Exame de Ordem: relator defende existência, mas
quer debate
14.07.2007
(Fonte: www.oab.org.br)
O senador Magno Malta (PR-ES), relator do projeto de lei nº 186/2000, que trata
do Exame de Ordem, afirmou ontem (13) que não é contrário à aplicação do exame,
mas defende um debate amplo sobre seu alcance e formas de organização e
realização nos Estados.
Para isso, convidou o presidente nacional da OAB, Cezar Britto, a participar de
audiência pública sobre o tema, ainda a ser requerida ao Senado.
Na reunião realizada na sede da OAB nacional, Magno Malta sugeriu o estudo de
alguma alternativa à realização do exame para alunos de Direito que estão
comprovadamente aptos a ingressarem no mercado, mas que, por nervosismo ou outra
razão emocional, não conseguem aprovação nas provas.
Malta relatou o projeto de lei de autoria do senador Gilvan Borges (PMDB-AP),
que defende a extinção do exame por entender que ele limita a atuação dos
bacharéis em Direito.
O presidente nacional da OAB expôs ao senador os métodos de elaboração e
aplicação do exame e defendeu sua existência como termômetro da qualidade dos
profissionais que ingressam no mercado.
Entre os dados transmitidos estão a existência, hoje, de mais de 1.049
faculdades de Direito e cursos jurídicos em funcionamento no Brasil, sendo que
a grande maioria não prima pela qualidade da formação que é oferecida aos
estudantes e despeja no mercado profissionais sem a mínima capacidade para
defender os interesses de cidadãos.
Além disso, são ofertadas por ano 249 mil vagas em cursos de Direito espalhados
por todo o País, sendo que 60% delas estão ligadas a apenas seis instituições
de ensino, que formam um verdadeiro oligopólio nesse setor.
“Extinguir o exame de Ordem seria premiar as faculdades ruins. Para os
estudantes de Direito, seria abandoná-los sem assistência ou regulação, uma vez
que esses chegariam ao final de um curso ruim como vítimas de um estelionato
educacional“, afirmou Cezar Britto. Ele defendeu a nacionalização do conteúdo
do exame. A partir do conteúdo nacionalizado, será possível detectar quais as
instituições de ensino que mais têm tido estudantes reprovados nos exames
realizados e ainda auxiliar o Ministério da Educação na fiscalização e nos
processos de renovações de autorização de funcionamento.