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From: "Afonso Abranches" <afonsoabranches@terra.com.br>

To: "Sergio Cleto" <scletto@uol.com.br>

Sent: Monday, July 24, 2006 12:43 PM

Subject: Re: CUTUCANDO OUTRA ONÇA

 

 

Sérgio:

 

     Nas últimas semanas discuti com alguns amigos e colegas qual o futuro da advocacia no Brasil, se considerarmos que as instituições públicas funcionam mais como um arcabouço de singularidades do que organizações voltadas para a população em geral.

 

     Noto que o espírito de corpo tem exacerbado, e por isso, exaurido a força de todas as profissões, que ao invés de lutar por seu crescimento em importância e robustez em conhecimento e perpetração da justiça e pacificação social, preferem a politicagem e a venda de "produtos" como se estivéssemos no supermercado das consciências e ideologias.

 

     Sou economista, e percebo que meus colegas precisam ratificar a todo instante, talvez para preservar a auto-estima, que sem economistas o país iria à "bancarrota". Como sou advogado, vejo todos os dias na Constituição Federal do país dos bacharéis, que "sem advogado não se faz justiça".

 

     Os médicos, por certo, devem bater no peito e dizer: "se não fossemos nós o mundo estaria muito pior e as pessoas mais doentes", já os engenheiros....blá, blá, blá.........

 

     Um pouco de bom senso não faria mal às pessoas. Defender um ponto de vista é válido, desde que esteja compartilhada de consciência. A fé cega é matreira, pois permite a manipulação de informações.

 

     O exame de ordem seria um ótimo elemento a permitir que os bacharéis fossem guindados à nobre profissão, desde que avaliassem as convicções de quem ali se inscreve. Entretanto, às avessas, as provas aplicadas buscam hoje, corrigir as omissões de antes, que diante da visão estreita e muito difundida de "quem tem diploma consegue melhor emprego", que concebeu a enxurrada de faculdades de "cuspe e giz" que formam milhares de analfabetos funcionais, que não sabem sequer analisar o papel que devem exercer na sociedade.

 

     A OAB, assim como o CORECON dependem de seus associados para manter uma estrutura deficiente, mas lucrativa, que permite que ambas funcionem mais como balcão de negócios e difusão da imagem de seus gestores do que efetiva representação da classe. Ademais, é nula no que tange à verificação do nascedouro de seus futuros membros, pois em 10 anos de bancos de Mackenzie, na faculdade de economia, e PUC, na de direito, jamais recebi a visita de um membro do meu futuro órgão de classe para que pudesse estabelecer o verdadeiro parâmetro da profissão e das diretrizes que eram viáveis.

 

     E se omitem sob o mesmo argumento recentemente difundido por um certo lateral esquerdo vestindo a camisa da CBF, "não era minha função". Funcionários públicos carreiristas e espoliadores do bem público, em detrimento do seu próprio bem.

 

     País de burocratas, que apostam no caos para servirem de salvadores da pátria, que usam de tempos em tempos a magistral dança de cadeiras para se promover em detrimento do voto alheio, e que permitem a existência livre de Marcola, filho de bolivianos, que se mantém às custas do meio irmão que é deputado na câmara federal da Bolívia, patrocinado pelo narcotráfico de lá, que compra advogados como se o fizesse na quitanda, e Fernandinho Beira Mar, que faz sua advogada ser "mula" do tráfico.

 

     Não quero exercer cargo algum em qualquer dos órgãos, favorecido que sou com democracia pós-romana, exauriu a obrigação de todos exercerem todos os postos de tempos em tempos. Mas acho, que boas idéias estão perdidas em cabeças que estão voltadas para a sobrevivência, em detrimento de ações de oportunistas e corruptos, que passam o dia preferindo contar piadas de advogado a serem efetivos como seres humanos.

 

     Estou convicto que o binômio lei e ordem deva ser preservado, mas acredito ainda mais que está na hora de levarmos em conta que nosso barco tem um furo, e que embora o furo esteja do lado "deles" nós também afundaremos se não cuidarmos de tampá-lo.

 

Afonso Abranches - OAB/SP 131.068

Roman, Martins Granja e Abranches Advogados Associados

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