artigos e claro em suas regras. Cumprida a
missão, voltam para suas casas e
seus afazeres.
Sabemos
que não é fácil criar uma Constituinte Exclusiva.
Tentativa
mal sucedida ocorreu em 1986. O relator da matéria, o então
deputado federal Flávio Bierrenbach,
propôs que se entregasse ao próprio povo a
decisão entre as duas formas possíveis de
Assembléia Constituinte, através de
um plebiscito que seria realizado em 15 de março de
1986.
Em vez
de apoiar a democrática proposta de plebiscito, as forças do
Governo da época destituíram o relator e
aprovaram, contra a opinião pública
nacional, a convocação da Assembléia Constituinte
sob a modalidade de
Constituinte
Congressual.
Mas o
que fará a Constituinte Exclusiva?
Uma
Assembléia Constituinte Exclusiva poderá fazer o que o Congresso
Constituinte
não fez. Poderá debater e votar a proposta de transformação da base
do sistema eleitoral, que de proporcional passará a
distrital.
É pelo
voto distrital que se elege o Congresso dos países desenvolvidos.
Muda
apenas o formato: distrito puro nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra;
distrito misto na Alemanha e Itália; distrito
ampliado na Espanha e em Portugal.
No
Brasil, o voto proporcional coexiste com uma lei eleitoral frouxa, que
estimula a infidelidade partidária. Por isso, é
preciso instituir a cláusula de
barreira, exigindo que os partidos que apresentam
candidatos ao Congresso
Nacional tenham 5% dos votos em pelo menos 10 Estados. É
necessário reduzir
o número de assinaturas para a apresentação de projetos
da iniciativa popular e
garantir ao eleitor cassar o mandato do
representante que descumprir o
compromisso assumido em campanha.
Certamente
a Constituinte Exclusiva votará uma nova regra para o
financiamento público das eleições. O atual sistema
transforma o horário gratuito
da televisão em um “show”. Incentiva produções “hollywoodianas”, onde o
“marqueteiro” nivela aos olhos do
público o sábio e o ignorante e onde o texto
bem redigido esconde a indigência do raciocínio e a
ausência de idéias próprias.
A
Reforma Política, pela via da Constituição, fortalecerá a vida parlamentar
e evitará que, de degrau em degrau, desçamos até o
nível da absoluta
inviabilidade funcional.
Tenho
confiança na mudança, na reação, porque acredito na força das
idéias – principalmente das idéias inadiáveis.
As mudanças ocorrem quando o
nível de indignação da sociedade atinge seu ponto mais alto
– e estamos cada
vez mais perto disso.
Nenhuma
nação resiste a tantas crises sucessivas sem que um valor maior
se imponha. É hora de defender nosso patrimônio moral e
nossos projetos de
sociedade. Hoje eles estão seriamente ameaçados
pela crise das instituições
republicanas, que devemos superar com urgência.
A
Revisão Constitucional e as Reformas Tributária, Trabalhista e
Previdenciária vão liberar as forças da
produção e redesenhar o projeto brasileiro
de desenvolvimento. Alguém pode dizer que tudo isso é um
sonho. Mas é um
sonho que merece ser sonhado para criar atalhos que irão
introduzir o Brasil na
realidade do Terceiro Milênio.
Rodrigo
Costa da Rocha Loures
Presidente
do Sistema Federação das
Indústrias
do Estado do Paraná