Conselho Federal apura denúncias contra OAB-AC
Data: 28/07/2005
Fonte: A Tribuna
Local: Rio Branco - AC
Link: http://www.jornalatribuna.com.br/
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do
Brasil, Roberto Busato, nomeou uma comissão para
apurar denúncias de supostas irregularidades praticadas pela direção da
OAB-Acre.
A medida foi decidida pela diretoria do
Conselho Federal da OAB, que pode decidir pela intervenção na seccional do Acre
caso as denúncias sejam confirmadas.
Composta pelos conselheiros federais Ercílio Castro Filho (TO),
José Edísio Simõe (PB) e
Ulisses Souza (MA), a comissão tem a missão de apurar se foram cumpridas
diversas determinações de órgãos do Conselho da OAB, no sentido de efetuar o
cancelamento de inscrições realizadas de forma ilegal pela OAB-Acre, bem como
de verificar se foram sanadas irregularidades constatadas no Exame de Ordem promovido pela
seccional acreana.
A proposta para instalação da comissão que
fará a sindicância na OAB-Acre partiu do presidente da Primeira Câmara do
Conselho Federal da OAB, Cézar Britto, com base em
diversas representações contra atos do presidente da seccional acreana, Adherbal Maximiano Corrêa, que há
35 anos preside a entidade.
Ao propor a abertura de processo para
investigar os atos de Corrêa, Cézar Britto justificou
que nos últimos anos a entidade teria recebido e julgado centenas de recursos e
representações envolvendo a OAB-Acre, vários deles comprovando fraudes no ato
de inscrições, declarações falsas de domicílio para fins de registro e até
mesmo irregularidades em exames de ordem.
Além da nomeação da comissão que vai
verificar in loco as denúncias das supostas irregularidades na OAB acreana, Cèzar Britto propôs - e foi acatada pela diretoria do
Conselho Federal da OAB - que a seccional presidida por Corrêa fosse notificada
para que apresentasse sua defesa, que será analisada pelo Conselho e, caso seja
confirmado que as irregularidades anteriormente detectadas continuem
inalteradas, o Pleno da instituição poderá decidir ou não pela intervenção.
Adherbal diz que não há problemas
O presidente da OAB-Acre, Adherbal Maximiano Caetano
Corrêa, negou ontem a existência de irregularidades na entidade. Ele revelou
que é vítima de perseguição da parte de alguns integrantes de conselhos
seccionais e federais, que não conseguem permanecer mais de um mandato à frente
dos seus respectivos órgãos diretivos.
Ele afirmou que a medida tomada pelo
presidente nacional da OAB, Roberto Busato, de
instaurar uma sindicância para investigar a seccional acreana é uma forma de
atingir à sua pessoa, uma retaliação pelo fato de que não o apoiou na eleição
para dirigir a OAB-Nacional. Corrêa afirmou também
que seus adversários precisam entender que sua permanência demorada frente à
entidade tem um preço.
Disse que não tem nenhuma notícia de
fraudes nas inscrições da OAB-Acre, bem como negou a existência, durante todas
as suas gestões, de inquéritos policiais por quebra de sigilo de provas ou
compra de aprovações. Ele afirmou que para ele não é mais nenhuma novidade toda
e qualquer iniciativa do conselho federal, que entende haver caído de nível.
"Quem sabe, eles (conselheiros federais) querem
se mostrar para alguma coisa, nesse momento conturbado que vive o país",
insinuou Corrêa, acrescentando que dirige o órgão com amor. "O motivo
maior é que eles querem que eu reprove 92% de alunos reprovados. Acham bonito
essa perversidade", explicou, dizendo-se contra o excessivo rigor nos
Exames de Ordem
promovidos pelas seccionais.
Corrêa afirmou, ainda, que a implicância
da atual direção da OAB-Nacional com sua pessoa se
deve ao fato de que dirige a seccional acreana de maneira independente, sem
precisar recorrer aos dirigentes nacionais para resolver seus problemas.
"Nunca pedi nada a eles. Passagens
para congressos, coisas assim. Eu dirijo uma ordem à parte, como eles mesmos afirmam. Não dou
bola pra eles", enfatizou o dirigente.
Ele lembrou que ao assumir a direção da OAB-Nacional Busato foi abordado
por alguns presidentes de seccionais que queriam prestar-lhe (a Corrêa) uma
homenagem, por ser o dirigente mais antigo.
"Na oportunidade, ele (Busato) teria descartado a idéia e teria prometido que ao
invés disso ia tirar da direção da OAB-Acre", contou Corrêa, afirmando que
tem a maioria dos advogados do Estado, que reconhecem o trabalho que tem feito
ao longo dos últimos trinta e cinco anos.