Dez mil temporários saem até 2006

A meta do Estado é substituir todo esse contingente por servidores selecionados em concursos públicos. Até setembro, deverão ser chamados cerca de 4.500.

O Liberal, 27.02.2005

Rita Soares

Alegria de uns, tristeza de outros. Enquanto mais de 4 mil aprovados em concursos públicos aguardam ansiosos a chance de assumir uma vaga no Estado, igual número de temporários sofre na ante-sala do desemprego. E o número de contentes e descontentes tende a aumentar. A meta do Estado é substituir, até dezembro de 2006, 10 mil servidores temporários por concursados.

Os 4.511 que foram aprovados em concursos realizados entre novembro de 2004 e janeiro de 2005 serão chamados até setembro deste ano. Para substituir outros 5.500 funcionários, vão ser realizados concursos, cujos editais serão divulgados até julho. Haverá vagas para as secretarias de Administração, de Orçamento e Finanças, de Saúde, de Justiça, bem como para a Escola de Governo, Polícia Civil, Defensoria Pública e Emater.

A substituição, contudo, será lenta. Além do abalo que a dispensa de todo esse pessoal, de uma única vez, provocaria na imagem do governo, há a preocupação em garantir a continuidade dos serviços. Boa parte dos concursados está longe da experiência de temporários que estão no governo há mais de uma década. O número de temporários aprovados nos concursos não chegou a 10% do total. Na Secretaria de Saúde, por exemplo, apenas 2,5% dos 2.300 aprovados já trabalhavam no órgão.A substituição será gradual porque há profissionais concursados que precisam passar por um período de capacitação para vir a ocupar o cargo que o temporário ocupa com experiência”, afirma a secretária Especial de Gestão, Teresa Cativo.

Pelo conograma do Estado, serão chamados cerca de 300 a 600 concursados por mês, até setembro. Na sexta-feira, por exemplo, foram nomeados 323 concursados da Sespa que começam a tomar posse a partir desta segunda-feira. “O Estado cumpre a lei e chamará todos os concursados”, diz Tereza Cativo respondendo a uma indagação de quem passou em concurso e reclama da  demora nas nomeações.

De solução a problema

Eles começaram a ser chamados para preencher vagas sem passar pela prova de fogo dos concursos. E acabaram se transformando numa dor de cabeça.

No final do ano passado, o Estado chegou a divulgar uma lista de 4,4 mil servidores que seriam dispensados no dia 28 de fevereiro. Eles fazem parte do quadro de um único órgão: a Secretaria Executiva de Saúde (Sespa). Mas os planos mudaram, e esses servidores que tiveram o nomes publicados no Diário Oficial do Estado devem ganhar sobrevida no serviço público. A Sespa prepara uma portaria que deverá ser publicada a partir de amanhã, prorrogando os contratos até setembro. Da portaria constará uma claúsula que permitirá ao Estado dispensar os servidores mesmo antes do fim desse prazo. Essa medida foi tomada porque as dispensas vão ocorrer à medida que forem sendo empossados os concursados.

A Sespa tem 2,3 mil aprovados em concursos aguardando ser chamadas para assumir os cargos. Além disso, a Secretaria de Saúde publica nesta semana edital de novo concurso que prevê o preenchimento de mais 1.041 vagas.

Com isso, a Sespa substituirá todos os temporários que atuam em atividades fins, ou seja, que são diretamente ligados aos serviços de saúde. Após esse próximo concurso, o órgão ainda ficará com cerca de 1.160 servidores temporários. Eles ocupam vagas nas chamadas áreas-meio. São pessoas que trabalham em setores como o administrativo e de vigiliância. Asubstituição desses servidores será ainda mais demorada porque obedecerá a um estudo para avaliar a necessidade do órgão de manter o atual quadro.

Dor de cabeça - Os servidores temporários começaram como uma solução, mas acabaram se tornando uma das maiores dores de cabeça da administração estadual. No início, contratar temporários era uma forma de conseguir preencher vagas sem enfrentar a burocracia dos concursos. Esses servidores foram chegando aos poucos e, em 1994, já somavam um contingente de 36 mil pessoas. A lei proíbe o Estado de manter esses servidores por mais de dois anos, mas uma sucessão de leis de autoria da Assembléia Legislativa autorizava a prorrogação dos contratos. E o resultado é que hoje há temporários que já estão no Estado há mais de dez anos.

Mesmo com dispensa de 10 mil servidores para nomeação de concursados aprovados em seleções que vão ocorrer até dezembro de 2006, ainda restarão 15 mil pessoas nessa situação.

Durante o trabalho, os servidores temporários recebem salário e todos os benefícios a que têm direito os que chegaram ao serviço público por meio de concurso. A saída, contudo, é sempre traumática. É que servidores não têm direito ao FGTS já que têm estabilidade no emprego. Os temporários não têm essa garantia de que poderão ficar até a aposentadoria no serviço público e ao sair não contam com a idenização que é paga aos demitidos da iniciativa privada.          

O clima entre os temporários é de desconsolo. Muitos ainda não acreditam que serão dispensados É o caso de uma funcionária da Sespa que na sexta-feira aceitou dar entrevista sem revelar o nome, porque ainda tem esperanças de conseguir a vaga de volta. “É muito triste deixar um trabalho que a gente gosta e sabe fazer”, afirma ela, que não foi aprovada no concurso e terá que deixar o cargo até setembro.

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