FABEL

TEORIA GERAL DO DIREITO E DO ESTADO

Professor: Fernando Lima             

PLANO DE AULA nº 5 – FORMAS DE GOVERNO

 

1.    Considerações gerais.

2.   Platão - ciclo: aristocracia, timocracia, oligarquia, democracia e tirania.

3.   Aristóteles- critérios material e psicológico.

4.   Montesquieu (Espírito das Leis, em 1.748) e a racionalização da teoria de Aristóteles. Os princípios dos três governos: monarquia (honra), aristocracia (moderação), democracia (virtude) e tirania (temor). Roosevelt e o discurso das 4 liberdades (freedom of speech, freedom of religion,  freedom from want e freedom from fear, não apenas entre os cidadãos de uma mesma sociedade política, mas também entre os Estados.

5.   Classificação dicotômica moderna: Monarquia e República. Maquiavel (O Príncipe, de 1.515). Sua contribuição. Ler as palavras vestibulares do Príncipe.

6.   Monarquia - características e classificação- Queirroz Lima. Monarquia hereditária e eletiva.  Monarquia absoluta e limitada.

7.    República- características e classificação. República oligárquica, aristocrática e democrática;  República representativa, república de governo direto e república de governo semi-direto.

8.   Distinção tríplice entre Monarquia e República – esquema quanto ao titular supremo do poder.

 

As Formas de Estado, examinadas na unidade anterior, consideram a centralização ou a descentralização territorial do poder, mas a classificação das Formas de Governo se preocupa com a estrutura do Governo do Estado.

 

         Desde a Antiguidade, a questão das Formas de Governo tem preocupado os estudiosos.

 

         PLATÃO (A República, trad. inglêsa de Benjamin Jowett (Oxford), ou trad. em português (brasileira-Atena)  de Nestor Silveira Chaves) falava a respeito de um ciclo de formas de governo, que se sucederiam continuamente, em cada sociedade: a aristocracia, a timocracia, a oligarquia, a democracia e a tirania.

 

         ARISTÓTELES (Política, trad. inglêsa de Benjamin Jowett (Oxford), ou trad. em português (brasileira-Atena) de Nestor Silveira Chaves) utilizava dois critérios, para a sua classificação: o critério material, que levava em conta o número de governantes (um, um grupo ou todos) e o critério psicológico, que considerava a intenção do governante, que poderia ser o bem comum (formas puras), ou apenas a satisfação de interesses específicos (formas impuras). Dessa forma, as formas puras seriam a Monarquia, a Aristocracia e a Democracia, enquanto que as impuras seriam a Tirania, a Oligarquia e a Demagogia.

 

         MONTESQUIEU (O Espírito das Leis, particularmente livros I a III) se preocupou em identificar um princípio psicológico para cada uma das formas de governo. Assim, a Monarquia seria caracterizada pela honra, a Aristocracia pela moderação, a Democracia pela virtude e a Tirania pelo temor.

 

         É interessante lembrar que ROOSEVELT, (Franklin Delano, The Four Freedoms Speech) em seu famoso discurso das quatro liberdades, de 1941, quando falava a respeito dos regimes totalitários que foram derrotados na Segunda Guerra Mundial, dizia que o Mundo a ser construído no futuro deveria assegurar a liberdade de palavra, a liberdade de religião, a liberdade contra a necessidade e a liberdade de não temer, não apenas entre os cidadãos de uma mesma sociedade política, mas também entre os Estados.

 

         Mas depois da publicação, em 1513, da obra de MAQUIAVEL, (Nicolò Machiavelli, Il Principe, 1.513 - edição de 1.950 – Rizzoli Editora,  ou trad. em português de Mário e Celestino da Silva, com notas de Napoleão e Cristina da Suécia), “O Príncipe”, foi adotada a classificação dicotômica das Formas de Governo: Monarquia e República. Nas palavras vestibulares de sua obra, Maquiavel dizia que “Todos os Estados que tiveram ou têm poder sobre os homens foram e são ou Repúblicas ou Principados”.

 

A Monarquia é a forma de governo que concentra nas mãos de uma só pessoa, o Monarca, a suprema autoridade do Estado. O Monarca é vitalício, sua investidura depende da hereditariedade, e sua pessoa é considerada inviolável, irresponsabilizável e sagrada. Evidentemente, haverá necessidade de distinguir a Monarquia absoluta e a Monarquia limitada, ou constitucional, na qual existem outros órgãos de governo, que partilham com o soberano as funções de mando.

 

Monarquia absoluta é aquela em que a autoridade régia é a única expressão do poder supremo, ou mais precisamente, é aquela em que o rei é o único órgão do governo do Estado.

Monarquia limitada é aquela em que, ao lado do soberano, existem outros órgãos de governo, que com ele partilham as funções de mando.

 

A República é a forma de governo na qual o poder público é exercido por órgãos distintos, dependentes da vontade do povo e investidos de funções limitadas. É a forma de governo na qual as funções de mando se encontram entregues a magistrados eletivos, com investidura temporária e atribuições limitadas. A República é a forma de governo caracterizada pela eletividade e pela temporariedade dos mandatos dos governantes, bem como pela sua responsabilidade.

 

República oligárquica é aquela em que, segundo a Constituição, a direção do Estado é confiada a um pequeno número de pessoas, que se encontram em dadas condições de dominação. O povo não detém parcela alguma de autoridade, nem o poder de escolher os governantes.  Chama-se também oligarquia a situação de fato, em que uma democracia pode degenerar, segundo a qual os governos, no Estado, ainda que nominalmente dependentes da eleição do povo, “se revesam entre meia dúzia de individualidades, lígias do mesmo senhor, ou filiadas na mesma parentela”.  “Esse satrapismo irresponsável e onipotente” não conta, entretanto, com elemento nenhum de estabilidade. São posições transitórias de abuso de poder, que no próprio abuso encontram sua ruína, e o corretivo na reação que necessariamente provocam. (OBS.: os asteriscos se referem a citações de Rui Barbosa- Plataforma política, apresentada na Bahia em 15.01.1910 !!!)

 

República aristocrática, tomada a expressão em seu conceito jurídico, é a forma de governo na qual as atribuições de mando são entregues a pessoas tiradas de uma fração do povo, juridicamente separada, por certas prerrogativas particulares, da massa da população.

 

O fundamento jurídico da República democrática consiste em se reconhecer ao povo o exercício da função suprema de governo. 

A República democrática apresenta-se sob três modalidades bem marcadas: república representativa, república de governo direto e república de governo semi-direto.

República representativa é aquela em que o povo, como órgão de Estado - órgão de resistência ativa, de controle -  tem uma única função constitucional - escolher os agentes a que é confiado o exercício das funções de governo propriamente ditas.

 Na República de governo direto, segundo o exemplo do antigo Estado ateniense, os negócios públicos se resolvem em assembléia popular, para a qual são convocados todos os cidadãos capazes de exercer o direito de voto.

O regime de governo semi-direto, a despeito de sua grande variedade de graus e de feitios, se caracteriza pelo fato de existir, ao lado das instituições representativas, a expressão efetiva do voto direto do povo, deliberando em matéria legislativa e constitucional e intervindo na solução de problemas concretos de governo.

 

Deve-se observar, finalmente, que a República não é sinônimo de democracia, nem a Monarquia é sinônimo de autocracia. Assim como a República pode ser democrática, também a Monarquia pode ser democrática. O conceito de democracia é axiológico e vai depender da nossa concepção do Mundo. Para que um determinado Estado seja democrático, não basta que exista, no texto constitucional, a descentralização vertical do poder, através da federação; não basta que sejam reconhecidos, no papel, os princípios republicanos; não basta que sejam realizadas eleições regulares e que se adote este ou aquele sistema de governo. O nosso regime será democrático ou autocrático, dependendo do funcionamento efetivo das formas políticas que ele adota. Além disso, talvez não exista forma política mais polêmica e mais adjetivada do que a DEMOCRACIA: democracia liberal, democracia social, democracia marxista, etc.

 

 

 

ANEXOS:

 

MAQUIAVEL:

Tutti gli Stàti, tutti è dominii, che hanno avuto e hanno imperio sopra gli uomini, sono stati e sono o Republiche o Principati.

 

ROOSEVELT (Mensagem ao Congresso, em 06.01.41) :

In the future days which we seek to make secure, we look forward to a world founded upon four essential human freedoms.

The first is freedom of speech and expression - everywhere in the world.

The second is freedom of every person to worship God in his own way – everywhere in the world.

The third is freedom from want, wich, translated into world terms, means economic understandings wich will secure to every nation a healthy peacetime life for its inhabitants – everywhere in the world.

The fourth is freedom from fear, wich, translated into world terms, means a world-wide reduction of armaments to such a point and in such a through fashion that no nation will be in a position to commit an act of physical agression against any neighbor – anywhere in the world.

That is no vision of a distant millennium. It is a definite basis for a kind of world attainable in our own time and generation. That kind of world is the very antithesis of the so-called “new order” or tiranny wich the dictators seek to create with the crash of a bomb.

To that new order we oppose the greater conception – the moral order. A good society is able to face schemes of world domination – and foreign revolutions alike without fear.

Since the beginning of our american history we have been engaged in change, in a perpetual, peaceful revolution, a revolution which goes on steadly, quietly, adjusting itself to changing conditions without the concentration camp or the quicklime in the ditch. The world order which we seek is the cooperation of free countries, working together in a friendly, civilized society.

This nation has placed its destiny in the hands, heads and hearts of its millions of free men and women, and its faith in freedom under the guidance of God. Freedom means the supremacy of human rights everywhere. Our support goes to those who struggle to gain those rights and keep them. Our strenght is our unity of purpose. To that high concept there can be no end save victory.

 

LEITURA COMPLEMENTAR:

 

Renato Janine Ribeiro

 

Por que a corrupção impede a vida republicana?