O SR. GEOVANI BORGES (PMDB ¿ AP. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) ¿
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, nesta manhã de sexta-feira, em primeiro
lugar, quero cumprimentar as palavras da Presidência quanto ao tema do pré-sal,
que vai ser amplamente debatido nesta Casa. Eu não consigo acreditar que o Rio
de Janeiro vá perder alguma coisa. Eu acho que ele só tem a ganhar ¿ mas ganhar
com todo o Brasil, afinal de contas, todas as pesquisas foram financiadas pelo
povo brasileiro. Isso era amplamente discutido, é o princípio da unidade
federativa.
Eu sou amazônida, por exemplo.
É muito bonito falar que a Amazônia é nossa, ou que a Amazônia é do mundo, que
nós temos que preservá-la, mas não temos o direito de explorar as nossas
riquezas, ficamos alienados no processo de desenvolvimento econômico. E a
Amazônia tem um potencial, há indícios fortíssimos de lençóis de petróleo, mas
eu acho que a Amazônia não é só para ter dividida sua preservação, mas também
suas riquezas, com o Brasil, principalmente.
Então, o Rio de Janeiro, eu
acho que só tem a ganhar, já está ganhando há muito tempo, e cada vez ganhar
mais, tornar-se um Estado forte, belo, maravilhoso, mas eu acho que, pelo
princípio federativo, a exemplo dos Estados Unidos e outros, eu acho que tem
que ser partilhado com todo o povo brasileiro, porque a riqueza é do povo
brasileiro, não é a riqueza só do povo fluminense, é da União.
O SR. PRESIDENTE (Acir Gurgacz. PDT ¿ RO) ¿ Se V.Exª me permite...
O SR. GEOVANI BORGES (PMDB ¿ AP) ¿ Com o maior prazer.
O SR. PRESIDENTE (Acir Gurgacz. PDT ¿ RO) ¿ Eu concordo, principalmente quando V. Exª
coloca as riquezas da Amazônia. Nós, que somos amazônidas, sabemos das riquezas
que há na Amazônia como um todo, não só petróleo, mas gás, diamante, ouro, e
que estão lá hoje sob uma redoma de vidro, sendo preservadas.
O SR. GEOVANI BORGES (PMDB ¿ AP) ¿ A que título?
O SR. PRESIDENTE (Acir Gurgacz.. PDT ¿ RO) ¿ Nós precisamos descobrir, precisamos
realmente saber, porque é um debate que precisamos aprofundar, fazer com que a
Amazônia seja olhada para que os brasileiros possam viver na Amazônia e da
Amazônia e dar ao Brasil todo as riquezas que nela existem.
O SR. GEOVANI BORGES (PMDB ¿ AP) ¿ Sr. Presidente, ou seja, os ônus da preservação para a
Amazônia, e dos bônus ficamos fora, não é?
Sr. Presidente, semana
passada, fiz um requerimento, nos termos regimentais, para que sejam convidados
para participar do debate público sobre o Projeto de Lei nº 186/2006, de
autoria do Senador Gilvam Borges, a ser realizado na Comissão de Educação,
Cultura e Esporte, da qual sou membro, sem data ainda definida, os
representantes dos Bacharéis em Direito, o Sr. Reinaldo Arantes, residente na
Rua Mendonça Furtado, 416, Condomínio São Paulo II, em Cotia, no Estado de São
Paulo; o Sr. José Farias dos Santos, residente na QNL, aqui, em Brasília, em
Taguatinga; e a Srª Maria Tamar Tenório de Albuquerque, também residente em
Brasília/DF, porque nessa audiência pública vão participar representantes da
OAB, mas tem que ter as partes interessadas.
O projeto de lei de autoria do
Senador Gilvam Borges trata da questão da OAB, para acabar com esse exame. Acho
que a OAB é uma instituição histórica, de uma representatividade, de uma
importância muito grande para o País, e não é papel da OAB proibir, ditar
normas de comportamento no sentido de quem deve entrar no mercado ou não. Esse
é o papel das faculdades legalizadas, e cabe ao Ministério Público, se a
universidade não tem um ensino de qualidade e compromete o profissional, que
ela seja fechada se não atende às normas constitucionais.
Tenho recebido vários e-mails
no meu gabinete sobre o tema. E apresentei também uma PEC, a de nº 001, de
2010, que extingue isso também.
Aqui eu recebi um e-mail
do Allan Cruz. Ele diz:
Boa tarde, Senador Geovani
Borges,meu nome é Allan, sou bacharel em Direito e moro na cidade de Curitiba,
no Paraná. Gostaria de parabenizar o senhor pela atitude da proposta para a
Proposta de Emenda Constitucional, a PEC 01, de 2010. Vou ficar acompanhando a
tramitação dessa proposta para conseguirmos essa vitória. Chega de exame de
Ordem que não leva a nada...
Muito obrigado, Allan, pelo
apoio.
Também recebi um e-mail
do Marcius Machado, que diz:
Caro Senador Geovani Pinheiro
Borges, quero parabenizá-lo pela grandiosidade do seu trabalho, em especial do
projeto de lei de vossa autoria, que estabelece que o ingresso no exercício da
profissão de advogado não será vinculado no exame da Ordem, que se transformou
em uma máquina de fazer dinheiro, além da tremenda dificuldade que o exame se
tornou. V. Exª vai sofrer uma tremenda pressão, mas tenha a certeza de que
estarás realizando um grandioso trabalho e que irá gerar inúmeros empregos e
fazer inúmeros cidadãos voltarem a acreditar na política. `Há homens que lutam
um dia e são bons; há outros que lutam um ano, e são melhores; há aqueles que
lutam muitos anos, e são muito bons; porém, há os que lutam toda a vida. Estes
são imprescindíveis¿ (Bertold Brecht).
Marcius Machado, Bacharel em
Direito.
Obrigado, Márcio, pelo
incentivo e pela força. Realmente, é uma luta difícil, mas justa, a que estamos
fazendo para prevalecer o que determina nossa Constituição.
Há outro e-mail muito
interessante. Chegaram vários e-mails, mas estou me referindo a alguns. Por
exemplo:
Agradeço pelas informações
acerca da PEC 01/2010. Também estive observando que, de Santa Catarina, temos o
apoio de dois Senadores: Neuto de Conto e Raimundo Colombo. Não achei a
assinatura da Senadora Ideli Salvatti. Gostaria de saber se ela realmente não
assinou. Estarei formando um grupo para solicitar o apoio dela também. Quero o
apoio total do Estado de Santa Catarina neste projeto.
Veja bem, Sr. Presidente e
Adriane, que me mandou este e-mail: normalmente, nas assinaturas de
apoio à PEC, às vezes, o Senador não está de acordo. Ele deu o apoio para que a
emenda possa tramitar. Não é isso? Então, não há um compromisso. Por exemplo,
alguns companheiros assinaram e disseram: ¿Senador Geovani, vou assinar para
dar-lhe apoio para que você tenha a chance de debater sua proposta, sua PEC¿.
Ela foi a número um deste ano de 2010.
Ela diz o seguinte: ¿Caros
amigos, (...), tenho a satisfação de comunicar a vocês que, apoiado por outros
(...).¿ Então, Adriane, estou explicando isso, mas não custa você reunir-se e
conversar com a nossa querida Senadora Ideli Salvatti e pedir o voto ¿ não só o
apoio ¿ à PEC.
Temos uma outra situação aqui,
que é do Ricardo Januário de Assis Gomes. Ele também se reporta à PEC nº 01, de
2010:
Meu nome é Ricardo Januário de
Assis Gomes, e sou acadêmico de Direito no Estado do Rio, atualmente
encontro-me com a minha matrícula trancada por estar desempregado e desta forma
sem poder custear meu curso; mas gostaria de agradecer, em nome dos acadêmicos
do curso, por vossa iniciativa quanto a PEC 01/2010, pessoalmente, sou
favorável que todos os alunos formados em nossas Universidades/Faculdades de
todos os cursos façam provas para mais uma avaliação pessoal antes de começar a
exercer profissões que exijam nível superior, mas, se não é desta maneira, se
não é para todos, é injusto que só uma parte, bacharéis em Direito, o façam.
Parabéns por esta iniciativa,
conte comigo,
Ricardo Assis.
Lá do Rio de Janeiro.
Veja bem, se tem de ter provas
para entrar no mercado, que seja para todos os cursos. Só para bacharel em
Direito? Quem faz Medicina faz o quê? Faz residência. Mas, a partir do momento
em que se faz residência, faz parte da grade curricular do curso de Medicina.
Para Engenharia, nos seus
vários segmentos. O engenheiro agrônomo, o engenheiro civil, o engenheiro
florestal fazem uma espécie de estágio, supervisionado pela faculdade, com
normas do Ministério da Educação. É o papel do Ministério da Educação, é o
papel das... Mas não é o CREA, ou os conselhos de Medicina que vão ditar quem
deve ou não entrar no mercado de trabalho, só o curso de Direito. Se ele é um
bom advogado ou um mal advogado, é o mercado que vai triar. Tem muita gente aí
que é desembargador, que é ministro, que são formados, que são juízes e que, se
hoje se submeterem a um exame da Ordem... Eu confesso, e apesar dos
escândalos... Tinha um juiz lá na minha cidade, no meu Estado, que falou para
mim: ¿Geovani, eu não garanto passar nesse curso, Senador, porque não mede
capacidade de ninguém¿. É uma triagem cruel. O aluno passa cinco, seis anos na
faculdade e fica marginalizado no mercado. O bom profissional, seja ele qual
for, não se estabelece no mercado se não for competente, se não for dedicado.
E, se as faculdades não estão cumprindo seus papéis, cabe ao MEC fechar. E este
não é o papel da OAB: ditar normas de comportamento de quem entra ou de quem
fica no mercado de trabalho. Isso é uma reserva muito cruel. Ele está certo, o
Ricardo Assis.
Então, o Crea e todas as
instituições, todas as organizações, todas as associações, vamos exercer o
papel do MEC. E a Constituição é muito clara a respeito disso: os direitos são
iguais para todos.
Parabéns, Ricardo, pelo e-mail.
Tem aqui também o Alvaro Lima.
Ele me mandou um e-mail dizendo:
Parabéns. Esta é a minha primeira
palavra de congratulação a Vossa Excelência por este projeto. Acompanho a TV
Senado há muito tempo e confesso que, pela primeira vez, alguém ouviu a voz
rouca das faculdades, universidades e instituições de nível superior. Estou
organizando aqui em minha faculdade um movimento de apoio a Vossa Excelência,
que, em breve, estará formatado. Neste ínterim, informo que Vossa Excelência
corrige um erro constitucional que vem sendo praticado desde 1994 pela OAB.
Esperamos ampliar este movimento .
Muito obrigado, Alvaro Lima
Júnior, pela informação e por sua iniciativa.
Chegou outro e-mail
também em meu gabinete, que é da Isabela Silva.
Caro Sr. Senador, venho por
meio deste elogiar tal iniciativa feita pelo senhor para que acabem com o exame
da Ordem. Como recém-formada em Direito, concordo plenamente que um exame da
Ordem não ¿filtra¿ advogados. Como tenho visto, há muitos bacharéis mais
competentes do que muitos advogados espalhados pelo nosso País.
Muitos universitários gastam
com sua educação para, ao término da faculdade, possam exercitar com orgulho a
profissão que escolheram e reforçaram o compromisso no juramento feito em suas
colações. Nada mais justo do que o formando em Direito também possam sair da
faculdade direto para o mercado de trabalho pois também estudou muito e segue
estudando como qualquer outro profissional.
Mais uma vez, parabéns e torço
para um resultado positivo, pois há uma gama de empregos e muita gente
competente, esperando para trabalhar em prol dos leigos na justiça.
Isabela Silva
Rio Grande do Sul¿
Muito bem, Isabela. Coerentes
as colocações. Estão querendo apenas que a nossa Constituição seja cumprida.
Tem outro aqui, o e-mail
da Luciana Andreotti. Vejam que são muitos assuntos do momento. Também tem aqui
a do Júlio Velho:
Parabéns, Senador Geovani
Borges, por mais essa iniciativa digna, que lava a alma dos bacharéis, suas
famílias e dos milhões de brasileiros que precisam destes trabalhadores para
terem da justiça os seus direitos garantidos, pois o advogado é o acesso
judicial deles. Nos dê a data audiência, que nós estaremos lá, em massa.
Ainda não está marcada a data.
Esta data é para discutir, junto com a OAB, o projeto de lei de autoria do
Senador Gilvam Borges. Mas, assim que tivermos a data confirmada, o nosso
gabinete irá lhe confirmar a data. E contamos com a sua presença também junto
com o movimento que você está articulando aí no seu Estado, viu Júlio?
Também tem aqui o da Vanessa
Bentzen:
Senador Geovani Borges, eu
gostaria de parabenizá-lo pela PEC que dispõe sobre efeito de diploma de nível
superior para qualificação profissional. É um absurdo o que vem acontecendo com
as faculdades de direito no Brasil. Estudamos 5 anos, e, quando acabamos, não
podemos exercer nossa profissão. Somos a única faculdade que formamos e não
podemos trabalhar na área.
Ficamos a mercê das provas
organizadas pelo Cespe. Prova esta que não avalia o nosso conhecimento ao longo
do curso. E por si só não são capazes de identificar o bom do mau profissional.
Sem contar que precisamos
pagar para fazer a prova. E não raramente somos surpreendidos com denúncias de
fraudes que ocasionam o cancelamento da mesma.
Mas eu sei o motivo desses
cancelamentos e dessas fraudes, Sr. Presidente. É exatamente porque não é o
papel da OAB neste País de medir capacidade de ninguém. Não é papel dela
submeter uma prova para quem deve ou não entrar no mercado. Primeiro, quais são
os critérios dessa prova? Quais são os critérios? Será que o acadêmico de
Direito, a grade curricular, a visão macro da coisa estará naquela prova,
medindo a capacidade de cada Bacharel?
Alguém me fez a seguinte
colocação: mas se o advogado errar? Se não for bom advogado? Aí respondo da
seguinte maneira: se errar, cabe recurso, e ele está fora do mercado. Agora, se
o médico errar, não tem recurso. Têm várias instâncias, o Direito é muito
amplo. Se um engenheiro errar um cálculo de um edifício, não tem para quem
recorrer, mas o advogado tem várias instâncias, têm várias oportunidades para
se corrigir qualquer tipo de injustiça.
Quero desta tribuna
parabenizar o Senador Gilvam Borges pela coragem, pela determinação, porque a
OAB, que é uma Instituição que respeito e por quem tenho uma grande admiração
pelo papel democrático e sério que ela exerce neste País, mas não é essa a
atuação dela, não; ela não foi criada com esse objetivo. Eu, infelizmente,
tenho que concordar com o Senador Gilvam Borges porque a OAB é uma Instituição
que é aparentemente considerada intocável.
Então, Sr. Presidente, eram
essas as ponderações que eu tinha que fazer nesta sexta-feira.
O requerimento está feito. O
Sr. Reinaldo Arantes estará lá para também debater na Comissão de Educação e
Cultura, de que eu faço parte; o José Farias dos Santos e a Maria Tamar Tenório
de Albuquerque. O apelo dos senhores foi atendido, porque não é só ouvir a OAB,
não, tem que ouvir a outra parte interessada também, tem que ouvir ambas as
partes.
Era esse pensamento que eu
queria expor esta manhã. Agradeço a tolerância e a paciência de V. Exª, que
brilhantemente está conduzindo os trabalhos à frente da Presidência.