Contratos temporários serão extintos
O Liberal, 30.12.2004
Mais de quatro mil
servidores da Secretaria de Saúde vão ficar desempregados a partir de fevereiro
do próximo ano, para que funcionários concursados
sejam chamados
Exatos 4.408 servidores temporários da Secretaria
Executiva de Saúde (Sespa) terão os contratos
extintos em 28 de fevereiro do próximo ano. A determinação foi assinada no
último dia 21 de dezembro pelo secretário de Saúde, Fernando Dourado, mas só
veio a público ontem, com a publicação das Portarias de nº 1.324, 1.325, 1.326,
1.327, 1.328 e 1.329 no Diário Oficial do Estado. A Sespa
justificou, através da Assessoria de Imprensa, que começará em fevereiro a
convocação dos candidados aprovados no último
concurso público. A notícia desagradou a coordenadora do Sindicato
dos Trabalhadores em Saúde Pública no Estado do Pará (Sindsaúde),
Miriam Tavares, que é contra a extinção dos contratos, que estão sendo
renovados há mais de 10 anos.
A substituição será gradativa, daí a secretaria
declarar, evasivamente, que ainda não há certeza se todos os servidores
relacionados nas portarias irão para a rua de uma vez a partir de março. Não é
descartada a possibilidade de “alguns” terem os contratos renovados à medida em que os novos funcionários estiverem assumindo.
Mais de 2 mil novos servidores serão convocados. A Sespa também disse que a renovação dos contratos foi
necessária porque parte deles venceu na segunda-feira, 27, e outra parte estava
perdendo a validade ontem.
A notícia pegou de surpresa o Sindsaúde.
Miriam defende que muitos desses contratos vêm sendo prorrogados há 14 anos. “O
Estado criou um costume. Isso se tornou uma bola de neve, ficou sem saída. O
Estado tem que resolver o problema. Há uma emenda no Congresso Nacional para
regularizar a situação dos 100 mil temporários com mais mais de 10 anos no serviço público em todo o País”,
defende. O sindicato vai pedir explicações à direção da Sespa.
O assunto será levado a uma reunião já agendada para o próximo dia 21 com
várias secretarias e outros sete sindicatos.
A secretária adjunta de Administração, Alice Viana, não
quis comentar o caso, sustentando, também através da assessoria de imprensa,
que caberia somente à Sespa
prestar os esclarecimentos.
Bararu - A chamada “Lei Bararu”,
que há anos vem permitindo a renovação dos contratos temporários no Estado e
que este ano foi promulgada através da Lei Complementar nº 046/2004, proposta
pelo deputado Martinho Carmona (PDT), não garante a permanência dos temporários
no serviço público. É o que esclarece o próprio autor. “A lei autoriza o
governo a prorrogar os contratos e ele (Estado) cumpre conforme o seu
interesse. Sem essa autorização, ele (Estado) seria obrigado a sustar os
contratos”, detalha Carmona. A legalidade dessa lei vem sendo questionada na
Justiça pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Seção Pará, por meio de uma
ação direta de inconstitucionalidade. Segundo o parlamentar, o Estado mantém
cerca de 23 mil temporários em folha, a maior parte com lotação na Sespa e na Secretaria Executiva de Educação (Seduc).
Cargos -
Veja quais os cargos dos
temporários que terão os contratos extintos: médicos, veterinários,
enfermeiros, auxiliares de enfermagem, auxiliares de saúde, odontólogos,
atendentes de consultório dentário, psicólogos, assistentes sociais,
farmacêuticos, farmacêuticos bioquímicos, biomédicos, fisioterapeutas,
nutricionistas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, agentes sanitários,
agentes de vigilância sanitária, agentes de saneamento, técnicos de
laboratório, técnicos de patologia clínica, técnicos de radiologia, técnicos de
educação física, administradores, agentes administrativos, auxiliares técnicos,
consultores jurídicos, engenheiros civis, engenheiros agrônomos, engenheiros
químicos, geólogo, químicos industriais, analistas de sistema, arquiteto, biblioteconomista, contadores, técnicos de contabilidade,
sociólogo, agentes de portaria, agentes e auxiliares de informática, agentes de
artes práticas, agentes de eletricidade, agentes de operações gráficas,
motoristas, auxiliares e técnicos de comunicação
social e datilógrafos.
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