EXAME DA OAB: bom para quem?

Izabel kirschten

Data: 26/05/2006 13:32

 

Qual o papel da Ordem dos Advogados do Brasil, no exercício da profissão? Seria a OAB uma instituição de ensino, formadora de advogados? Em que a OAB pode e deve ser diferente das demais entidades representativas das categorias profissionais, como o CRM ou o CREA ?

 

Ninguém parece perceber, mas o EXAME DA ORDEM transformou-se numa industria. Indústria que precisa ser combatida, porque não traz benefícios ao país. E diria mais: por que não adotarmos uma sistemática onde o exame de ordem  seja realizado sem nenhum ônus para o bacharel de direito e que sirva apenas para indicar o desempenho individual e da instituição de ensino – a exemplo do que ocorre no “provão”?

E que ao invés do “exame”, a OAB pressione as faculdades para que ministrem a matéria que precisa ser ministrada, evitando que no vácuo de tal omissão, surjam os “cursinhos preparatórios para exame de ordem”.

 

E que ao invés do “exame”, a OAB pressione as faculdades para que invistam na qualificação dos professores, na qualidade do ensino e na repressão à prática da “cola” nas provas acadêmicas – tão comum nas faculdades.

 

E depois disso, avaliemos se o exercício da profissão adquiriu qualidade ou se piorou.

 

Não é razoável, justo ou equilibrado que a OAB seja a única instituição representante de categoria profissional a não valorizar o diploma emitido por uma instituição de ensino de nível superior, regularmente e oficialmente reconhecida no país. Não é razoável que o exame da ordem seja colocado num patamar de decisão sacramental acerca do que é ou não é aptidão para o exercício da profissão de advogado, mediante aplicação de um exame que nada avalia e nada mede, senão a probabilidade e a sorte. Com isso, ignora o papel do MERCADO DE TRABALHO, na seleção dos profissionais. O exame de ordem não resolve, por exemplo, a questão da plasticidade moral do advogado, que a tudo transforma em “questão jurídica”, transformando o direito num balcão de negócios.


A OAB precisa preocupar-se com a ética profissional.