
Sugestão de Pauta
Imag-DF questiona exame da OAB
Entidade
defende que a faculdade já habilita e torna apto o exercício da advocacia. As
provas de seleção da Ordem dos Advogados do Brasil acabam criando uma reserva
de mercado
Brasília,
16 de maio de 2006 – O grande número de bacharéis em Direito reprovados a cada
ano nos exames de seleção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), levanta uma
questão importante quanto à necessidade da aplicação desses testes como
condicionante para os profissionais da área atuarem no
mercado.
Recentemente, o
presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Lécio Resende, declarou publicamente que as provas
aplicadas pela OAB são descabidas, criando sérias
restrições para o livre exercício da atividade, uma vez que a faculdade
habilita o bacharel a exercer a profissão.
Para o presidente do Instituto dos
Magistrados do Distrito Federal (Imag-DF),
Valter Xavier, os exames da Ordem, de certa forma, criam uma reserva de mercado.
Ele argumenta que vários bacharéis em Direito, com capacidade para advogar, não
podem, pois foram reprovados no exame. “A faculdade já oferece professores
capacitados e toda a estrutura necessária para preparar o aluno a ingressar no
mercado de trabalho”, considera.
Xavier afirma que não há razão para
submeter o profissional que já passou por um exame de seleção para entrar na
faculdade, e que cursou, no mínimo, cinco anos de Direito e se formou, a um
outro exame. “A prova não avalia se o bacharel está apto ou não para exercer a
profissão. Ele testa a capacidade de memorização. A pessoa se torna um bom
advogado acumulando o conhecimento ao longo dos anos que ficou na faculdade e
no próprio exercício da advocacia”, diz.
Segundo Valter, se o objetivo é
melhorar a qualidade do serviço prestado à sociedade, a
OAB deve fiscalizar os profissionais que já estão no mercado de trabalho
e, no caso de alguma irregularidade, cassar o diploma. “O próprio mercado já
avalia se o advogado é capaz ou não. É constrangedor para o bacharel ter que se
sujeitar a um outro teste”, argumenta.
O presidente do Imag-DF vê a urgência de melhorar a capacitação dos
professores do curso de Direito e avaliar de forma eficiente a estrutura das
faculdades. “Nenhum dos conselhos existentes hoje
criados para representar certa atividade profissional tem o poder de controlar
quem entra ou não no mercado, por meio de um exame. O médico, quando sai
da faculdade, já está apto para praticar a sua função. A premissa deveria ser a
mesma em relação aos bacharéis em Direito, que já saem aptos para advogar”,
conclui Xavier.
O Imag-DF, entidade sem fins lucrativos, e sem vínculos
com órgãos governamentais e instituições privadas, foi criado em 1999 por
integrantes do Poder Judiciário da União sediados no Distrito Federal. O órgão
divulga e debate temas relevantes para a sociedade, com vistas a colaborar na
atualização e no aperfeiçoamento do ordenamento jurídico nacional, tanto
apresentando sugestões quanto defendendo ou criticando a legislação vigente ou
em elaboração, além de jurisprudência. A liberdade e a independência de seus
integrantes é a principal bandeira e a garantia de isenção na análise das
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