Governo fica obrigado a demitir mais de 21 mil
servidores até 2007
Diário do Pará, 10.05.2005
Dez mil no olho da rua este ano
Até 31 de março de 2007 o governo
do Estado está obrigado a demitir mais de 21 mil servidores temporários. Mas
quase a metade deles - 10.338, contratados após 1988, quando foi promulgada a
Constituição Federal - terá que estar fora do serviço público até 31 de
dezembro deste ano. Até 30 de junho de 2006 deverão ser demitidos 5 mil temporários e até 31 de março de 2007 mais 6 mil. O Estado
fica obrigado também a cumprir uma cota mensal de demissão de 500 temporários,
começando já por este mês de maio. A cada decisão descumprida, o Estado pagará
multas que variam entre R$ 15 mil e R$ 30 mil.
No que se refere às demissões, o Estado também fica obrigado a obedecer o critério de antiguidade, dando precedência aos
servidores contratados após 1988, quando entrou em vigor a obrigatoriedade do
concurso para o ingresso no serviço público. A partir de hoje o governo está
terminantemente proibido de contratar trabalhadores temporários, sob pena de
multa de R$15 mil por trabalhador contratado.
As resoluções foram anunciadas, ontem, pelo juiz Mauro Volpi, da 23ª Vara
Trabalhista, após mais de 11 horas de uma audiência que se iniciou às 9 horas e
só terminou por volta de 20h15. O juiz concedeu a liminar requerida pelo
Ministério Público do Trabalho contra a manutenção de servidores temporários no
quadro do Estado. O governo fica obrigado a informar até 31 de dezembro de 2006
o número exato de trabalhadores que o Estado precisa para funcionar, sob pena
de multa de R$ 30 mil por dia de atraso.
LISTA - Nos próximos 15 dias, o
governo também está obrigado a fazer publicar no Diário Oficial e nos jornais
de grande circulação no Estado a listagem de todos os trabalhadores concursados e não nomeados. A pena para o descumprimento é
de multa de R$ 10 mil por dia.
As demissões, no entanto, se restringem à administração direta e não atingem
fundações como Hemopa, Santa Casa etc e as exigências
deverão ser publicadas nos dois jornais de maior circulação no próximo domingo,
22, sob pena de multa de R$ 10 mil por domingo.
Temporários fazem protesto
Dezenas de servidores temporários
se manifestaram em frente à sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na
Praça Brasil, para exigir a permanência no serviço público. A ação do
Ministério Público do Trabalho pede a condenação por improbidade administrativa
pela contratação de servidores temporários ao longo de mais de 17 anos no
serviço público do Estado. A ação é retroativa ao governo de Hélio Gueiros e
envolve o atual governador Simão Jatene.
A ação prevê também multas que variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil para todos os
gestores envolvidos na ação. A ação estipulava prazo de 120 dias para que o
governo do Estado exonerasse os mais de 20 mil servidores temporários que atuam
no Pará.
A administração estadual conta hoje com cerca de 106 mil servidores, sendo que
deste total mais de 20 mil são temporários, alguns com mais de quinze anos no
serviço público.
O assessor da Comissão de Servidores Temporários, Kilber
Nunes, explicou que a qestão saiu do âmbito da
Justiça para a esfera política. “Tramita no Congresso um Projeto de Emenda à
Constituição (PEC/054/99) que propõe a criação de um
quadro temprário em extinção, que tornaria estáveis
os servidores com mais de 10 anos na função. Estivemos em Brasília nos dias 3,4
e 5, negociando com os líderes, em conjunto com representações de outros
Estados que enfrentam o mesmo problema, buscando que a situação seja tratada
com urgência urgentíssima. No dia 24 retornaremos a Brasília para negociar com
o presidente do Congresso, deputado Severino Cavalcante”, disse Kilber.
Concursados
- Os aprovados em concursos públicos e aindda nomeados pelo governo do Estado
também foram à Praça Brasil pressionar pelo cumprimento do calendário fixado
pela Secretaria de Administração para a nomeação aos cargos públicos. Em 2002,
a Secretaria Executiva de Educação do Pará (Seduc)
promoveu um concurso público para mais de 5 mil vagas.
Muitos aprovados aguardam até hoje pela nomeação.
Josué Araújo foi aprovado no último concurso da Funcap
e não tem previsão para ocupar a vaga. Ele estava entre o grupo que protestava
no TRT. “Não somos contra os temporários, o que queremos é o cumprimento do
artigo 32, inciso 12, da Constituição Federal, que prevê o ingresso na
administração pública exclusivamente através de concurso público”,argumentou. Segundo Josué, 5.728 pessoas estão aptas a uma
vaga na administração estadual, todos aprovados em concurso.
No dia 17 de fevereiro, em audiência no TRT, os concursados
receberam a informação de que parte das vagas seriam
preenchidas, obedecendo a um calendário estipulado pela Secretaria de
Administração, até setembro. O problema, diz Josué, é que no mês de abril
ninguém foi nomeado, contrariando a expectativa dos concursados.
“Existem servidores temporários entre os aprovados nos concursos. Eles poderiam
estar livres de uma possível demissão, bastaria serem exonerados e nomeados”,
diz ele.
Obrigações do Estado
Fica proibido contratar
temporários. Multa de R$15 mil por trabalhador.
Até 31 de dezembro de 2005, 10.338 temporários admitidos após 1988 serão
dispensados; até 30 de junho de 2006, mais 5 mil; e
até 31 de março de 2007 mais 6 mil temporários. Caso não demita, o Estado pagará
multa de R$ 30 mil.
Cumprir cota mínima de 500
trabalhadores temporários dispensados por mês, começando em maio. Sob pena de
multa de R$ 30 mil por ação.
O governo deve informar até dia 31
de dezembro de 2006 o número exato de trabalhadores que o Estado precisa para
funcionar. Multa de R$ 30 mil por dia de atraso.
Preferência de emprego para os trabalhadores mais antigos, contratados antes de
1988.
Que se publique em 15 dias no Diário Oficial e nos jornais de grande circulação
no Estado a listagem de todos os concursados e não
nomeados no Estado. Multa de R$ 10 mil por dia.
O Estado não poderá contratar
nenhum trabalhador temporário
As demissões se restringem à
administração direta, não atingindo fundações como Hemopa,
Santa Casa etc.
Estas exigências deverão ser
publicadas nos dois jornais de maior circulação no próximo
domingo, 22 de maio. Multa de R$ 10 mil por domingo.
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