O Supremo Tribunal reprovou a OAB-SP

Elio Gaspari

13.04.2008

http://www.correiodabahia.com.br/poder/noticia_impressao.asp?codigo=151531

Ficou mal na fotografia a seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, aquela cujo presidente, Luiz Flávio Borges D’Urso, co-patrocinou o movimento “Cansei”. O Supremo Tribunal Federal decidiu, pela unanimidade dos presentes, que os desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo fizeram o certo ao devolver dois nomes de uma lista sêxtupla para o preenchimento de uma vaga na Corte. A OAB-SP achava que sua lista não podia ser tocada. Afinal, segundo D’Urso, era necessário “fazer respeitar a advocacia paulista”.

Era uma causa difícil, pois um dos candidatos oferecidos pela Ordem havia sido reprovado dez vezes em concursos para juiz. Traduzindo: um cidadão que não consegue passar nos concursos para juiz pode ser desembargador, desde que tenha o patrocínio da OAB. O outro candidato da Ordem respondia a processo criminal. A decisão do Supremo Tribunal respeitou a advocacia brasileira.

Um péssimo caso para a história de uma instituição que já foi presidida por gente do tamanho de Raymundo Faoro e Seabra Fagundes. De qualquer maneira, o atual presidente do Conselho Federal da Ordem, Cezar Britto, sempre poderá dizer que tudo não passa de um “episódio burlesco”.
Faoro é que fazia o certo. Quando sopravam que ele seria convidado para um cargo (ministro ou até vice-presidente), respondia: “Só aceito a embaixada do Brasil em Haia, desde que seja vitalícia e hereditária”.