Adiada votação de “trem da alegria”
Diário, 15.08.2007
FUNCIONALISMO Projeto na Câmara Federal prevê a efetivação de
servidores sem concurso público
O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia
(PT-SP), afirmou ontem que foi adiada a votação do projeto de emenda à
Constituição que pode se transformar em um enorme “trem da alegria” no serviço
público, resultando, entre outras coisas, na efetivação de centenas de milhares
de pessoas que nunca prestaram concurso.
No entanto, Chinaglia afirmou que a Câmara irá votar a
proposta. Se aprovado, a projeto deve beneficiar cerca de 260 mil servidores. O
petista ainda não marcou data para a medida ser colocada em votação e
reconheceu que há dificuldades em aprovar a proposta.
“Avalio que é um assunto de difícil aprovação”, disse
Chinaglia. Em seguida, ele afirmou que os deputados não podem se esquivar de
discutir e votar propostas, mesmo que sejam polêmicas. “Não posso trabalhar com
a idéia de uma Câmara assustada [que teme votar algo]. Tem de ter coragem para
agir”, disse.
De acordo com o petista, uma decisão do colégio de líderes (que reúne
representantes de todos os partidos políticos), do dia 3 de julho, definiu que
o tema deveria ser colocado em votação.
Antes, no final do ano passado, houve o encaminhamento de um requerimento -
assinado por alguns líderes partidários - sugerindo que o assunto fosse
incluído na pauta de votações.
O projeto, de 1999, assinado pelo ex-deputado Celso Giglio
(SP), dá estabilidade a cerca de 60 mil funcionários contratados sem concurso
entre 1983 e 1988, quando a Constituição estabeleceu que o ingresso no serviço
público “depende de aprovação em concurso”.
EMENDA - Em relação às emendas que
determinam a efetivação de cerca de 200 mil
funcionários contratados para serviços temporários nos Estados, municípios e no
âmbito federal, Chinaglia considerou sua aprovação “quase impossível”. Porém, o
presidente da Câmara destacou que é seu dever colocar os assuntos que estão em
discussão na Casa em votação. “O que não pode é a Câmara ficar com assuntos que
não são deliberados à espera de votação”, disse o petista. (BRASÍLIA-DF -
Folhapress)
Ministro Bernardo mostra
preocupação
BRASÍLIA-DF (AE) - O ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, afirmou ontem que está preocupado com uma possível aprovação de
emenda constitucional que visa proporcionar estabilidade a servidores públicos temporários, já apelidado de “trem da alegria”. A polêmica
proposta está pronta para ser votada na Câmara dos Deputados e pode efetivar
cerca de 260 mil servidores contratados em regime temporário.
“É preocupante. Essas pessoas não são concursadas e foram
contratadas para resolver determinadas situações. Como será esta forma de
contratação? Pelo regime jurídico único?”, questionou o ministro, que
participou de seminário sobre as chamadas fundações estatais, outro projeto
polêmico, este enviado pelo governo, que viabiliza a criação de entidades
públicas, com regras de direito privado, para prestação de serviços públicos.
A proposta em discussão no Legislativo permite situações em
que um funcionário público de uma pequena prefeitura, requisitado
para trabalhar na Câmara, onde tem um salário muito maior, possa optar por ser
efetivado no segundo emprego.
Para Bernardo, a proposta que efetiva os servidores com
contratos temporários, por atingir um contingente de cerca de 260 mil pessoas,
abre um “hiper precedente” na administração pública. Segundo ele, a preocupação
com a proposta ocorre porque ela passa ao largo de dispositivos que
regulamentam a contratação dos servidores por concurso público.
Outra preocupação é com o custo fiscal de tal decisão, apesar
de os parlamentares alegarem que a medida não representará ônus extra ao erário
porque os trabalhadores beneficiados já estão nos cargos há no mínimo dez anos.
O ministro disse que não há previsão no governo de qual será o impacto de tal
medida. “Não faço idéia do impacto de quanto isso vai custar”, afirmou.
Bernardo disse que não fará nenhuma ação direta de
articulação na Câmara para evitar a votação da emenda constitucional, mas
considera questão de bom senso um maior debate sobre o assunto. O ministro
acredita que os parlamentares vão perceber que é preciso discutir mais o tema,
antes efetivamente votá-lo. (BRASÍLIA-DF - Folhapress)