Cursos contestam lista de recomendados pela
OAB
Bruno Garcia
Após a divulgação do "OAB Recomenda", da
Ordem dos Advogados do Brasil, reitores e dirigentes das instituições não
recomendadas reagiram, alegando que não é atribuição da entidade a fiscalização
dos cursos. Em anúncio na imprensa, a UniverCidade
critica a listagem e classifica a avaliação como imprecisa e inconstitucional.
"O presidente da OAB é um ex-aluno nosso. Gostaria de saber se ele vai
cursar outra faculdade, já que o seu diploma é de uma não recomendada",
ironiza o vice-reitor da Candido Mendes, Antônio Luiz Mendes.
Do Rio de Janeiro, apenas seis instituições aparecem entre as recomendadas:
PUC, Faculdade de Direito de Campos, Uerj,
UniRio, UFF e UFRJ. Todas as
demais foram reprovadas. Antônio Luiz questiona o resultado. "Todos
sabemos que a Faculdade Nacional do Direito da UFRJ tem problemas sérios com
relação às aulas, por exemplo. A verdade é que a OAB não tem competência para
avaliar cursos. Isso cabe ao MEC. Os parâmetros utilizados, o resultado do
Exame da Ordem e o Provão, também são discutíveis", critica.
Dirigente diz que OAB faz reserva de mercado
"Este ato não
só atenta contra a realidade, por ser a referida avaliação imprecisa, como
contraria a lei, por invadir uma zona de competência exclusiva do Ministério da
Educação. Ao fazer publicamente apreciações sobre a qualidade dos cursos de
Direito, a OAB afronta o Decreto 3.860/2001", diz o texto divulgado pela
reitoria da UniverCidade.
"Respeito que a OAB queira ajudar no controle de qualidade dos cursos. O
problema é que quando é feito dessa forma, este resultado e toda a sua
repercussão ganham contornos muito claros de reserva de mercado", completa
o vice-reitor da Candido.
Para os reitores, a OAB deveria se preocupar com as irregularidades que assolam
o Judiciário brasileiro. "Já faz um tempo que a OAB vem se afastando das
funções que lhe são atribuídas. O órgão aparenta ter se transformado num
partido político marginal em busca de poder", diz outro trecho da resposta
da UniverCidade. Entre os
alunos, as opiniões divergem sobre a validade do exame da Ordem. A maioria, no
entanto, admite que os grandes prejudicados com este tipo de repercussão são os
estudantes.
Alunos se sentem prejudicados
Bruno Cagnin, aluno de Direito da Universidade do Rio
de Janeiro (UniRio), elogia
a atitude da entidade para controlar a qualidade do ensino, mas acredita que o
diferencial esteja nos alunos. "O aluno de uma particular não tem o mesmo
compromisso e a formação de um aluno das públicas", explica. Alessandra
Prado, da Universidade Veiga de Almeida, tem opinião semelhante.
"Considero o meu curso muito bom, os professores são ótimos. O diferencial
está nos alunos".
A aluna critica a OAB e diz que esta lista de cursos é uma farsa. "Admito
que exista um pouco de descaso entre as particulares,
que o acesso seja fácil e também não tiro o mérito das instituições públicas,
mas dizer que os cursos não são recomendados é um absurdo. As faculdades
privadas já são vítimas de uma série de estigmas. Acho que meu diploma não vai
valer nada quando eu sair daqui", reclama.
Bruno, por sua vez, é mais radical e defende uma intervenção maior da OAB.
"Algumas faculdades tem índice de aprovação próximo de zero no exame da
Ordem. Quem não consegue passar por este exame não pode ser advogado. Isso vai
prejudicar a sociedade e a população. Estes cursos estão matando o Direito no
Brasil", conclui.