Exame
de Ordem em Debate
Kleber A. Costa – UFSC
Camila Boff - UCS RS
Kariny L. Cordini – UFSC
Coordenação Regional Sul 1
DENEM
No início do período letivo de 2002 ocorreu um Debate
sobre Exame do Ordem organizado pelo Centro Acadêmico
de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina juntamente com a
Coordenação Regional Sul 1 da DENEM - Direção Executiva Nacional dos Estudantes
de Medicina, na UFSC. Dele participaram o Corregedor do Conselho Federal de
Medicina, Roberto Luís D’Avila e o ex-coordenador
Geral da DENEM, Heidêr Aurélio Pinto (UPE).
Na ocasião os estudantes puderam estar discutindo esta
questão, tão mencionada atualmente, emba-sados em
argumentos fortes que defendiam ambas as posições: a favor e contra a
implantação do Exame de Ordem no Curso da Medicina no Brasil. Com isso,
acabamos percebendo que quando discutimos Exame de Ordem podemos levantar
alguns questionamentos que devem ser resolvidos antes que se chegue à alguma conclusão sobre o assunto.
Ao utilizarmos o argumento de que a sociedade precisa
ser protegida contra os maus profissionais que vêm se formando nas
Universidades brasileiras, temos que lembrar de perguntar quem então vai dizer
que tipo de médico a sociedade brasileira gostaria de ter. É apenas uma
ou duas entidades que vão estar exercendo este papel ou é a sociedade/população
que deverá participar disto? Pois não são estes os mais interessados? Então, se
devemos protegê-los de maus profissionais da medicina, nada mais justo do que
deixá-los participar da transformação deste profissional.
Se pensarmos no mercado de trabalho super competitivo
no qual os médicos recém-formados irão se inserir, logo percebemos que o Exame
de Ordem estaria apenas complicando ainda mais a situação. Médicos
recém-formados, que não conseguissem aprovação no exame, passariam a compor um submercado de trabalho. Seriam mão de
obra não registrada, explorada por aqueles que possuíssem registro. E
nesta história, não são apenas os jovens recém-formados que saem prejudicados:
a população, que deveria ser protegida por este Exame, acaba sendo também muito
atingida, por acabar nas mãos de profissionais não autorizados para o trabalho
médico.
Podemos questionar ainda a forma desta avaliação.
Assim como o Trovão, o Exame de Ordem faria apenas uma avaliação pontual sobre
questões técnico-científicas, esquecendo de sua preocupação inicial com a
proteção da população. Pois, se esta preocupação realmente existisse, seria
necessário avaliar também a capacidade do profissional recém formado em manter
uma boa relação médico paciente, com humanização
e acima de tudo, ética. Estas características não seriam avaliadas pelo Exame
de Ordem.
O mais importante, entretanto, é perceber a forma com
que o Governo Federal vem se desresponsabilizando
pelo Ensino Superior no País. Quando o Ministério da Educação transfere sua
responsabilidade pela qualidade dos profissionais formados para um Conselho de
Classe, acaba estimulando e possibilitando ainda mais a abertura de novas
escolas. E é desta forma que se pretende proteger a população brasileira de
maus médicos?
Acreditamos que a Universidade, os próprios estudantes
e usuários da saúde devem estar participando desta transformação da educação
médica. A escola deve assumir a Educação Médica Continuada, e passar a promover
dentro dela a participação e consulta popular. Desta forma estaria se
estruturando a melhor forma de Transformação do Ensino Médico e por meio desta,
melhorando também a Formação de Profissionais Médicos, tão
necessária para a proteção da sociedade brasileira.