QUEM É O
CRIMINOSO?
Carlos
Nina
Num dos últimos meses de 2007, fui informado por um amigo indignado, que o
Presidente da Caixa dos Advogados do Maranhão – CAAMA, em entrevista concedida
a Heraldo Moreira, no programa Tribuna Jurídica, da TV Justiça, do Supremo
Tribunal Federal, tinha dirigido várias ofensas a minha pessoa, naturalmente
para agradar atuais e ex-dirigentes da OAB e da CAAMA
que tinham cometido uma fraude de meio milhão de reais contra a Caixa dos
Advogados e continuavam impunes.
Dirigi e-mail à direção da TV Justiça, no STF, solicitando o direito de
resposta, fazendo o mesmo para o responsável local, que, solícito, assegurou
minha participação na grade de entrevistas, em fevereiro de 2008, para tratar
do sistema eleitoral na OAB e, ao final do programa, manifestar-me sobre as
ofensas que ali me tinham sido dirigidas.
Apesar do lapso de tempo entre a entrevista ofensiva e a minha, aceitei,
ressalvando a garantia do direito de resposta.
O programa foi gravado no final da primeira quinzena de fevereiro de 2008 e
veiculado nos dias 27, 28 e 29 de fevereiro, restando mais uma reapresentação
para este domingo, 2 de março, às 22:00 horas.
De posse da gravação do programa ofensivo, constatei que eram ofensas pessoais,
fruto do despeito e da inveja, sem qualquer fundamento ou pertinência para um
programa da TV Justiça. Ademais, a conduta subserviente do ofensor, em
permanente busca de cargos, já lhe retira qualquer autoridade moral para criticar
alguém. Quem, porém, não o conhecia, constatou essa marca de caráter quando o
próprio fez questão de ressaltar sua vaidade ao exaltar os efeitos que supõe
causar às pessoas quando se apresenta como Presidente da CAAMA...
Ou seja, é o uso confesso do cargo para satisfação pessoal, em detrimento dos
interesses dos advogados aos quais o cargo deveria
servir.
Com essa afirmação o ofensor mostrou aos telespectadores o tipo de advogado que
ele é e qual a concepção que ele tem do exercício dos cargos de direção da
Ordem e da CAAMA. E ainda disse que quer presidir a Ordem...
O que, porém, me pareceu relevante esclarecer foi apenas uma afirmação do
ofensor, que, aliás, talvez nem precisasse, pela estupidez e contradição de
suas afirmações a respeito do caso.
Disse ele que eu teria cometido um crime ao denunciar ao Ministério Público
Federal a fraude que seus comparsas de diretoria, e mais outros que já a
deixaram, praticaram contra a CAAMA, que ele, ora preside, praticando atos
financeiros obscuros, sobre os quais se nega a prestar informações, como, por
exemplo, sobre os aluguéis fantásticos pagos absurdamente à OAB, da qual a
CAAMA é órgão.
Heraldo Moreira, cumprindo com sua palavra, disponibilizou-me
o penúltimo bloco do programa para que eu respondesse àquelas ofensas. Ao
responder, disse-lhe que lamentava que um advogado usasse um programa daquele
nível para fazer ataques pessoais impertinentes e que tal conduta era uma
agressão aos telespectadores, razão pela qual não desceria àquele nível, até
porque o advogado ofensor não tinha credibilidade moral ou de qualquer outra
natureza para merecer resposta. O agressor seria melhor compreendido se fizesse
aqueles ataques num consultório de psicanálise.
Ative-me, porém, à acusação de que eu teria cometido um crime ao denunciar a
fraude OAB/CAAMA. Esclareci, inicialmente, que a representação dirigida ao
Ministério Público Federal foi assinada por dezenas de advogados e não apenas
por mim. Mas perguntei: se isso constituía crime, por que não fui processado
pelas supostas “vítimas” ou pelo Ministério Público?
Esclareci que, ao contrário daquele entendimento de quem não conhece Direito, o
Tribunal Regional Federal da 1ª Região e o Superior Tribunal de Justiça tinham
decidido contra a tentativa, lamentável e conivente da direção nacional da OAB,
de impedir a apuração daquela fraude. Aqueles tribunais negaram, por
unanimidade, os habeas corpus com que a OAB, que
deveria apurar as denúncias que foram levadas também a seu conhecimento, queria
assegurar a impunidade dos que integram a elite que se acha dona da
Instituição.
Entreguei, durante o programa, cópia do Inquérito da Polícia Federal, onde
estão indiciados todos os envolvidos, inclusive o atual presidente da OAB no
Estado. Só não fiz, como deveria – o que faço agora -, um apelo público ao
Procurador Geral da República para que não deixe que esse Inquérito resvale
para a vala imoral da impunidade alimentada pela prescrição.
Feitos esses esclarecimentos, já se conhece um mentiroso nessa história.
Fica a pergunta: quem é o criminoso?
(Assista à entrevista neste domingo, 2 de
março, às 22:00 h, na TV Justiça, o programa Tribuna Jurídica, nos canais 53,
na UHF/BSB, 59, na TVN, 117, na SKY)