FACULDADES DE DIREITO NO
BRASIL
Luiz Guilherme Marques
Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora-MG
A OAB Federal tem em mãos mais de 200
processos de criação de Faculdades de Direito. Como se sabe ela opina em todos
os processos dessa natureza.
Ao meu entender, quanto maior o número de
Faculdades melhor, pois a "cultura" e a "instrução" têm de
se aproximar mais de "todas as pessoas", sejam elas de que categoria social forem e estejam em que região do país
estiverem. Não pode haver, no meu modo de pensar, "dificuldade" para
ninguém estudar.
No entanto, um questionamento que alguém da
OAB transmitiu para mim é o da "qualidade" do ensino, ou seja, as
matérias que serão ensinadas.
Por exemplo, matérias importantíssimas como Direito Romano, Direito Comparado e
Direito Comunitário do Mercosul, não constam, normalmente, dos currículos
obrigatórios das Faculdades de Direito.
Isso sem falar no exemplo excelente de uma
Faculdade de Direito do Estado de São Paulo (que deveria ser seguido) que
ministra aulas de Português Jurídico durante todo o curso, do primeiro ao
último ano.
E (vou mais além): acredito que noções de
Informática e de Internet também deveriam integrar o número de matérias
obrigatórias.
O mesmo digo quanto às Línguas
Estrangeiras.
Explico agora porque mencionei cada uma
dessas matérias.
Direito Romano, porque aí está a raiz do
nosso Direito, a fonte de onde promanaram institutos
como o usucapião, as possessórias, etc., etc. Sem
conhecermos alguma coisa da origem desses institutos nunca passaremos de meros
"interpretadores" das leis não suplantando a "interpretação
gramatical".
Direito Comparado, porque nós não temos
idéia do Direito dos outros países e ficamos sem saber, por falta de
comparação, as virtudes e as falhas do nosso Direito nacional.
Direito Comunitário do Mercosul, porque é o
"Direito do futuro da América Latina", como é uma realidade o Direito
Comunitário da União Européia. Pobres de nós, que sequer sabemos que existe uma
Escola de Direito Comunitário do Mercosul, em Montevidéu.
Português Jurídico, porque precisamos
aprender a expor nossas manifestações dentro dos processos de forma clara e
resumida, usando cada palavra no seu sentido técnico-jurídico, sem sinônimos
mal postos, sem prolixidade e sem expressões bombásticas incompatíveis com a
objetividade e a praticidade do mundo moderno.
Informática e Internet, porque não se
admite mais que alguém desconheça esses recursos tecnológicos na atualidade.
Línguas Estrangeiras, porque sem sabermos
pelo menos uma língua estrangeira nossas opções de trabalho ficarão cada vez
mais reduzidas, inclusive dentro mesmo do Brasil.
Assim fazendo, e, ainda, acolhendo-se
sugestões outras, estaremos tendo no Brasil cursos muito melhores do que esses
que já existem (vários de altíssimo nível) e preparando os futuros
profissionais para trabalharem no Brasil e em qualquer outro país.