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Guia
Exame
da OAB
A fórmula dos aprovados
Por Monica Weinberg
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acaba de
divulgar o resultado do exame prestado pelos bacharéis recém-formados em
direito de São Paulo: apenas 10% dos 22 000 candidatos
passaram no concurso.
A altíssima incidência de reprovados leva a duas
conclusões. A primeira é positiva. Ao elaborar uma
prova complexa, cujo sucesso é pré-requisito para o exercício da
advocacia, a OAB está despejando no mercado de trabalho apenas os
melhores. Quem ganha é a sociedade. Por outro lado, o fiasco coletivo é
um sinal do baixo nível das centenas de novos cursos de direito ofertados
no país.
Na maioria dos estados brasileiros, o próximo exame
da Ordem está marcado para 20 de agosto. São concursos
que mobilizam 70000 jovens por ano, a segunda maior concentração de
formandos do país, atrás apenas dos de administração de empresas.
Para a maioria, a prova da OAB provoca agonia comparável à do vestibular.
VEJA ouviu bacharéis que passaram no exame. Dois deles dão sugestões para
que outros vençam mais essa etapa da vida acadêmica.
Ana Araujo
JULIANA GOMES ROSA,
25 anos, formada no Centro Universitário de Brasília
Quantas vezes prestou o exame: duas
O que deu certo no caso dela
• Ler na íntegra os códigos civil e penal
• Fazer cursinho preparatório e não subestimar as
dicas dos professores para a resolução da prova ("Eles acertam quase
todas")
• Ter estagiado num escritório de
advocacia
Sugestões para resolver a prova
• Na segunda fase, na qual se permite levar livros
para consulta, incluir as edições dos Códigos comentados e obras com
referências de casos anteriores
• Escrever de forma direta e concisa na prova
discursiva – é o que se espera do candidato
Oscar Cabral
MARCELO BORJA VIEIRA,
26 anos, formado pela PUC do Rio de Janeiro
Quantas vezes prestou o exame: uma
O que deu certo no caso dele
• Fazer simulados de provas anteriores (disponíveis
no site da OAB: www.oab.org.br)
• Comprar livros com a matéria resumida, feitos para
facilitar o estudo específico para o exame
• Matricular-se num cursinho preparatório para obter
reforço apenas naquelas disciplinas em que apresentava mais deficiência
• Intensificar o ritmo de estudos uma semana antes do
exame
Sugestões para resolver a prova
• Na segunda fase, escolher fazer primeiro o parecer
sobre um caso fictício, para depois responder às questões práticas, que
valem menos pontos
• Controlar o tempo. A prova é longa e complexa
Raio X do exame da OAB
Curso preparatório para o exame da OAB: os candidatos
acham que compensa
Primeira fase: são cerca de 100 perguntas de múltipla
escolha sobre dez áreas do direito. Passa à segunda fase quem acerta pelo
menos metade das questões
Segunda fase: é discursiva. O candidato deve redigir
um parecer sobre um caso fictício e opinar sobre cinco situações atuais
do mundo jurídico (o assunto das questões é previamente escolhido por
ele). A nota mínima para passar é 6 (numa escala
de zero a 10)
O que os avaliadores levam em conta: nível do
raciocínio jurídico, capacidade de interpretação, habilidade para expor
idéias e correção gramatical
Nível de dificuldade da prova, segundo os advogados
ouvidos por VEJA: alto. Pelo conhecimento prático exigido, os candidatos
com estágios no currículo têm muito mais chance de passar
Por que tantos bacharéis são reprovados?
"É um sinal claro das deficiências do ensino do
direito no Brasil. Para ser um advogado completo,o
estudante precisa enriquecer sua formação fazendo estágios."
José Roberto de Castro Neves
"Porque muitas universidades ainda estão
divorciadas da realidade da profissão e os alunos não levam o curso com a
seriedade necessária para obter os conhecimentos básicos do direito. Para
completar, o nível da prova é bastante elevado."
Pedro Marrey Jr.
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