A VONTADE DO CORONEL E O EXEMPLO DO SECRETÁRIO

Carlos Nina

 

Sexta-feira, 4/8/2006, ouvi uma entrevista do Coronel Comandante do Policiamento Metropolitano de São Luís, no programa Ponto Final, com Roberto Fernandes, na Rádio Mirante AM, sobre questões de segurança pública. Dentre elas, o mau exemplo de alguns policiais, cuja conduta desonra a corporação.

Corajosas as palavras do Coronel porque nem sempre uma autoridade pública gosta ou quer admitir a existência das ervas daninhas com quem convive e trabalha.

Ressaltou o trabalho que a Instituição tem tido no sentido de formar policiais capazes de cumprir suas atribuições com responsabilidade, firmeza, respeito.

Acreditei, e acredito, nas palavras do Coronel, na sinceridade de seus propósitos e na consciência que ele certamente tem da importância da Polícia Militar para a comunidade. Daí a imperiosa necessidade de que ela seja integrada por quem tenha condições de fazê-la respeitada na sociedade, pela correção na conduta de seus policias, do primeiro soldado ao oficial da mais alta hierarquia.

Liguei para o programa, mas não tive êxito. Gostaria de, no ar, fazer algumas observaçõs e uma pergunta ao Coronel. A entrevista acabou e não consegui. Tentei, depois, mas o sistema de comunicação não me permitiu que eu me manifestasse diretamente aos ouvintes, inclusive ao Coronel.

Em seguida, deram-se a entrevista de um dos candidatos à presidência da República, de uma autoridade ministerial do governo e, após, a participação, por telefone, do radialista amigo J. Alves.

Tentei, de novo, mas não tive a mesma sorte de J. Alves. Fora do ar, fiz ao Roberto Fernandes minhas considerações e pergunta, às quais se referiu, diretamente aos ouvintes, sem dizer quais foram.

Para que os ouvintes não tenham dúvidas, especialmente o Coronel entrevistado e meu amigo J. Alves, minhas considerações foram basicamente as seguintes.

Ressaltei os pontos inicialmente mencionados, acima, e acrescentei algumas considerações sobre a campanha que a sociedade brasileira tem vivido contra a corrupção, a fraude e tudo o mais que viole os princípios da moralidade.

E perguntei: se o exemplo é um dos principais fatores da formação, da credibilidade, como se sente o Coronel diante do exemplo do seu Secretário de Segurança?

Como ele poderia não saber o motivo de minha pergunta, dei-lhe um exemplo.

O seu Secretário de Segurança foi indiciado pela Polícia Federal, juntamente com o Presidente da OAB-MA e outros diretores da Ordem, por firmarem um documento fraudulento para “evaporar” uma dívida de meio milhão de reais que a OAB tinha – e continua tendo – para com Caixa de Assistência dos Advogados do Maranhão. Fraude que tem prejudicado a assistência aos advogados, impunemente, mercê da omissão e conivência das Diretorias e Conselhos da OAB nacional e local.

Em vez de ver apurada a denúncia, o presidente nacional da OAB tentou impedir até a abertura do Inquérito Policial. Ou seja, para as denúncias dos outros, cacete. Para as deles, impunidade. Aliás, é no que estão apostando mesmo, estimulados exatamente pelos exemplos que têm vivido e constatado.

Por isso, a pergunta: Esse exemplo dignifica a corporação por ele comandada?

O que você acha, leitor?