Para desembargador, exame da OAB
dificulta acesso ao mercado de trabalho
Da
Agência Brasil
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/07/30/materia.2008-07-30.0462249074/view
04.08.2008
Brasília - Entrar no mercado
de trabalho depois de cinco anos de formação. Mas, antes disso, passar na prova
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para ter a concessão do direito de
exercer a profissão. Esse é o desafio dos bacharéis de direito de todo o país.
Muitos juristas questionam a necessidade do teste. Por outro lado, a OAB
defende a prova como uma forma de avaliar os conhecimentos dos estudantes,
devido à grande disseminação das faculdades particulares de direito.
Para
o presidente do Instituto dos Magistrados do Distrito Federal (IMAG-DF),
desembargador Valter Xavier, o exame serve para criar uma reserva de mercado,
dificultando o acesso dos recém-formados a oportunidades de trabalho. Para ele,
a OAB deveria acompanhar a formação dos bacharéis durante os cursos em vez de
fazer uma avaliação após a conclusão da graduação.
“Eu vejo simplesmente a defesa de um mercado de trabalho. [São] os
advogados mais antigos, que compõem os quadros da OAB [Ordem dos Advogados
do Brasil], impedindo a entrada dos mais novos no mercado”, declarou
Xavier.
Segundo
o desembargador, o teste feito pela OAB não é capaz de medir com exatidão as
habilidades do candidato que pretende advogar. “É praticamente impossível que a
pessoa consiga saber na ponta da língua o que estudou durante cinco anos”,
avaliou Valter Xavier.
A
presidente da Comissão de Exame de OAB, em nível federal, Maria Avelina
Hesketh, defendeu a realização do exame. Segundo ela, como na estrutura
judiciária, o advogado trabalha “no mesmo nível” que o promotor e o juiz, que
são concursados, esse profissional também deve ser submetido a um teste.
Ela
apontou a baixa qualidade de muitos dos cursos de direito como outro fator da
necessidade do exame. “Existe uma disseminação dos cursos jurídicos de finais
de semana, sem nenhum compromisso com a qualificação do profissional que está
formando”, ressaltou.
Ela
negou que o exame tenha a finalidade de fazer reserva de mercado, mas seria, de
acordo com Hesketh, “um mínimo de garantia que a OAB tem que ter para chancelar
um determinado bacharel em direito”.