A história mal contada da fraude no Exame da OAB do Maranhão
Escrito por Décio Sá em 23/04/07



Está muito mal contada a história da tentativa de fraude do exame da OAB realizado no final de semana retrasado. No sábado (16), um aluno foi pego no banheiro da Faculdade São Luís, local dos exames, com o gabarito das provas. Ele seria casado com uma funcionária da OAB.


Apesar do flagra e dos seguranças terem tomado o gabarito, o aluno continuou fazendo os testes normalmente alegando que tinha autorização para terminar o certame. Este fato foi presenciado por todas as pessoas que se encontravam no corredor do nono piso da faculdade, e também pelos alunos da turma 1325, na qual o suposto fraudador fazia a prova.


Diante da falta de posicionamento da OAB, os alunos resolveram procurar a imprensa e denunciar a fraude, mesmo porque já corriam boatos de que alguns alunos teriam comprado a prova (gabarito) e tendo ocorrido a detenção do suspeito, a denúncia tem tudo para se configurar.


A OAB e o Cespe/UnB (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília), organizadoras do concurso, divulgaram nota “descartando qualquer possibilidade de fraude”, apesar de todas as evidências.

O Cespe/UnB foi sacudido em maio de 2005 quando a Polícia Civil do Distrito Federal prendeu uma quadrilha especializada em fraudar concursos, alguns deles promovidos pela entidade.


Em seus esclarecimentos a diretora da entidade, Ângela Lima, informou “que a análise dos dados mostra não haver qualquer anormalidade no resultado do exame, uma vez que ao fazer a verificação das respostas contidas no papel encontrado no banheiro, o instituto constatou que o mesmo apresenta apenas 45% de acertos, percentual insuficiente para a aprovação no Exame de Ordem”.


O problema é que vários alunos denunciaram o caso à Procuradoria da República no Maranhão, onde existe um gabarito com 70% das respostas corretas e não 45% como alega a organizadora.


E agora, como fica? Os alunos querem - e estão cobertos de razão - a anulação de todo o certame.