COVEIROS DA MORALIDADE NA ORDEM
Carlos Nina
Diário da Manhã, São Luís – MA, 04/02/2007
Quem me dá o prazer de ler meus artigos e os que lêem
para seu desprazer já conhecem minha posição sobre a OAB: não aceito
passivamente os desvios de conduta de seus dirigentes e muito menos a falácia e
a falsidade de seus discursos.
Recentemente tivemos mais dois exemplos notáveis. O
último ex-Presidente nacional e o Presidente da Seccional do Maranhão, que têm
sido parceiros em indignidades já denunciadas, reativaram a parceria, desta
feita caracterizada apenas pela contemporaneidade dos fatos.
O ex-Presidente nacional, vestal da moralidade do
Presidente da República, dos Ministros de Estado e dos Tribunais do País, dos
Deputados e Senadores, às vésperas de deixar o cargo, mais uma vez violou
normas da Ordem ao manifestar apoio explícito a uma candidatura partidária.
Imiscuiu-se, explicitamente, naquilo que é era vedado
expressamente pelo seu Regimento Interno e que o bom senso deveria nortear ao
dirigente máximo da Instituição:
“Ao Conselho Federal, como a qualquer órgão da Ordem,
é vedado discutir ou pronunciar-se sobre assuntos de natureza pessoal,
político-partidária, ou religiosa, ou estranhos, de qualquer modo, aos
interesses da classe dos advogados”.
Mas foi a própria máquina promocional da presidência
da OAB que informou: O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil
disse a um dos candidatos à presidência da Câmara que “sua candidatura
significa uma primeira medida de resgate da dignidade daquela Casa de leis”.
Quanto ao Presidente da Seccional do Maranhão, repetiu
e confirmou, com sua conduta, a falsidade e a falácia de seu discurso.
Arauto do combate ao nepotismo no Judiciário, não teve
qualquer pudor em incluir seu próprio filho na lista sêxtupla que o Conselho
Seccional elegeu para a escolha, pelo Tribunal de Justiça, da lista tríplice
que vai para o Governador do Estado nomear o advogado que ocupará o cargo de
Desembargador na vaga destinada à classe dos advogados.
Dizer que ambos são adultos e independentes e são
donos de suas decisões só agrava a situação, pois mostra que um não teve
respeito pelo cargo do pai e dele quis se valer para integrar a lista, e o pai
curvou-se aos caprichos do filho que, assim, tal qual o Presidente da Ordem,
confirma a tradição familiar: os fins justificam os meios, sejam quais forem
eles.
O fato de o Presidente da OAB-MA ter se licenciado não
moraliza o pleito. Não só porque essa licença foi apenas para a votação, mas
porque a licença não era suficiente para afastar a possibilidade da influência
do cargo. Para que essa hipótese restasse demonstrada, em efetivo respeito aos
advogados e à sociedade, o Presidente deveria era renunciar e não apenas se
licenciar, pois quem se licencia volta ao exercício do cargo.
Quem garante que eleitores de um colegiado não se
intimidam para escolher o filhinho do patrão, que apenas deu uma saída rápida e
logo volta para reassumir o cargo em sua plenitude?
Mas o Presidente da OAB-MA fez pior. Foi lá para o
local da votação, para constranger e intimidar.
Mas não é só isso que vicia a moralidade desse pleito.
Feito em duas etapas para preencher a mesma lista, ou
seja, no mesmo processo de escolha dos seis nomes, a Vice-presidente votou para
a escolha dos quatro primeiros e se inscreveu para concorrer às vagas
remanescentes.
É verdade que não se elegeu, mas é verdade também que
teve votos nos dois primeiros escrutínios e, no terceiro escrutínio, quando não
teve mais votos, estes migraram para o filho do Presidente, garantindo sua
eleição.
Isso é moral? É lícito? É ético?
Se ia participar da escolha, por que votou na eleição
da lista? Se votou, por que se inscreveu, para captar votos e garantir a eleição
do filho do Presidente?
Esses são os exemplos de moralidade e ética que a
maioria dos advogados escolheu ao eleger um Conselho comprometido com a fraude
e a corrupção.
Enquanto se lambuzam nessas indignidades, os advogados
continuam desassistidos e a sociedade órfã de uma Instituição que antes a
defendia e que, agora, serve apenas para satisfação de vaidades e interesses
pessoais, mal encobertas e disfarçadas sob um halo de perfumaria inútil e
maciça propaganda enganosa, que só convence cúmplices, coniventes e
desinformados.
E você, caro leitor, o que pensa sobre o assunto?