Temporário
sobrevive
Amazonia
Jornal, 07.11.2007
O governo do Estado decidiu revogar a
portaria que distratou 997 temporários da Secretaria
Estadual de Saúde (Sespa), publicada na edição de
segunda-feira, 5, do Diário Oficial do Estado. A portaria de revogação,
assinada pela Secretaria de Estado de Administração (Sead)
estará no DOE de hoje. A decisão de voltar atrás no caso da Sespa
foi tomada pela governadora Ana Júlia Carepa, segundo
o secretário de Governo, Cláudio Puty, em coletiva no
final da tarde de ontem. Além de Puty, participaram
da coletiva o chefe da Casa Civil, Charles Alcântara, e o secretário estadual
de Saúde, Halmélio Sobral.
Segundo Puty, a
governadora decidiu suspender as dispensas porque as demissões provocaram um
'inesperado' efeito no atendimento de saúde no interior. Nas demais
secretarias, as dispensas continuarão, pois o governo não pode deixar de
cumprir a decisão judicial que determinou o distrato
até 31 de dezembro, sob pena de multa diária a partir de 1º de janeiro. Na Sespa, os distratos serão agora submetidos a uma comissão especial montada para atender à
ordem da governadora de 'tomar mais cuidado e fazer o dever de casa
direitinho'.
O secretário de Saúde explicou que, dos
quase mil servidores dispensados, perto de 700 vinham atuando na área de saúde
no interior. Alguns dos municípios, disse Halmélio,
estão incluídos no um terço de prefeituras paraenses que, tecnicamente, já
teriam gestão plena da Saúde, o que, segundo ele, os colocaria inclusive em
situação irregular. Dos municípios da região metropolitana, apenas Ananindeua apresentaria problemas.
Tensão - Ao ser questionado sobre a falta de um
diagnóstico sobre os efeitos das demissões na saúde, Alcântara elevou o tom e
mudou o foco do discurso, revelando o momento tenso atravessado pelo governo:
'É difícil para um governo de trabalhadores demitir
pais de família. E minha indignação é porque os verdadeiros responsáveis por
essa situação não estão aqui. O atual governo não vai deixar de cumprir a
decisão judicial, mas esse é um problema herdado de administrações passadas. A
governadora Ana Júlia conseguiu ampliar o prazo para distrato
até dezembro deste ano porque o governo anterior não cumpriu a decisão de
realizar os distratos até o final de 2006'.
Concurso - Puty frisou que
as negociações com o Ministério Público do Trabalho, caminham agora para evitar
que o governo venha a ser penalizado com multa.
Segundo ele, 'a govenadora
vai anunciar, nesta sexta-feira, a realização de dois grandes concursos
públicos. Um na Seduc com abertura de 15 mil vagas, e
outro na Sespa, com 5 mil vagas'. Os cargos previstos
representam a totalidade de vagas de temporários
existentes atualmente. Em todo o Estado são 21 mil temporários.
Consultas são suspensas em unidade de
saúde
No portão da Unidade de Saúde da Cidade
Nova VIII o cartaz com o nome dos 35 funcionários temporários dispensados na
segunda-feira pela Secretaria de Saúde do Estado foi substituído pelo aviso de
que só estavam garantidas as consultas previamente agendadas. Muitos usuários
reclamaram de que o atendimento foi prejudicado por conta do grande número de
profissionais desligados sem que novos servidores fossemchamados.
Os moradores do bairro e de outras áreas, como o Icuí
Guajará, que utiliza os serviços da unidade, reclamam
da falta de estrutura no prédio, que está sem banheiros há dois meses, por
conta de uma reforma.
As equipes de reportagem, que foram ao
local ontem conferir se o atendimento havia sido normalizado, não puderam
entrar na unidade e também não foram recebidas pela diretora do posto, Laís Carneiro.
Os servidores que continuam trabalhando evitaram falar sobre a demissão dos colegas e quem falou pediu para não ser identificado. Um médico disse que o atendimento não havia sido prejudicado porque só foi afetado o pessoal de ponta, como enfermeiros e técnicos em enfermagem. 'Isso já era esperado. A própria sociedade cobrou. Não era para regularizar a situação?', questionou. Mas uma outra funcionária, que usava um jaleco e parecia ser enfermeira, desmentiu o colega afirmando que foram afastados médicos, odontólogos, enfermeiros e técnicos em enfermagem.