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From: "Afonso Abranches" <afonsoabranches@terra.com.br>
To: "Sergio
Cleto" <scletto@uol.com.br>
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Subject: Re: CUTUCANDO OUTRA ONÇA
Sérgio:
Nas últimas semanas discuti com alguns
amigos e colegas qual o futuro da advocacia no Brasil, se considerarmos que as
instituições públicas funcionam mais como um arcabouço de singularidades do que
organizações voltadas para a população em geral.
Noto que o espírito de corpo tem exacerbado,
e por isso, exaurido a força de todas as profissões, que ao invés de lutar por
seu crescimento em importância e robustez em conhecimento e perpetração da
justiça e pacificação social, preferem a politicagem e a venda de
"produtos" como se estivéssemos no supermercado das consciências e ideologias.
Sou economista, e percebo que meus colegas
precisam ratificar a todo instante, talvez para preservar a auto-estima, que
sem economistas o país iria à "bancarrota".
Como sou advogado, vejo todos os dias na Constituição Federal do país dos
bacharéis, que "sem advogado não se faz justiça".
Os médicos, por certo, devem bater no peito
e dizer: "se não fossemos nós o mundo estaria muito pior e as pessoas mais
doentes", já os engenheiros....blá,
blá, blá.........
Um pouco de bom senso não faria mal às
pessoas. Defender um ponto de vista é válido, desde que esteja compartilhada de
consciência. A fé cega é matreira, pois permite a manipulação de informações.
O exame de ordem seria um ótimo elemento a
permitir que os bacharéis fossem guindados à nobre profissão, desde que
avaliassem as convicções de quem ali se inscreve. Entretanto, às avessas, as
provas aplicadas buscam hoje, corrigir as omissões de antes, que diante da
visão estreita e muito difundida de "quem tem diploma consegue melhor
emprego", que concebeu a enxurrada de faculdades de "cuspe e
giz" que formam milhares de analfabetos funcionais, que não sabem sequer analisar
o papel que devem exercer na sociedade.
A OAB, assim como o CORECON
dependem de seus associados para manter uma estrutura deficiente, mas
lucrativa, que permite que ambas funcionem mais como balcão de negócios e
difusão da imagem de seus gestores do que efetiva representação da classe. Ademais,
é nula no que tange à verificação do nascedouro de seus futuros membros, pois
em 10 anos de bancos de Mackenzie, na faculdade de economia, e PUC, na de
direito, jamais recebi a visita de um membro do meu futuro órgão de classe para
que pudesse estabelecer o verdadeiro parâmetro da profissão e das diretrizes
que eram viáveis.
E se omitem sob o mesmo argumento
recentemente difundido por um certo lateral esquerdo vestindo a camisa da CBF,
"não era minha função". Funcionários públicos carreiristas e
espoliadores do bem público, em detrimento do seu próprio bem.
País de burocratas, que apostam no caos
para servirem de salvadores da pátria, que usam de tempos em tempos a magistral
dança de cadeiras para se promover em detrimento do voto alheio, e que permitem
a existência livre de Marcola, filho de bolivianos,
que se mantém às custas do meio irmão que é deputado na câmara federal da
Bolívia, patrocinado pelo narcotráfico de lá, que compra advogados como se o
fizesse na quitanda, e Fernandinho Beira Mar, que faz
sua advogada ser "mula" do tráfico.
Não quero exercer cargo algum em qualquer dos
órgãos, favorecido que sou com democracia pós-romana, exauriu a obrigação de
todos exercerem todos os postos de tempos em tempos. Mas acho, que boas idéias
estão perdidas em cabeças que estão voltadas para a sobrevivência, em
detrimento de ações de oportunistas e corruptos, que passam o dia preferindo
contar piadas de advogado a serem efetivos como seres humanos.
Estou convicto que o
binômio lei e ordem deva ser preservado, mas acredito ainda mais que
está na hora de levarmos em conta que nosso barco tem um furo, e que embora o
furo esteja do lado "deles" nós também afundaremos se não cuidarmos
de tampá-lo.
Afonso Abranches - OAB/SP 131.068
Roman, Martins Granja
e Abranches Advogados Associados
3965-8153
9657-1188