TEMPORÁRIOS
Categoria quer pressionar para que
Projeto de Emenda Constitucional seja aprovado na Câmara Federal
Ato marcará a vinda de Severino
Diário, 11.05.2005
Edna Nunes
A decisão do juiz da 23ª Vara
Trabalhista, Mauro Volpi, que determinou, na última segunda-feira, que o
governo do Estado demita mais de 21 mil servidores até 2007, sob o risco de
multa, bem como a realização de concurso público para complementação do quadro
funcional, provocou uma série de telefonemas ao Sindicato dos Trabalhadores em
Saúde no Estado do Pará (Sindsaude), para saber o que
ainda poderia ser feito para reverter a situação.
A coordenadora geral e política do Sindsaude, Miriam
Andrade, informa que “infelizmente não há muito o que
fazer”. A não ser, diz ela, buscar junto ao governo critérios e instrumentos
que possibilitem aos temporários que serão demitidos alternativas de renda.
Entre as propostas, está a busca de requalificação
dessas pessoas, por dedicarem anos ao governo e agora
serem dispensadas sem direito a nada.
Paralelo a isso, vão mobilizar a bancada paraense no
Congresso Nacional para agilizar a votação do Projeto de Emenda Constitucional
(PEC) Nº 54/99, a qual visa a criação de um quadro em extinção para enquadrar
os temporários como servidores públicos efetivos. “O projeto permite que os
servidores efetivos que saírem do funcionalismo público, por algum motivo,
sejam substituídos pelos temporários sem a necessidade de concurso público”,
explica a sindicalista. Na próxima sexta-feira, o presidente da Câmara, Severino
Cavalcanti, vai estar em Belém. A idéia dos temporários é fazer um ato público
e pressioná-lo para a aprovação da PEC.
ALTERNATIVAS - A Intersindical
realiza hoje, às 9h, uma assembléia na sede do Sindicato dos Ferroviários, na
avenida Ceará, em São Brás, para buscar alternativas para que os temporários
sofram menos prejuízos. Entre as propostas, está a firmação de um acordo entre
a Intersindical e a administração pública estadual, para que a demissão da
categoria inicie pelos que têm menor tempo de serviço.
OAB - O presidente da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB) - seção Pará, Ophir
Cavalcante Júnior, está otimista que a determinação da Justiça do Trabalho seja
cumprida pelo governo estadual, sem precisar haver aplicação de multa. “Essa
decisão já saiu tarde, porque a contratação dos temporários é inconstitucional
e um Estado que não faz concurso público rasga a Constituição Federal”,
enfatiza o advogado.
Ele comenta que a Ordem levantou, em 2002, a situação de ilegalidade dos
temporários, por entender que a lei estadual que permitia essa contratação não
passava de uma ilusão de garantia de emprego.
Ophir garante que o confronto da OAB em relação a
essa questão não é “nada pessoal”, mas um “compromisso com a moralização do
serviço público em geral”. Cavalcante diz ainda, que devido a essa forma de
contratação, o Estado também sai prejudicado, porque investiu nos temporários.
LUTA - O supervisor do Dieese, Roberto Sena, diz que ao contrário de anos
anteriores, quando lutavam por concurso público, agora a luta dos sindicatos é
manter os temporários no Estado. “Não porque estão contra o concurso público,
mas porque a demissão vai provocar mais uma enxurrada de desempregados na
Grande Belém”, ressalta.
Por essa razão, explica ele, é que se luta pela requalificação
dessas pessoas, para que não fiquem sem ter como conseguir uma renda. Na
opinião dele, o responsável por toda essa situação é o Estado, porque consentiu
que os temporários permanecessem na folha por mais de dez anos.
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