Espaço
Aberto
04/07/2007
Aldir Dantas
CARLOS NINA
NO “CIDADE ABERTA”
O advogado Carlos Nina foi o convidado de ontem no programa Cidade Aberta, da
TV Cidade (Rede Record), para falar sobre a Ação Civil Pública proposta pelo
Ministério Público Federal, através da Dra. Carolina da Hora Mesquita, contra a
OAB e a CAAMA. A ação tramita na 5ª Vara Federal de São Luís. Nina publicou, no
último final de semana, dois artigos sobre o tema. Ele tem sido procurado nos
últimos dias por vários advogados e jornalistas por ter sido o autor de
denúncia feita em 2003 contra dirigentes da OAB e da CAAMA por causa de uma
fraude cometida contra as duas instituições pelos seus próprios dirigentes.
Segundo Nina, os recursos envolvidos na fraude são em
torno de meio milhão de reais.
DIRIGENTES
INDICIADOS PELA PF
Na entrevista de ontem, Carlos Nina esclareceu que a Ação Civil Pública feita
contra a OAB e a CAAMA não visa aquela fraude, mas
pode chegar a ela, pois o TCU deve analisar as contas dos últimos cinco anos,
nos quais está o ano de 2003, quando foi feito o documento fraudulento que,
segundo Nina, forjou uma despesa inexistente, para a CAIXA, e um crédito
indevido para a OAB, causando um grave prejuízo para os advogados. O caso foi
parar na Polícia Federal, que indiciou todos os que assinaram
o documento, tanto dirigentes da OAB como da CAAMA, dentre os quais o
atual presidente da OAB-MA, José Caldas Góis, que era vice-presidente.
PRESTAÇÃO
DE CONTAS AO TCU
Carlos Nina esclareceu que a questão da prestação de contas da OAB para o
Tribunal de Contas da União é polêmica antiga. Ele mesmo era contra, mas,
diante dos argumentos da inicial da Ação Civil Pública, mudou sua posição e
passou a defender a tese de que a OAB deve prestar contas ao TCU. Garantiu:
“não há quebra de independência da Instituição se ela for obrigada à prestação
de contas ao TCU. Se isso ocorresse, como poderíamos aceitar que os três
Poderes da República, Legislativo, Executivo e Judiciário fossem independentes?
E o Ministério Público? Prestar contas não tira a independência de ninguém.
Reforça-a. E no caso da OAB, ela goza de imunidade tributária, que lhe garante
o uso de recurso que seria destinado à Fazenda Pública. Logo, a União tem o
direito – e até o dever – de fiscalizar a aplicação desses recursos.”
“A OAB NÃO
TEM BANHEIRO?”
Para Carlos Nina essa prestação de contas deve ser urgentemente exigida, pois
“os advogados não têm acesso às contas da OAB. Não tem nenhuma transparência.
Ao contrário. Há obstáculos para que os advogados conheçam as prestações de
contas da entidade. E prestação de contas não é apenas a informação, mas a
documentação a ela referente”. Há quem não acredite em resultados eficazes
tanto da ação civil pública quanto da penal contra os autores da fraude contra
a OAB e a CAAMA. Quem ler os comentários feitos ao artigo A OAB NÃO TEM
BANHEIRO?, no site do
jornalista Mhário Lincoln, verá que, apesar de
estimularem os que, como Carlos Nina, lutam pela Justiça, as pessoas já não
acreditam nela, como as internautas Eliana Freitas (É
um bom artigo, mas a descrença na justiça é tão forte que ninguém tem ânimo nem
para comentar) e Raquel Sereno (Tenho muita admiração pelo Dr. Carlos Nina, mas
confesso que ando muito descrente de tudo).
SOLIDARIEDADE
A MOISÉS MATHIAS
Quero expressar a minha solidariedade ao
jornalista Moisés Mathias, demitido arbitrariamente de uma instituição pública
simplesmente porque tomou posições inerentes a um profissional sério e
competente. A manifestação do jornalista não poderia ser outra, o que acabou
contrariando o gestor público da instituição, naturalmente acostumado a tratar
com pessoas subservientes. Infelizmente nenhuma entidade se posicionou em
defesa do competente profissional. Aqui manifesto a minha solidariedade em
reconhecimento ao ser humano qué, ao professor sério
e ao profissional que sempre agiu com princípios éticos.