Advogados e MP aprovam revista
O Liberal, 28.02.2007
Segurança - Presidente da OAB
no Pará apóia decisão do Tribunal, desde que seja para todos
Ao contrário da posição adotada há três anos, a Ordem
dos Advogados do Brasil, seção Pará (OAB-PA), aprova a instalação de
dispositivos de segurança nas entradas dos prédios da Justiça. A entidade
justifica sua posição dizendo que, hoje, a medida anunciada se estende a todos, e não apenas às pessoas comuns e aos advogados,
além de primar pela instalação de equipamentos modernos.
A advogada Ângela Sales, presidente da OAB-PA, diz que
a entidade nunca foi contra a instalação de dispositivos de segurança nos
prédios da Justiça. E que só contestou as portas com detectores de metais
instaladas no prédio do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), há três anos,
porque a medida foi adotada exclusivamente para os advogados e visitantes.
'Tratava-se de uma medida excludente, discriminadora', justifica, lembrando
que, ao contrário do que se pensava, a contestação não estava voltada para o
dispositivo, mas para a sua destinação.
Ângela Sales diz que a OAB é favorável a qualquer tipo
de dispositivo de segurança nos prédios da Justiça, desde que tanto advogados
como promotores, juízes e desembargadores também se submetam ao uso do equipamento.
'Todos exercemos funções essenciais à administração da
Justiça. Portanto, não cabe medida de exclusão desse
ou daquele agente. Se é para um, deve ser para todos',
defende a advogada.
Ela elogia a idéia de se instalar equipamentos
eficientes e modernos, como anuncia a presidência do Tribunal de Justiça do
Estado (TJE). Ela critica, por exemplo, as portas de segurança instalada nas casa bancárias, onde 'uma simples fivela de sapato faz a
pessoa dar várias voltas no dispositivo'. 'Não queremos um equipamento que
cause atraso desnecessário', observa, alegando que o advogado geralmente tem
audiência com hora marcada e que a agenda precisa ser cumprida à risca.
'Imagina um fila de dez ou mais advogados à porta de um dispositivo de
segurança emperrado porque um tem uma fivela no cinto ou no sapato que acaba
emperrando a passagem?', indaga Ângela Sales.
CLAMOR
O assassinato do promotor Fabrício Ramos Couto, 37
anos, reabriu a polêmica a respeito da segurança nos prédios da Justiça. O
promotor foi assassinado pelo advogado João Bosco Guimarães, no dia 24 de
novembro do ano passado, dentro de sua própria sala, no Fórum daquele
município, com seis tiros disparados à queima-roupa. A juíza da comarca, Maria
Mourão Santa Brígida, também alvo do assassino. Ela escapou da morte porque
tinha saído para abastecer seu carro.
O criminoso, da mesma idade da vítima, estava
respondendo a processo por tentativa de homicídio, crime praticado em 1998,
contra o então prefeito de Marapanim Osmundo Naiff, que recebeu quatro
tiros do advogado. João Bosco tentou matar o então prefeito durante a
solenidade de reinauguração de uma praça pública, que
tinha o nome do seu pai, o ex-prefeito Antonio Guimarães. O logradouro recebeu
outro nome após as obras de revitalização, fato que contrariou o advogado, que
hoje cumpre pena em uma das casas penais do complexo de Americano. Ele não se
diz arrependido dos crimes praticados.
Três anos antes do assassinato em Marapanim,
o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) decidiu instalar portas de segurança em
sua sede, localizada na Praça Brasil, no bairro do Umarizal.
A decisão gerou polêmica e recebeu críticas da OAB-PA, à época, que acabou
vencendo a quebra-de-braço: os advogados passaram a
dispor de uma entrada especial, sem que precisassem se submeter à inspeção do
dispositivo de segurança.
A Seccional da OAB-PA sempre foi contrária à
instalação das portas giratórias e dos dispositivos de segurança. A entidade
alegava que isso impedia o livre acesso dos advogados, atentando contra as suas
prerrogativas profissionais e contra a dignidade profissional da categoria.
Hoje o argumento é outro.
De acordo com o artigo 7º e seus incisos, da Lei
8.906/94 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil), o advogado pode ingressar
livremente em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial,
assim como também pode ingressar livremente nas delegacias e nos presídios.
Opiniões divergem quanto ao privilégio, que, no entendimento contrário, não
significa que o advogado não esteja sujeito às necessárias medidas de
segurança.
MP
Sobre as medidas de segurança anunciadas pelo TJE, o procurador geral de
Justiça, Francisco Barbosa de Oliveira, disse que, 'em princípio, a
Procuradoria Geral de Justiça é a favor de qualquer medida de segurança adotada
pelas instituições que possa resguardar a integridade física do cidadão de um
modo geral'. No caso do Judiciário, diz nota divulgada pelo Ministério Público,
também deve ser 'preservada a integridade das partes, dos desembargadores,
procuradores de justiça, juízes, promotores de justiça e advogados que lidam,
diariamente, com conflitos de interesses'.