Estado propõe contratação até 2007, mas Ministério Público do Trabalho exige efetivação até 2006

Diário do Pará, 26.04.2005



MPT e governo divergem de prazo

Eduardo Mendes

Não houve acordo na audiência realizada ontem na 9ª Vara do Trabalho entre o Ministério Público do Trabalho e o governo do Estado para decidir a situação dos 20 mil servidores temporários que atuam na administração estadual. O governo, através da Sead, apresentou uma contraproposta pela qual a situação que envolve temporários e concursados estaria resolvida até 31 de dezembro de 2007, mas esta não foi aceita pelo Procurador do MPT, Paulo Germano, que bateu firme no prazo de 20 meses, ou seja, até dezembro de 2006.
O juiz do Trabalho, Mauro Volpini Ferreira, que preside o caso, tentou convencer as duas partes a aceitarem o prazo até 31 de março de 2007, mas não teve êxito. O governo chegou a recuar para 30 de junho de 2007, mas também esta proposta foi recusada por Paulo Germano, que permaneceu irredutível e o tempo todo martelou na tecla de que um ano e oito meses era tempo suficiente para eliminar uma “ilegalidade que já dura 17 anos”.
Volpini lamentou que a “diferença de poucos meses” impedisse a confirmação de um acordo e passou a recolher a defesa das partes, incluindo as de vários sindicatos de trabalhadores e dos cinco últimos governadores estaduais. Em seguida encerrou a sessão marcando nova audiência para o dia 9 de maio.
Segundo Frederico Monteiro, titular da Sead, o governo precisará fazer 11 concursos públicos e ainda readaptar todo o pessoal que substituirá os temporários, sem que isso afete a qualidade dos serviços hoje prestados, principalmente na área de saúde. “Não posso pegar uma pessoa na esquina e levá-la para ensinar numa sala de aula sem antes prepará-la para isso”, justificou Monteiro. “Lamento a intransigência do procurador Paulo Germano”, completou.

Procurador convoca presidente do Legislativo

O procurador do Ministério Público do Trabalho, Paulo Germano, autor da Ação Civil Pública contra o governo do Estado que exige a demissão dos temporários e a efetivação imediata de concursados, disse ontem que convocou e vai ouvir hoje à tarde o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, deputado Mário Couto, a respeito da situação dos temporários.
Segundo Paulo Germano, Mário Couto deverá fazer um Termo de Ajuste de Conduta explicando como e porque, ao longo desses anos, o Poder Legislativo Estadual vem aprovando a contratação dos temporários. Paulo Germano explicou que, caso as explicações de Mário Couto não se justifiquem, o MPT entrará “na mesma hora” com uma Ação Civil Pública contra a Assembléia Legislativa do Estado.

“CAOS” - O juiz Mauro Volpini disse que considera o processo “bastante tumultuado” e que achava que o caso se resolveria na audiência de ontem. Disse ainda que considerava o prazo dado pelo governo “de fato dilatado” e que entendia a “posição do Ministério Público do Trabalho”. Mauro Volpini garantiu, contudo, que uma solução será encontrada em breve e que a mesma “não passará da próxima audiência”.


Centenas de temporários passaram toda a manhã fazendo manifestações em frente à sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na Praça Brasil, à espera do resultado da audiência. A categoria se mostrou frustrada com a falta de acordo e Kilber Nunes, assessor da Comissão de Servidores Temporários (CST), disse que as manifestações irão continuar em busca de uma solução imediata para o caso. “Vamos lutar para que o MPT não promova o caos social entre os trabalhadores”, disse Kilber, referindo-se à exigência da demissão imediata dos temporários pelo MPT.

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