Presidente da OAB SP acusa
Defensoria de gastar R$ 75 milhões para fazer atendimento que OAB faz de graça
25.07.2008
http://www.netlegis.com.br/index.jsp?arquivo=detalhesNoticia.jsp&cod=42646
O presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso,
rebateu no dia 24 de julho os dados que a Defensoria Pública divulgou, fazendo
paralelo entre o atendimento que presta e o do Convênio de Assistência
Judiciária. Para D´Urso, a Defensoria compara coisas diferentes para mostrar
uma eficiência irreal. A Defensoria Pública havia divulgado que "o gasto
anual da Defensoria com infra-estrutura e salários é de R$ 75 milhões, menos de
30% do que era gasto com convênio da OAB SP", em comunicado distribuído à
imprensa.
Conforme a nota divulgada pela assessoria de
imprensa da Defensoria, no dia 21, o dados de atendimento foram obtidos a
partir de estatísticas realizadas pela Corregedoria-Geral da Defensoria Pública
do Estado, que tem por atribuição compilar informações dos relatórios mensais
entregues pelos defensores. Pelas estatísticas, os defensores públicos ainda
participam anualmente de 180 mil audiências cíveis e criminais e propõem 50 mil
ações de direito civil e de família.
“A Defensoria Pública está usando dois pesos e duas
medidas para confundir a população e mostrar uma eficiência irreal. Mistura
quiabo com laranja, ou seja, mistura atendimento/consultas com ações judiciais
concluídas", contesta o presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso.
"Ao anunciar que atendeu no ano passado 850 mil pessoas com 400
defensores, na verdade, promoveu atendimentos feitos em sua maioria por
estagiários, e gastou R$ 75 milhões. Omite que a OAB SP atendeu um milhão de
pessoas em 2007 para consultas, realizadas exclusivamente por advogados, e nada
recebeu por isso, porque a consulta ao cidadão carente não é remunerada pelo
Convênio. Mas a Defensoria gastou milhões para fazer este atendimento que a OAB
SP faz de graça”, ressalta o presidente da OAB.
O presidente da Ordem lembra, ainda, que os gastos
do Convênio com a OAB SP são exclusivamente voltados a ações judiciais, que
levaram anos tramitando na Justiça. “Estas, sim, certificadas por meio de
certidões custaram R$ 272 milhões no ano passado. Portanto, a afirmativa de que
o gasto anual da Defensoria é 30% menor do que o gasto com o Convênio firmado
com a OAB SP é inteiramente falsa, porque está ponderando sobre dois fatores
completamente diferentes – atendimento/consulta, que demora minutos, e a ação
judicial, que demora anos”, enfatiza o presidente.
Guerra de números
D´Urso também questiona o total de atendimentos e
ações propostos pela Defensoria no ano passado. O total de defensores, na
verdade, é de 392 e nem todos atendem à população carente. Há aqueles que
integram a cúpula (defensor público geral e os vices), os chefes de gabinete,
coordenadores regionais, os que estão na Escola da Defensoria etc. “É
impossível chegar neste número de 850 mil atendimentos/consulta - até porque se
isso fosse verdade, esses defensores não teriam tempo para peticionar, ir a
audiências, estudar os casos e acompanhar os processos - a não ser que o
atendimento esteja sendo feito irregularmente, não por defensores públicos, mas
por estagiários. Afinal, a Defensoria gastou no ano passado R$ 7 milhões com
estagiários”, acusa D´Urso.
A Defensoria Pública divulgou também dados da área
criminal. Os 180 defensores da área criminal impetram por ano cerca de 11.500
habeas corpus no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e 3.500 habeas
corpus no STJ e STF. "De cada sete habeas corpus impetrados no ano de 2007
no STJ, que totalizou mais de 24 mil habeas corpus, um é da Defensoria Pública
do Estado de São Paulo", diz o comunicado.
Outra informação polêmica diz respeito ao número de
profissionais necessários para o atendimento à população carente de São Paulo.
A Defensoria estima que, com 1.600 defensores públicos, poderia ter postos de
atendimento em todas as comarcas e absorver toda a demanda por assistência
jurídica gratuita do Estado, tornando desnecessária a realização de convênios.
Entretanto, a Defensoria não esclareceu qual seria
o montante de recursos necessários para cobrir gastos com pessoal (pagamento da
folha com funcionários), custeio (luz, telefone, informática, suprimentos e
manutenção dos espaços) e capital (aquisição de prédios, reformas, dentre
outros) em centenas de pontos de atendimento, pois existem 566 prédios de
fóruns na Justiça estadual de São Paulo.
Outro dado não informado pela instituição é a data
prevista para a criação dos primeiros 400 cargos que reforçariam o atendimento.
"A Defensoria já está em contato com o governo do Estado para o envio de
projeto de lei à Assembléia Legislativa", informou um dos comunicados
divulgados pela instituição. Mas, como o projeto de lei ainda não foi enviado à
Assembléia, não há data prevista para a instituição colocar os novos
profissionais estarão em ação.
No interior, atendimento precário
Em Rio Claro, segundo a vice-presidente da OAB no
município, Rosa Catuzzo, entre 40 e 50 pessoas por dia já estavam agendadas
para serem atendidas até 24 de julho, porém, isso não será mais possível.
"Todas essas pessoas vão ficar sem atendimento. A princípio, os casos
urgentes serão encaminhados para a Procuradoria do Estado e para Promotoria
Pública. Mas o estado não tem estrutura para fazer o atendimento que a OAB
realiza", destacou Rosa ao Jornal de Rio Claro.
Sem contar mais com o convênio para assistência
judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública em
Bauru atenderá apenas casos urgentes até meados de agosto. Estão previstos
nesta situação mandados de segurança, agendamento de consultas, questões
envolvendo pensão alimentícia – além, por exemplo, das referentes a réu preso,
informou o Jornal da Cidade.
A restrição será necessária porque os 12 defensores
de Bauru não dão conta de atender toda a demanda, assim como ocorre em todo o
Estado, pois estão em número muito aquém do ideal, destacou o jornal.
Fonte: OAB, Defensoria, JC e JRC