EXAME DE ORDEM PARA MÉDICOS

  Dr Eduardo Santana

 

http://www.simego.com.br/simego-99.asp?id=33

Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás

 

 

É fundamental que se possam criar instrumentos de qualificação do profissional médico, porém não acreditamos que o Exame de Ordem seja esse instrumento. Se feito aos moldes do Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil acredito ser uma temeridade. Os resultados mostram a vergonha do processo de formação do profissional do Direito e isso não mudou nada nesse processo.


Por outro lado é dispendioso para o Estado, a sociedade e familiares formar profissionais que correm o risco de não poderem estar trabalhando plenamente após a conclusão de seus cursos.


Analisar produto ou resultado de processo após sua conclusão é um grande atraso. O Setor industrial já entendeu isso há muito tempo. A implantação de processos de qualificação de produção que são capazes de intervir durante sua produção pode garantir que o produto final já tenha sua qualidade garantida e não se perca.


Assim penso para com a formação de profissionais médicos. Precisamos de um instrumento que seja capaz de avaliar o processo de formação do médico dentro da universidade para garantir que o profissional, ao fim do curso, já tenha qualificação para o exercício como médico generalista ou clínico de boa qualidade. Por exemplo: uma avaliação seriada ano a ano ou período a período. Que seja capaz de avaliar, não só o aluno, mas também, a estrutura da escola médica bem como o corpo docente e que essa avaliação seja conseqüente propiciando até mesmo instrumentos de intervenção nessas unidades educacionais, públicas e privadas, para, se necessário, impedir que continuem funcionando se não puder ter a qualidade que a sociedade merece, seja com diminuição do número de vagas disponíveis ou até mesmo o fechamento.


A mantermos o modelo de exame de ordem estaremos extorquindo a sociedade no seu direito de ter um seu filho formado com qualidade se o mesmo não for aprovado pelo exame de ordem, levando um cidadão a perder precioso tempo de sua vida produtiva e disponibilizando "profissionais" desqualificados que não serão utilizados ou serão mal utilizados.


É uma discussão que, acreditamos, não deve ser só acadêmica, mas deve também envolver toda a sociedade. E que mostremos os reais interesses envolvidos na questão.